É muito perturbador o facto do regime totalitário, mal-grado o seu carácter evidentemente criminoso, contar com o apoio das massas. Embora muitos especialistas se neguem a aceitar esta situação, preferindo ver nela o resultado da força da máquina de propaganda e de lavagem ao cérebro, a publicação em 1965 dos relatórios originalmente sigilosos das pesquisas da opinião pública alemã dos anos 1939-1944, realizadas então pelos serviços secretos das SS (Meldungen aus dem Reich Auswahl aus den Geheimen Lageberichten des Sicherheitsdientes der S.S. 1939-1945 [Relatórios do Reich. Selecção de Relatórios Sigilosos Recolhidos pelo Serviço da Segurança das SS], Neuwied & Berlin, 1965), demonstra que a população alemã estava notavelmente bem informada sobre o que acontecia com os judeus ou sobre a preparação do ataque contra a URSS, sem que com isso se reduzisse o apoio dado ao regime.
Hannah Arendt in As Origens do Totalitarismo
prefácio à III parte - O Totalitarismo (nota de rodapé)
© Dom Quixote
tradução de Roberto Raposo
Questiono: numa sondagem feita pelo regime, as pessoas responderiam algo diferente do apoio incondicional ao regime?
Provavelmente, cá iria passar-se o mesmo.
Dito por: jm no dia 26 de março 2007, às 11h17a questão, penso eu, é a anulação daquilo que sempre foi defendido: que "as massas" só souberam o que estava a acontecer no fim da guerra, quando os aliados chegaram aos campos de concentração.
Dito por: dolphin.s no dia 26 de março 2007, às 11h44Certo. O politicamente correcto, pois então; depois de encontrados os "culpados", é muito mais confortável restringi-los a um pequeno grupo de individualidades a culpar todo um povo. Até que ponto esse povo ou grande parte desse povo não sentia (e ainda sente) empatia pela grandiosidade do seu desígnio ariano?
Dito por: pns no dia 30 de março 2007, às 16h06