(...) as mãos são dois livros abertos, não pelas razões, supostas ou autênticas, da quiromancia, com as suas linhas do coração e da vida, da vida, meus senhores, ouviram bem, da vida, mas porque falam quando se abrem ou se fecham, quando acariciam ou golpeiam, quando enxugam uma lágrima ou disfarçam um sorriso, quando se pousam sobre um ombro ou acenam um adeus, quando trabalham, quando estão quietas, quando dormem, quando despertam, e então a morte, terminada a observação, concluiu que não é verdade que o antónimo da presunção seja a humildade, mesmo que o estejam jurando a pés juntos todos os dicionários do mundo, coitados dos dicionários, que têm de governar-se eles e governar-nos a nós com as palavras que existem, quando são tantas as que ainda faltam, por exemplo, essa que iria ser o contrário activo da presunção, porém em nenhum caso a rebaixada cabeça da humildade, essa palavra que vemos claramente escrita na cara e nas mãos do violoncelista, mas que não é capaz de dizer-nos como se chama.
José Saramago, in As Intermitências da Morte
© Editorial Caminho
O livro tem trechos magníficos... e um final que eu não esperaria de Saramago mas mui significativo.
Dito por: E-clair no dia 6 de dezembro 2005, às 20h25não achas que ele a meio do livro se apaixonou pela história que até ali tinha papel secundário, abandonando o resto, quase brutalmente, para lhe seguir o rasto? :)
Dito por: dolphin.s no dia 6 de dezembro 2005, às 20h36Parece haver realmente um "já tou farto de maphia e afins!", deixa cá perseguir a "outra" história"... o que cria um certo desequilíbrio narrativo. A história ganha com o desaparecimento da maphia, gosto muito mais da segunda metade e terei de reler quando tiver mais tempo. Nunca se viu assim tão humana, a morte...
Dito por: E-clair no dia 7 de dezembro 2005, às 10h16sim, tb gostei muito da "2ª parte". Estava à espera de um caos maior e acho que se perdeu nos meandros da maphia ;)
mas ainda me ri bem com os jornalistas e os politicos ehehehehe
Dito por: dolphin.s no dia 7 de dezembro 2005, às 10h42se já estava curiosa em relação a este livro do saramago, ainda mais fiquei.... acho q não será esta semana que o irei comprar! ;)
Dito por: caixante catarina no dia 11 de dezembro 2005, às 22h04gostei de ler este excerto, mas estou muito indecisa... se adquira este livro ou não...
(o anterior não cheguei a ler, tantos artigos e entrevistas antes ou em simultânea com a sua saída... desinteressei-me, além de que não tinha gostado do seu antepenúltimo livro.)
aconteceu-me o mesmo com o outro. Comprei-o, mas cansou-me tanto o tudo que se falou, que nem lhe peguei.
Desta vez recusei-me a ouvir fosse o que fosse sobre o livro ;)
Não é o melhor do Saramago, sem sobra de dúvida, mas é um bom livro com uma boa história. Ou melhor, com 2 boas histórias, e ambas invulgares.
Achas que ias gostar.
E lê-se rápidamente ;)