abril 09, 2004

Névoa

A morte
em flor
dos camponeses
tão chegados à terra
que são folhas
e ervas de nada
passa no vento
e eu julgo ouvir
ao longe
nos recessos da névoa
os animais feridos
do Início.


Carlos Oliveira, in antologia poética, Ed. Quasi

Publicado por jm em abril 9, 2004 03:52 PM
Comentários

Contemplo o imaginário
denuncio com espanto
estas sílabas de delírio
estes sons prontos a ferir
os flancos do silêncio

o gorgolejar de um ribeiro
no declínio da juventude
partilha furtivo o momento

um odor breve
prospera

o silêncio
cresce em segredo na memória
num rigor que soa a eternidade

Luís F. Simões

Nota: só vive da arte quem não tem Arte

Dito por: Luís F. Simões no dia 9 de abril 2004, às 19h52

sobre a nota: não percebo o seu contexto lúbrico entre o post e o comentário.

ou, prefiro uma explanação antes da extrapolação.

ou, entre arte e Arte muito haveria de se falar, tal como entre silêncio e Silêncio muito se pode contar.

ou, os poemas reflectem a luz que incida sobre eles. se não houver luz reflectir-se-á a negrura.

Dito por: jm no dia 9 de abril 2004, às 21h41

Quanto à nota: nem eu sei o que quis dizer com aquilo! Bem, se calhar sei... Se o acto de comunicação resultasse há muito que nos tinhamos calado... Mal daquele que tenha a pretensão de abranger um todo com a sua expressividade.
O trabalho dos críticos falha muito, principalmente em poesia... tenho um poema "Intro-extroversão" que começa assim:

também tive um cão
guardo como prova a trela

Ora: o cão não passou de uma namorada que tive e a trela eram todos os adereços que havia recebido (um anel, etc.); o que não deixa de fazer recair a "coisa" no Pavlov! Metáforas são metáforas..:) qualquer hora deixo o poema...

O desejo de uma excelente continuação aos que vos visitam e, claro, a vocês.

Dito por: Luís F. Simões no dia 10 de abril 2004, às 13h06

dois versos que se bastam. obrigado pelo sorriso :)

ah! e penso que ambos sabemos o que queria dizer "aquilo" ;)

bom resto de dia.

Dito por: jm no dia 10 de abril 2004, às 13h12

Muito bem... se sabemos já não ouso dizer que sei - pela Pluralidade!

Um Abraço

Dito por: Luís F Simões no dia 10 de abril 2004, às 14h13