fevereiro 20, 2004

O guerreiro

Belo prefácio de Giono nos Carnets de Moleskine.
«Quando não se tem coragem suficiente para se ser pacifista é-se guerreiro. O pacifista está sempre só.
O guerreiro tem a certeza de estar de acordo com a maioria. Se é uma questão de maioria, pode estar tranquilo, faz parte dela... Se tem necessidade de grandeza, como toda a gente, é no trivial que lhe é reconhecida uma grandeza 'à sua medida'. Tudo está preparado para ele à partida. Se um homem teme ser um dia obrigado a ultrapassar o homem, que deixe de temer e que se torne guerreiro, ou, mais simplesmente ainda, que não se preocupe, que se deixe conduzir, pois colocá-lo-ão no serviço de guerreiros... todo o jogo da guerra se apoia na fraqueza do guerreiro... O simples soldado: nem bom nem mau, alistado nela porque não é contra. Sofrerá, com toda a normalidade, a sorte dos guerreiros até ao dia em que, como o herói de Faulkner, descobrir que 'qualquer pessoa pode cair inadvertidamente, cegamente, no herísmo, como se cai numa abertura de esgoto, escancarada no meio do passeio'... É absurdo sustentar que um exército, constituido por milhões de homens, é a personificação da coragem: é a conclusão da facilidade.»


Jean-Paul Sartre, in Cadernos de Guerra

Publicado por dolphin.s em fevereiro 20, 2004 02:33 PM
Comentários

Com tantas pessoas a quererem ser originais, até é um pouco estranho existirem tão poucos pacifistas...

Dito por: Vânia no dia 20 de fevereiro 2004, às 14h50

Essa passagem é simplesmente magistral.

A objectivação pela acção de conquista, que nos está nos genes do instinto de sobrevivência, conjugada com dezenas de milhares de anos de instinto tribal de homem da pré-história - uma pequena achega que ajuda a explicar porque é que o homem cai tão facilmente no ralo do esgoto da facilidade da guerra - está-lhe nos genes !!!

Dito por: Paulo Silva no dia 20 de fevereiro 2004, às 18h13

É muito mais fácil ser-se corajoso quando se está numa situação de superioridade que o contrário

Dito por: Tales da Gardunha no dia 20 de fevereiro 2004, às 23h16

Belo texto d.

Obrigada...a vc e a Jean-Paul Sartre!!!


Boa noite!

Dito por: Polis no dia 20 de fevereiro 2004, às 23h46

Constroem-se muros com milhares de tijolos. Muros não têm olhos... São blocos que combatem a luz do sol.

Beijo

Graça.

Dito por: Graça Carpes no dia 21 de fevereiro 2004, às 14h15