Entre os bacorinhos acabados de nascer aparecia de vez em quando um ou outro mais débil que inevitavelmente sofreria com o frio da noite, sobretudo se era Inverno, que poderia ser-lhe fatal. No entanto, que eu saiba, nenhum desses animais morreu. Todas as noites, me avô e minha avó iam buscar às pocilgas os três ou quatro bácoros mais fracos, limpavam-lhes as patas e deitavam-nos na sua própria cama. Aí dormiriam juntos, as mesmas mantas e os mesmos lençóis que cobririam os humanos cobririam também os animais, minha avó num lado da cama, meu avô no outro, e, entre eles, três ou quatros bacorinhos que certamente julgariam estar no reino dos céus...
José Saramago, in As Pequenas Memórias
© Editorial Caminho
porque me fez recordar histórias tuas.
E os bacorinhos pensaram mesmo estar no reino dos céus, protegidos, limpos e aquecidos à imagem e semelhança do aconchego das palavras de Saramago nas ''Pequenas Memórias''
Dito por: Pedro Costa no dia 19 de dezembro 2006, às 23h28