— Es muito jovem, comentou ele. Querias defender a causa do povo, não é verdade? E foste parar à cadeia.
Não era uma pergunta, era uma simples evidência. Quem quer que defendesse a causa do povo acabava na prisão.
— Naturalmente, respondeu Karim. Mas não o lamento. No fim de contas foi na prisão que me vi efectivamente ligado ao povo. Numa fábrica, como sabes, uma pessoa trabalha como uma besta de carga, sem nunca ter tempo para falar com os companheiros. De resto, as conversas referem-se todas ao trabalho, ao salário de miséria ou à doença que semeia o desastre nas famílias. Só se fala de assuntos penosos. Ao passo que na cadeia a gente dispõe de ócios, conversa pelo prazer de travar conhecimento. É curioso, mas uma prisão é menos sinistra do que qualquer local de trabalho. Sabes uma coisa? Antes de ir parar à cadeia, eu julgava que o povo era por natureza bisonho e só se comprazia no drama. Não sabia que era tão espirituoso, que tinha tanto humor. Só na prisão descobri, de repente, esta verdade fundamental do nosso povo. E também que todas as minhas ideias a seu respeito eram falsas.
Como todo o intelectual digno deste nome, Urfi também combatera, na juventude, pela causa do povo. No entanto, o seu ar apagado, a timidez e o receio de dar nas vistas tinham-no subtraído à atenção duma polícia mais preocupada com as aparências dos revolucionários do que com o seu real fervor pela revolução. Por isso não tinha estado na cadeia. A experiência de Karim, por conseguinte, poderia informá-lo de factos que ignorava. Com a curiosidade estimulada, acentuou a pressão que a sua mão exercia no ombro de Karim, como a animá-lo a prosseguir o relato.
— Conta-me lá isso.
— É simples, prosseguiu Karim, eu via o povo tal como desejava vê-lo, ou seja, cheio de ódio e a sonhar com a vingança. E eu, é claro, queria ajudá-lo nessa vingança. Julgava-o submetido à opressão, e dei-me conta de que ele era mais livre do que eu. Nem podes imaginar a mofa de que fui alvo, quando quis explicar-lhes que estava preso por causa das minhas ideias políticas. Foi um desastre, achavam que eu era um pobre diabo, um atrasado mental. Eu a pensar que bastava declarar-lhes a minha condição de revolucionário, de inimigo declarado do governo, para lhes inspirar respeito pela minha pessoa, e eles a reagirem daquela maneira! Que presunção a minha! O governo, para eles, era desde há muito tempo motivo de escárnio. E eu, com toda a minha inteligência, tinha levado o governo a sério. Senti-me um idiota chapado, com os meus ares de mártir da classe operária. Lá na cadeia era o único que levava a sério o governo.
Albert Cossery, in A Violência e o Escârnio
PORTUGALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!
EU ACREDITEI EM TI!! NUNCA DUVIDEI!!
são muitos engraçados os nacionalismos bacocos que se revelam nestas alturas.
Dito por: dolphin.s no dia 25 de junho 2004, às 12h20bacocos... k é ixo? 0_o?
Dito por: Iris no dia 25 de junho 2004, às 12h25bacoco
adj. e s. m.
(pop.) indivíduo ou designativo de indivíduo pouco atilado;
pacóvio;
ingénuo.
(De orig. obsc.)
Dito por: dolphin.s no dia 25 de junho 2004, às 12h31tanta piada k xkeci-me de rir!!
apesar de nao ser portuguesa, eu acredito que portugal possa chegar ás finais e ganhar, em relação a isso, eu nao tenho dúvidas! venceu a inglaterra no euro passado, era de imaginar que vencesse este ano também!!
EU ACREDITO SIM! CADA UM ACREDITA NO QUE QUER, CERTO?
ENTÃO, DEIXA-ME NA MINHA EUFORIA!!
tanta piada k xkeci-me de rir!!
apesar de nao ser portuguesa, eu acredito que portugal possa chegar ás finais e ganhar, em relação a isso, eu nao tenho dúvidas! venceu a inglaterra no euro passado, era de imaginar que vencesse este ano também!!
EU ACREDITO SIM! CADA UM ACREDITA NO QUE QUER, CERTO?
ENTÃO, DEIXA-ME NA MINHA EUFORIA!!
é isso mesmo!!
FORÇA PORTUGAL!!
tem graça tem... tem mesmo muita graça. tanta como o facto de não saberes escrever.
mas o que tinha mais graça do que eu deixar-te com a tua euforia, era tu não vires despejá-la para cima dos outros.
eu tb vi o jogo e eu tb gostei do jogo. a euforia nacionalista à volta do futebol é que é perfeitamente idiota e desnecessária e apenas um sintoma de que esta gente não tem realmente mais nada para viver para além do futebol e da religião.
quem aqui é que não sabe escrever?
aqui, abrevia-se!
queridas nacionalistas: criem uma páginazinha vossa (se para tal tiverem capacidade) com um altarzinho a cada jogador e bandeiras chinesas, tá?
Dito por: dolphin.s no dia 25 de junho 2004, às 12h49vá, acalmem-se!!
Dito por: Maura no dia 25 de junho 2004, às 12h50nao era mal pensado!! mas também nao somos fanáticos como os ingleses! simplesmente estamos a dar os parabéns a portugal! há algum mal nisso?
Dito por: Iris no dia 25 de junho 2004, às 12h52nenhum. mas pelo visto eu tenho que ser obrigada a fazer o mesmo ou a concordar?
o nacionalismo teria algum valor se se virasse para coisas como esta:
Instituto da Conservação da Natureza na Penúria
mas não, é para o futebol que isso é que é importante e mantem o povinho alegre e contente!!!
viva portugal!
Dito por: dolphin.s no dia 25 de junho 2004, às 13h13Escolheram aleatoriamente o post do Cossery, para comentar os desígnios de uma nação, ou foi uma coisa pensada?
É que teve muita piada.
estas não sabem quem é o Cossery. estas são as amigas do Governador ;)
Dito por: dolphin.s no dia 27 de junho 2004, às 12h01e tu és o governador!
Dito por: maura no dia 29 de junho 2004, às 21h01acaso sabes do que estás a falar? :DDDDDDD
Dito por: dolphin.s no dia 29 de junho 2004, às 21h31