El [padre de Victoria] fue el primero de la Sociedad de la Noche del Iris Negro en diseñar los límites de su existencia y también decidir que ya tenía bastante de este mundo. Precisamente él, que a todos nos calmaba cuando empezaba a rondarnos la idea de quitarnos la vida. «No tengáis prisa», solía decirnos, «sin la posibilidad del suicidio ya me habría matado hace mucho tiempo. El suicidio es un acto afirmativo, lo podéis hacer cuando queráis, qué prisa tenéis? Calmaos. Lo que hace soportable la vida es la idea de que podemos elegir cuándo escapar.» Y sin embargo tuvo que ser él precisamente el primero a cansarse de este mundo. In día, nos llamó a todos y nos comunicó que ya tenía bastante con lo que había vivido y que deseaba poner punto final a todo en compañía de sus amigos.
- Pero no me parece que hiciera honor a la regla más elemental de la Socied - he dicho.
- A qué te refieres?
- Pues a que saltar al vacío no es un acto excesivamente sereno.
- Lo es - Catón se ha mostrado tajante -. O al menos en su caso lo fue. Eligió el salto desde el campanario porque dijo que contenía una especie de rebelión hacia nuestra condición humana, tan privada de la posibilidad del vuelo. Dijo que era un acto maravilloso arrojarse al vacío porque tendía al espacio, a las grandes dimensiones, al horizonte. Una noble forma de muerte que podía practicarse con toda serenidad después de una reflexiva velada con los amigos. Eso dijo.
Enrique Vila-Matas in Suicidios Ejemplares
© Editorial Anagrama
É belíssimo e avassalador isso que escreve o Vila-Matas.
Dito por: menina-alice no dia 22 de março 2007, às 14h34"Lo que hace soportable la vida es la idea de que podemos elegir cuándo escapar".
Este foi um pensamento que me pertenceu durante muito tempo. Agora nao tenho esse direito.
Dito por: Scarlata no dia 22 de março 2007, às 21h24Sem dúvida Vila-Matas, não ao seu melhor nível, porque o nível dele é sempre elevado - mais uma bela tirada para sacudir a modorra da suposta inevitabilidade do destino. É um belo trunfo para usar em situações de desespero existencial e não só, e não só...
Dito por: pns no dia 30 de março 2007, às 17h01Discordo. Isto é Vila-Matas em grande nível. Isto é literatura. E é lindo.
Pode ser demasiado alma ou sentimento para ti, ou será o tema que não te agrade. Mas isto é Vila-Matas.
Oopps... provavelmente não me exprimi correctamente, agora que releio o que escrevi; estava apenas a tentar dizer que Vila-Matas é tão fixe que tudo o que ele escreve são momentos altos, incluindo este. É mesmo muito bom e fiquei viciado nele, é só uma questão de tempo até ler mais livros dele além do excelente «Doutor Pasavento».
Dito por: pns no dia 31 de março 2007, às 12h30Oopps. Provavelmente não me exprimi correctamente, agora que releio o que escrevi; estava apenas a tentar dizer que Vila-Matas é tão fixe que tudo o que ele escreve são momentos altos, incluindo este. É mesmo muito bom e fiquei viciado nele, é só uma questão de tempo até ler mais livros dele além do excelente Doutor Pasavento.
Dito por: pns no dia 31 de março 2007, às 12h30