Alucinado, orfão de amores, pus fogo à casa, rufei tambores. Os
cães rosnando, a dor também, não tive medo de ir mais além. O
peito arde, ardem cidades, veias do mundo na tempestade. Antes
assim. Visito a morte: passa-me a língua no sexo forte, veludo
rubro em carne viva, garganta funda super activa. São ventos de
outra era que me sopram na memória, tornados de quimera que
ficaram na história, são beijos pueris de traições anunciadas, são
fúrias febris, dementes, desesperadas...
Mão Morta, in Nus
[Adolfo Luxúria Canibal / António Rafael]