fevereiro 01, 2008

buñuelesco

Durante o mês de Agosto, as tropas da milícia que cercavam o Alcázar fizeram um juízo erróneo quer acerca da rapidez do avanço de Yagüe quer da capacidade de resistência dos defensores da fortaleza. Nas barricadas que rodeavam a Academia Militar havia uma atmosfera de descontracção, desperdiçando-se enormes quantidades de munições contra as suas espessas paredes. Só passado algum tempo trouxeram a artilharia e mesmo a peça de 175mm que por fim instalaram apenas derrubou as supra-estruturas. O Alcazár era como um icebergue. A sua força residia na rocha submersa. Havia no cenário qualquer coisa de buñuelesco; milicianos usando chapéus de palha contra o calor estendiam-se em colchões atrás das barricadas trocando insultos com os guarda-civis defensores. Duas vezes por dia, havia um cessar-fogo tacitamente acordado, quando um mendigo cego percorria a Calle de Cármen entre as linhas de fogo.


Antony Beevor, in A Guerra Civil de Espanha

© Bertrand
tradução de José Espadeiro Martins


Publicado por dolphin.s em 11:02 PM | Comentários (2)