Imagine-se: o casino era o sítio que estava na moda, e o facto de uma pessoa ser ali admitida constituía a prova de pertencer à elite mundana e rica da cidade. O fascínio que nele exercia a incrível estupidez daquela multidão acabava por o fazer acreditar numa ficção mórbida: aquilo não podia ser verdade. Ainda por cima, todas aquelas pessoas eram intoleravelmente feias; tinham uma espécie de fealdade definitiva e sem remédio que nenhum clarão de pensamento altruísta atenuaria. Nem sequer se divertiam; estavam para ali colados ao papel que deviam desempenhar, incrustados na lúgubre comédia que acontecia sem eles saberem. Que a humanidade era feia, disso estava Heikal convencido desde sempre; mas tocava as raias da provocação que o fosse tanto.
Albert Cossery, in A Violência e o Escârnio
Caro amigo,
Sei que é fã da Sarah Kane e que tem especial gosto por 4.48 Psicose.
Gostaria de saber se podes me informar onde consigo este texto na íntegra, se está disponível na internet.
Grande abraço,
Glayton Robert
Blumenau/SC/Brasil
Tenho que ler esse livro, tenho mesmo que ler - já está lá em casa, em Agosto não escapa.
É reconfortante ler as imagens da sociedade que Cossery lucidamente apresenta.
Dito por: Paulo Silva no dia 19 de julho 2004, às 18h52Olá Glayton
Que eu saiba, os textos de Sarah Kane não se encontram disponíves na net.
Podes encontrar na amazon - Sarah Kane: Complete Plays as peças completas, em inglês.
Cossery é Cossery, Paulo... sabes que por mim, vale sempre a pena lê-lo ;P
Dito por: dolphin.s no dia 19 de julho 2004, às 20h19!!!!!!!!!!!!!!!!!
Dito por: Alihyth no dia 20 de julho 2004, às 09h42o k se qquebra com uma simples palavra?
Dito por: ana joão no dia 20 de julho 2004, às 14h49a fealdade da humanidade não é, com certeza ;)
Dito por: dolphin.s no dia 20 de julho 2004, às 14h52