estes campos, vendo bem, a estrada cobre-os
de pó e, quem vá sentar-se na erva, tem de fugir de lá.
Entre as encostas há sempre uma vinha que agracia mais que as outras:
chegará o dia em que o mecânico desposa a vinha que lhe agrada
mais a rapariga, e sairá para o sol,
mas para cavar, e voltará com o pescoço todo negro
e beberá do seu vinho, prensado nas noites de Outono na adega.
Também de noite passam carros, mas silenciosos,
tanto que ao bêbado no fosso não o despertaram.
De noite não levantam poeira e a luz dos faróis
revela plenamente o cartaz no prado, na curva.
Ao romper do dia passam com cuidado e não se ouve um rumor,
a não ser da brisa que passa, e chegados lá cima
diluem-se na planura mergulhando na escuridão.
Cesare Pavese, in Trabalhar Cansa
Estes campos, vendo bem, também por cá foram fertilizados com o mesmo composto de progresso bruto e cego - ou pior, da sua imitação.
Estes campos, vendo bem, o desprezo cobre-os e quem na hora do remorso os quiser fruir terá de pagar conforme a sua bolsa por uma representação mais ou menos "desenrascada" de um prazer que deixa de ser natural.
O progresso não hesita e raramente se engana...
Para controvérsia curiosa em torno de "desenrascanço", veja na wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Desenrascan%E7o, e
http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Votes_for_deletion#Desenrascan.E7o.
Desculpe esta lateralização.
Continuas de parabéns, meu dilecto weblog.
Dito por: José no dia 4 de junho 2004, às 08h25já li sobre essa controvérsia, em outro antro....
o progresso engana-se mtas vezes ;)
brigada José :)