Mas esta guerra, como todas as outras, ainda não é a verdade final do homem, ainda não é um elemento capaz de excluir por completo a possibilidade de mentira; a última guerra, a verdadeira, a que se afastará desta imitação, será aquela em que cada um combaterá todos os outros, em que cada homem será o início e o fim do seu exército; a guerra verdadeira, a guerra exacta, a guerra que demonstrará finalmente o que é um indivíduo, essa guerra, que ainda não veio, que jamais se viu em qualquer ponto, mas que virá, estou certo, essa guerra é aquela onde quaisquer dois corpos que se aproximem o farão por ódio. Toda a aproximação será para matar, ou ainda não estaremos perante verdadeiros Homens.
Gonçalo M. Tavares, in A máquina de Joseph Walser
mas que verdade mais negra! não sei se descabida de todo, infelizmente!
Dito por: S. M... no dia 8 de maio 2004, às 00h22Pode ser negra, mas penso que não é descabida porque é uma verdade filosofica.
Penso que mesmo o amor a outro Ser, não é se não o amor que cada homem tem por si próprio. A amizade, ou simplesmente a tolerência que temos pelos outros, é sempre interesseira: para ganharmos o bem, ou pelo menos para que não nos façam o mal.
Não temos consciência disso no dia a dia, mas ponham-nos perante uma situação extrema, fechados em 2 metros quadrados com outra pessoa, por exemplo, para vermos o quanto em pouco tempo a sua presença nos incomóda. E perente uma situação extrema, se tivermos que escolher entre a nossa vida, ou entre o nosso bem estar mínimo e o de outra pessoa, não hesitaremos em lutar pelos nossos interesses custe o que custar ao outro. Poucas situações episódicas serão excepção, como já nos estaremos a lembrar, como o sacrificio de uma mãe por um filho ou de 2 pessoas apaixonadas, mas mesmo estas eu diria que acontecem por engano dos próprios!