março 19, 2004

tudo desde sempre

mas quando ali não estás a paisagem vaga
pelo som dos rebanhos dirias que dormindo talvez assim
os peixes buscando comida e eu não sou capaz
de guardar esse segredo mais uma noite a cada instante
serás sempre mais uma ausência com vontade de
mentir à distância de um grito pareces tão perto de mim
e como salvar deste incêndio aquela nossa fotografia
olhando as árvores sou capaz de recordar
as tuas mãos esquecidas sobre o poema
ao sentido da casa neste sentimento
imóvel silêncio embrulhado em papel de chocolate
urn copo de água se houver estrelas atravessando
as paredes do quarto choro baixinho rio choro e tu
tu tens que te lembrar


Joaquim Cardoso Dias, in O Preço das Casas

Publicado por jm em março 19, 2004 11:53 AM
Comentários

vi-a quando mediu o mar
ou a gradual falta de terra:

uniu-se com a maré
que se desinibe desde que a última hora se vá
embora.

Dito por: josephK no dia 20 de março 2004, às 03h12

Belíssimo.

Dito por: Lídia no dia 20 de março 2004, às 14h34

gostei muito..faz-me lembrar algo com qual tento combater constantemente ;) jinhos

Dito por: sophiee no dia 20 de março 2004, às 15h44

Ouço tanto, vejo tanto...é bom?

Dito por: Helena Freitas no dia 20 de março 2004, às 17h31