novembro 02, 2004

Other people

Philip RothYou fight your superficiality, your shallowness, so as to try to come at people without unreal expectations, without an overload of bias or hope or arrogance, as untanklike as you can be, sans cannon and machine guns and steel plating half a foot thick; you come at them unmenacingly on your own ten toes instead of tearing up the turf with your caterpillar treads, take them on with an open mind, as equals, man to man, as we used to say, and yet you never fail to get them wrong. You might as well have the brain of a tank. You get them wrong before you meet them, while you're anticipating meeting them; you get them wrong while you're with mem; and then you go home to tell somebody else about the meeting and you get them all wrong again. Since the same generally goes for them with you, the whole thing is really a dazzling illusion empty of all perception, an astonishing farce of misperception. And yet what are we to do about this terribly significant business of other people, which gets bled of the significance we mink it has and takes on instead a significance that is ludicrous, so ill-equipped are we all to envision one another's interior workings and invisible aims? Is everyone to go off and lock the door and sit secluded tike the lonely writers do, in a soundproof cell, summoning people out of words and then proposing that these word people are closer to the real thing than the real people that we mangle with our ignorance every day? The fact remains that getting people right is not what living is all about anyway. It's getting them wrong mat is living, getting mem wrong and wrong and wrong and then, on careful reconsideration, getting mem wrong again. That's how we know we're alive: we're wrong. Maybe the best thing would be to forget being right or wrong about people and just go along for the ride. But if you can do that—well, lucky you.


Philip Roth, in American Pastoral


Publicado por dolphin.s em novembro 2, 2004 11:02 AM
Comentários

esta última parte "and just go along for the ride. But if you can do that—well, lucky you.", de certa forma - observando a real possibilidade de "go along for the ride" e da dificuldade de sair do círculo wrong/right, faz-me lembrar Sempé numa das susa "tiradas":

"a cultura! a cultura...
em determinado momento, disse a mim próprio: «viver a vida, caramba!»
então escrevi um livro..."

Dito por: margarete no dia 2 de novembro 2004, às 12h34

:)

Dito por: dolphin.s no dia 2 de novembro 2004, às 14h33

A-ah! American Pastoral!
:-)

Dito por: Paulo no dia 3 de novembro 2004, às 12h45

ehehehehe

sim, a culpa é tua!!! até dei um salto qdo vi o tamanho do livro que me puseram nas mãos!!! :P

Dito por: dolphin.s no dia 3 de novembro 2004, às 15h14

sinto-me sempre humilde perante roth. não sei, mas é difícil sentir-me assim com mais alguém.
beijinho, dolphin

Dito por: fernando esteves pinto no dia 3 de novembro 2004, às 17h12

olá Fernando!
jinhos :)

Dito por: dolphin.s no dia 3 de novembro 2004, às 19h22

Adivinha qual foi o excerto da American Pastoral que o JPP postou hoje no Abrupto... Ele há coincidências! (yeah, right...)

Dito por: Paulo no dia 5 de novembro 2004, às 16h48

yeah... ;) coincidências...

Dito por: jm no dia 5 de novembro 2004, às 22h11

as delicadezas de um copy/paste....

I wonder, se o blogue fosse outro, digamos, mais "notado" ou "notável" se faltaria a cortesia de um link...

pelo visto a ética, ou a correcção, serve a ocasião.

Dito por: dolphin.s no dia 5 de novembro 2004, às 22h24


Pegas no Roth, e logo em inglês ! :) Boa ! Estou certo que vais adorar. ;)

Dito por: pns no dia 10 de novembro 2004, às 18h37


eh! agora é que eu vi. o excerto de Roth que está no Abrupto de 5 de Novembro é EXACTAMENTE igual ao que puseste aqui.

não consigo perceber, por que raio, e o que é que custava ao homem fazer uma referência.

estou mesmo muito triste com isto :( :(

Dito por: pns no dia 10 de novembro 2004, às 18h47

o link nem é importante, a delicadeza de um mail seria mais do que suficiente.... enfim.... what to say?....

Dito por: dolphin.s no dia 10 de novembro 2004, às 19h50

além do original ser MUITO mais barato do que as edições traduzidas, entras directamente no universo do escritor, sem intermediários ;)

Dito por: dolphin.s no dia 10 de novembro 2004, às 19h52

"além do original ser MUITO mais barato do que as edições traduzidas, entras directamente no universo do escritor, sem intermediários ;)"

pois... what can I say ? que me deveria deixar de preguiças e começar a mergulhar um pouco mais noutras línguas. Cada vez percebo mais o tanto que se perde nas traduções - ingenuamente, até há pouco tempo, pensava que não era muito. Olha, nem é preciso ir mais longe - só esse excerto mostra-me um Roth mais profundo que aquele que li na tradução portuguesa da Pastoral...

Dito por: pns no dia 10 de novembro 2004, às 21h01

é que é só falta de hábito, sabes? depois de começares, o difícil é agarrar numa tradução, só pq já o tens em casa e n queres gastar dinheiro no original :/
estou assim com o Faulkner... tenho 2 dele traduzidos e n me apetece pegar neles e saber o que estou a perder...

Dito por: dolphin.s no dia 10 de novembro 2004, às 21h58

Já o acabaste?
Só queria perguntar se é ou não é uma das coisas mais abalroantes que já leste?...

Dito por: Paulo no dia 11 de novembro 2004, às 01h03

ainda não!
falta-me +/- umas 100 páginas.

fico a pensar na reacção de um americano a ler aquilo... e quanto terá vendido por lá...
ou então, grande parte lê-o apenas como uma tragédia grega de coitadinhos que não merecem vs maus...

é muito bom! é um retrato muito bem feito da nossa sociedade... até aquilo em que a Merry se torna... é tão, tão hoje!!

Dito por: dolphin.s no dia 11 de novembro 2004, às 10h35