abril 27, 2006

Um mal nunca vem só!




Um mal nunca vem só!


Publicado por dolphin.s em 07:43 PM | Comentários (9)

abril 25, 2006

Harvey Pekar

the name

Publicado por dolphin.s em 10:52 AM | Comentários (5)

abril 24, 2006

Tem na maneira de olhar

Tem na maneira de olhar
Aquela dúbia certeza
De quem pretende fixar-se
Numa doce realidade...

E o seu vulto quando passa,
Parece deixar no espaço,
A graça de uma saudade!

Há no seu riso -
Uma nota
Que lembra um laivo de sombra
Nessa beleza tão séria
Onde tudo quanto é belo
Desgraçadamente existe.

Ah!, meus amigos, a vida!...

- Falei de amor, pus-me triste.

António Botto

Publicado por dolphin.s em 04:45 PM | Comentários (0)

abril 13, 2006

Oh, I Know


Samuel BeckettI too shall cease and be as when I was not yet, only all over instead of in store. That makes me happy, often now my murmur falters and dies and I weep for happiness as I go along and for love of this old earth

that has carried me so long and whose uncomplainingness will soon be mine. Just under the surface I shall be, all together at first, then separate, and drift through all the earth and perhaps in the end through a cliff into the sea, something of me.

A ton of worms in an acre, that is a wonderful thought,
a ton of worms, I believe it.


in an Abandoned Work, Samuel Beckett


Publicado por dolphin.s em 06:21 PM | Comentários (7)

abril 12, 2006

Bite me!


Publicado por dolphin.s em 08:18 PM | Comentários (0)

abril 09, 2006

Silêncio!

Jazz....

Jazz


Jazz

Publicado por dolphin.s em 09:06 PM | Comentários (8)

abril 08, 2006

Só para dizer

que apanhei mais uma


Life On Mars

It's a god-awful small affair
To the girl with the mousy hair
But her mummy is yelling "No"
And her daddy has told her to go
But her friend is nowhere to be seen
Now she walks through her sunken dream
To the seat with the clearest view
And she's hooked to the silver screen
But the film is a saddening bore
For she's lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools
As they ask her to focus on

Sailors fighting in the dance hall
Oh man! Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the Lawman
Beating up the wrong guy
Oh man! Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

It's on Amerikas tortured brow
That Mickey Mouse has grown up a cow
Now the workers have struck for fame
'Cause Lennon's on sale again
See the mice in their million hordes
From Ibeza to the Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds
To my mother, my dog, and clowns
But the film is a saddening bore
'Cause I wrote it ten times or more
It's about to be writ again
As I ask you to focus on

Sailors fighting in the dance hall
Oh man! Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the Lawman
Beating up the wrong guy
Oh man! Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

David Bowie






Publicado por dolphin.s em 11:13 AM | Comentários (6)

abril 07, 2006

A um passo da ruína

Nunca mais esquecerei, por exemplo, uma récita na Ópera naqueles dias de extrema penúria. Avançava-se às apalpadelas pelas ruas quase escuras, porque a iluminação teve de ser reduzida devido à falta de carvão; pagava-se o lugar na geral com um maço de notas de banco que noutros tempos teria chegado para uma assinatura anual num camarote de luxo. Ficava-se com o casaco vestido, porque a sala não era aquecida, e cada espectador encostava-se ao vizinho do lado para se aquecer; e como era triste, como era cinzenta aquela sala que já cintilara com uniformes e com trajos dispendiosos! Ninguém sabia se seria possível continuar com as representações na semana seguinte, caso a desvalorização do dinheiro se mantivesse e as remessas de carvão viessem a ser suspensas uma só semana que fosse; tudo era duplo desespero naquela casa do luxo e da pompa imperial. Os músicos da Orquestra Filarmónica ocupavam o seu lugar frente à estante de música, também eles sombras cinzentas nos seus fraques velhos e gastos, enfraquecidos e extenuados por todas as privações, e nós próprios fantasmas também naquela casa agora tornada fantasmagórica. Mas então o maestro erguia a batuta, a cortina abria-se e tudo era tão magnífico como nunca. Cada cantor, cada músico dava o mais que podia, pois todos sentiam que talvez fosse aquela a última vez que se encontravam na amada sala. E nós escutávamos de ouvidos bem alerta, mais receptivos do que nunca, pois talvez fosse aquela a última vez. E assim íamos vivendo todos nós, milhares, centenas de milhar; cada um de nós deu o máximo das suas energias naquelas semanas, naqueles meses, naqueles anos, a um passo da ruína. Nunca como então senti num povo e em mim próprio uma tão grande vontade de viver, numa altura em que estava em jogo aquilo que nos restava: a existência, a sobrevivência.

Stefan Zweig in O Mundo de Ontem, Recordações de um Europeu

tradução de Gabriela Fragoso
© Assírio & Alvim

Publicado por dolphin.s em 03:57 PM | Comentários (1)

abril 05, 2006

As nossas infelicidades

ao fim e ao cabo e em alguma medida, por infinitesimal que fosse, todos trazíamos as nossas próprias desgraças, ou as forjávamos, ou nos prestávamos as padecê-las, ou consentíamos talvez nelas. «A infelicidade inventa-se», cito às vezes com o pensamento.



Javier Marías in O teu rosto amanhã

tradução de J. Teixeira de Aguilar
© Publicações D. Quixote

Publicado por dolphin.s em 10:35 AM | Comentários (4)

abril 01, 2006

Sem pensar duas vezes

As pessoas vão e contam irremediavelmente e contam tudo cedo ou mais tarde, o interessante e o fútil, o privado e o público, o íntimo e o supérfluo. O que deveria permanecer oculto e o que tem de ser difundido, a mágoa e as alegrias e o ressentimento, os agravos e a adoração e os planos para a vingança, o que nos orgulha e o que nos envergonha, o que parecia um segredo e o que pedia sê-lo, o consabido e o inconfessável e o horroroso e o manifesto, o substancial - o enamoramento - e o insignificante - o enamoramento. Sem pensar duas vezes. As pessoas relatam sem cessar e narram sem sequer se darem conta do que estão a fazer, dos incontroláveis mecanismos de insídia, equívoco e caos que põem em movimento e que se podem tornar funestos, falam sem parar dos outros e de si mesmas, e também dos outros ao falarem de si mesmas e também de si mesmas ao falarem dos outros. Esse contar constante é percebido às vezes como uma transacção, embora se disfarce sempre com êxito de dádiva (porque em todas as ocasiões tem alguma coisa disso), e seja antes amiudadas vezes um suborno, ou a liquidação de alguma dívida, ou uma maldição que se lança a um destinatário concreto ou talvez ao acaso para que este construa estouvadamente fortuna ou desgraça, ou a moeda que compra relações sociais e favores e confiança e até amizades, e evidentemente sexo.

at the end of the day...

photo@

Javier Marías in O teu rosto amanhã

tradução de J. Teixeira de Aguilar
© Publicações D. Quixote

Publicado por dolphin.s em 12:06 PM | Comentários (2)