Clementina e Léon eram vítimas do preconceito segundo o qual dependiam um do outro quanto às suas paixões, aos seus caracteres, aos seus destinos e às suas acções. Na realidade, quase toda a existência é feita naturalmente, não de acções, mas sim de discursos de que assimilamos o ponto de vista, de opiniões e de contra-opiniões correspondentes numa palavra da acumulação impessoal de tudo quanto sabemos ou ouvimos. O destino desses dois esposos dependia quase inteiramente de uma estratificação tenaz, confusa e desordenada dos pensamentos, os quais tinham origem não nas suas opiniões pessoais, mas na opinião pública, e se modificaram ao mesmo tempo que esta sem que eles próprios pudessem defender-se disso. Comparada) a esta espécie de dependência, a sua dependência individual recíproca era uma coisa insignificante, um saldo absurdamente desprezado. Enquanto se persuadiam um ao outro de que tinham uma vida privada, e punham reciprocamente em causa os respectivos caracteres e vontades, a dificuldade sem esperança de tal conflito residia por inteiro na sua irrealidade, dissimulada por eles mesmos sob todas as contrariedades possíveis.
Robert Musil, in O Homem sem Qualidades
às vezes, queria aplicar o meu carácter de ditadora e obrigar toda a gente a conseguir atingir esta cena
arrogante?
quero lá saber.
Inconclusivo
Já distante
Nas conversas de família permanece
Por vezes repara num ou noutro pormenor
Dentro de um todo que lhe é comum...
Sufoca angustiado
Próximo aos que exangues restam