junho 30, 2003

Os «Reformadores» da Humanidade

Nietzsche

Em todos os tempos se quis «reformar» os homens: a isto, acima de tudo, se chamou moral. Mas, sob a mesma palavra, está oculta a tendência mais oposta. Tanto a domação da besta-homem como a educação de um determinado género-homem recebeu o nome de «melhora»; mas estes termini zoológicos exprimem realidades - realidades, é certo, acerca das quais o «melhorador» típico, o sacerdote, nada sabe - nada quer saber... Chamar «melhoramento» à domesticação de um animal é, para os nossos ouvidos, quase uma piada. Quem conhece o que acontece nas ménageries duvida que o animal «melhore». Debilita-se, isso sim; torna-se menos pernicioso, torna-se um animal doente em virtude da emoção depressiva do medo, pela dor, pelas feridas, pela fome. - As coisas não se passam de modo diverso com o homem domado, que o sacerdote «aperfeiçoou». Na alta Idade Média, em que a Igreja era efectivamente, acima de tudo, uma ménagerie, dava-se caça de preferência aos mais belos exemplares da «besta loira» - «melhoravam-se», por exemplo, os germanos nobres. Mas, qual era, depois, o aspecto de um tal germano «melhorado», encerrado num claustro? O de uma caricatura de homem, de um aborto: tornara-se «pecador», fechava-se numa jaula, estava aferrolhado entre ideias terríveis... Ali jazia ele, doente, triste, malévolo para consigo mesmo; cheio de ódio contra os instintos da vida, cheio de suspeita contra tudo o que ainda era forte e feliz. Em suma, um «cristão»... Em termos fisiológicos: na luta contra a besta, pô-la doente pode ser o único meio de a enfraquecer. Bem o compreendeu a Igreja; estropeou o homem, debilitou-o - mas pretendeu tê-lo «melhorado»...

in Crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche

Publicado por dolphin.s em 02:11 PM | Comentários (0)

junho 24, 2003

"4.48 Psychosis"

Sarah Kane
- At 4.48
   when sanity visits
   for one hour and twelve minutes I am in my right mind.
   When it has passed I shall be gone again,
   a fragmented puppet, a grotesque fool.
   Now I am here I can see myself
   but when I am charmed by vile delusions of happiness,
   the foul magic of this engine of sorcery,
   I cannot touch my essential self.

   Why do you believe then and not now?

   Remember the light and believe the light.
   Nothing matters more.
   Stop judging by appearances and make a right judgment.

- It's all right. You will get better.

- Your disbelief cures nothing.

   Look away from me.


Sarah Kane

Publicado por dolphin.s em 01:51 PM | Comentários (0)

Como Tú

Como Tú

Leon Felipe


Así es mi vida, mi vida, piedra, como tú

Como tú
piedra pequeña, como tú
piedra ligera, como tú
Como tú
canto que ruedas, como tú
por las veredas, como tú

Como tú
guijarro humilde, como tú
de las carreteras, como tú

Como tú
piedra pequeña, como tú
como tú
guijarro humilde, como tú

Como tú
que en días de tormenta, como tú
te hundes en la tierra, como tú

Como tú
y luego centelleas, como tú
bajo los cascos, bajo las ruedas, como tú

Como tú
piedra pequeña, como tú
como tú
guijarro humilde, como tú

Como tú
que no sirves para ser ni piedra, como tú
ni piedra de una lonja, como tú
ni piedra de un palacio
ni piedra de una iglesia
ni piedra de una audiencia, como tú

Como tú
piedra aventurera, como tú
que tal vez estas hecha, como tú

Como tú
solo para una honda, como tú
piedra pequeña, como tú

Publicado por jm em 01:06 PM | Comentários (0)

Salauds!

Salaud, nome violentamente injurioso, aplicado por Sartre aos indivíduos que, segundo ele, pretendem escapar à angústia de serem totalmente livres, adoptando uma atitude mentirosa em relação a outrem ou a si próprios.

Publicado por dolphin.s em 01:06 PM | Comentários (1)

A Galopar

A Galopar

Rafael Alberti

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras,
Galopa, caballo cuatralbo, jinete del pueblo, al sol y a la luna.

¡ A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !
A corazòn suenan, resuenan, resuenan
las tierras de España, en las herraduras.

Galopa, jinete del pueblo,
caballo de espuma
¡ A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !

Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
que es nadie la muerte si va en tu montura.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo
que la tierra es tuya.

¡ A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar !

Publicado por jm em 12:41 PM | Comentários (2)