Depois de todas as negações, depois da falência de todas as formas de uma pacificação, o homem descobre enfim que está só. Todos os brinquedos da nossa infância milenar jazem por terra com as tripas mecânicas de fora, e depois do prazer com que os desventrámos, olhamos, aterrados, por não termos mais brinquedos para desventrar... As horas ressoam no céu deserto onde só o silêncio responde ao nosso pobre pavor.
Vergílio Ferreira, in Carta ao Futuro
Publicado por dolphin.s em fevereiro 10, 2004 10:42 AMbom dia!
uma tristeza funda, uma sensação de abandono, neste texto -
depois e para além de tudo, sempre estamos sós, dolphin?
pois. se calha, estamos. e depois? é suposto nos zangarmos? é suposto nos revoltarmos? é suposto evitar a possibilidade de não estarmos sós? pois. há dias, sim, que sei estarmos, cada um, sós. pois. há dias, sim, que sei, sermos um pequeno ser comum. e depois? e depois? estamos sós. e agora?
não. não vou aí buscar as certezas. estou lá, às vezes. não fico. chego. reconheço. vou.
noção de aknowledgement. (desculpem ser em inglês, faz-me mais sentido) mas tb noção de dinâmica.
enfim, já sabem... se não fui explícita, tentarei reformular o texto
bomdia! jinho a todos,
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Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 11h43é que... há dias para mim em que não faz mm sentido esta nossa ocidental fixação de nos deprimirmos com a efemeridade da vida. há dias em que viajo no meu pensamento para outros mundos e deixa de fazer sentido a perca de tempo a perder a vida dentro de angustias sempre inventáveis. e chegar ao fim do dia e lembrar-me que perdi o sol e a lua não veio. para voltar a esquecer de novo no dia seguinte.
há dias em que, pela fome, não faz sentido. há dias em que tudo faz sentido menos desdenhar.
(não li carta ao futuro...)
Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 11h48o livro, claro! o post sim
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Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 11h48e é suposto aceitarmos? é suposto nunca nos revoltarmos? é suposto ir sempre em frente como quem não quer a coisa à espera de milagres que não existem?
(olá Margarete!)
Dito por: margem no dia 10 de fevereiro 2004, às 11h52não. eu acho,... hoje, agora, loguito talvez mude de ideias, gosto dessa possiblidade.
eu acho que...
er... quero explicar-te em privado, posso?
para outros: não é um segredo acerca do elixir da vida que eu não queira partilhar convosco... só consigo explicar a minha ideia com exemplos práticos... é o meu neurónio, ele também é mt só!
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Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 11h59fazes sentido sim... muito existêncialista ;)
a consciencialização que somos um ser absoluto, um indivíduo responsável por si mesmo. a consciencialização de que a morte nada mais é do que o fim de um ciclo.... não, não acho que seja deprimente.
É assumir-nos como nós mesmos em vez de um produto de um deus. Parte da humanidade, fruto da natureza. Ser finito.
E no fim, somos/estamos sempre sós.
Assumires-te a ti mesma como ser único e independente, não é uma revolta todos os dias?
As revoltas dependem de nós. As mudanças essênciais são feitas em nós.
eu não falava da efemeridade da vida (sim, somos finitos), mas da vida ela mesma, enquanto dura.
e sim, não faz sentido "deprimirmo-nos" com nada, não é proveitoso - diz o meu lado racional ao outro, que se exaspera tentando entender porque sente o que sente
"a consciencialização que somos um ser absoluto, um indivíduo responsável por si mesmo. a consciencialização de que a morte nada mais é do que o fim de um ciclo.... não, não acho que seja deprimente." eu tb não acho, mas é absolutam,ente ridícula a forma como alguns dos Grandes Autores (vá! chamem-me herege) se tornam tão meninos birrentos ao 'aknowledge' esse facto da vida... a vida ela própria!
"(...)Parte da humanidade, fruto da natureza. Ser finito." isso mm! por isso o meu amor e desejo da proximidade da natureza de andar descalça, sem brinquedos mecânicos, de tripas mecânicas.
"E no fim, somos/estamos sempre sós." pois, nascemos e morremos sós, cada um, único, naquele momento naquele lugar, com aquelas características e outros blá blá como por ex os astros. sim, mas no entretantoch, façamo-nos acompanhar e acompanhemos, se quisermos, se soubermos como tirar proveito... e isso nós sabemos, né d.?
sempre a parecer em desacordo
sempre em sintonia
veizo
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pois margem... se algum dia eu me conseguir entender e deixar de andar em constantes altos e baixos, prometo dizer-te como lá cheguei ;)
muitas vezes até sabemos o porquê de nos sentirmos assim, mas mantemo-lo bem escondido no nosso subconsciente porque ainda não nos sentimos preparados para enfretar aquilo que escondemos de nós mesmos.
Dito por: dolphin.s no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h20"angústias sempre inventáveis"
porque não têm corpo? porque não existem no exterior de nós, não são o sol ou a lua, a casa ou as paredes da casa, as ruas, as pessoas, os gestos diários?
"a consciencialização que somos um ser absoluto, um indivíduo responsável por si mesmo"
e não pode a liberdade tornar-se uma espécie de maldição? um desafio que o desamparo nem sempre consegue suportar?
e aceitarias tu viver sem ela? com todo o peso que a responsabilidade por nós mesmos acarreta?
não seria uma maldição ainda maior?
depois de nos descobrirmos é impossível voltar a ser parte da massa amorfa não-pensante.
Dito por: dolphin.s no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h31as angústias têm corpo, o que queria dizer é que, se quiseres, são infinitramente inventáveis
sim, a liberdade pode tornar-se uma espécia de maldição, eu não quero
o desamparo tem muitas vértices, eu escolho o amparo, nem que seja um fiozinho de teia de aranha
eu nem sei se me descobri nem se não sou massa amorfa
a sério... exprimentar a natureza, ela explica, a sério!
descalçar sapatos e sentir o frio
essas angústias margem, matam (né?) secam, dilaceram
ó
o poder de nos destruirmos... ok.
procuro o sol no meio dessa merda toda.
Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h41creio que ninguém aceitaria viver sem ela, mas pode ser bem perversa - não podemos simplesmente fazer o que nos apetece (partindo do princípio que saberíamos exactamente o que nos apetece). não "acaba a nossa liberdade onde começa a do outro"? não é a liberdade feita de direitos e deveres (se calhar estou cansada dos deveres! ;))
"depois de nos descobrirmos é impossível voltar a ser parte da massa amorfa não-pensante."
verdade. mas é mau descobrirmo-nos um obstáculo ao nosso bem-estar e, principalmente, ao dos outros que fazem parte do nosso universo quotidiano (o tal saber que reside no nosso subconsciente e nos custa enfrentar?)
er... eu não quero a maldição mas, quero e sou livre
Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h42podem avisar o Del Toro que eu sou livre...
;}
Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h42perontuch! lá está a Mss Guilty About Everything!
mas... quem foi que te disse que tu és responsável pelos outros? eu sei... falarás nas margezitas... eu sei...
er... tu, por acaso, tb andas por aí a culpar os outros é?!
ó senhores!
o mundo, la vie, podem ser muito feiosos se realmente nos culparmos da infelicidade dos outros e, na mesma linha, colocarmos a responsabilidade da nossa infelicidade na mão deles!
people!
somos o que escolhemos ser... sei que esta frase não será aceite por vós mas, acreditem é mesmo verdade, e a explicação não se faz em comment de blog por net, repito
somos o que escolhemos ser.
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Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 12h48as margezitas sim, sempre!
a natureza, talvez entenda o que queres dizer, margarete (e claro que me podes responder em privado! paciência a tua *)
"no entretantoch, façamo-nos acompanhar e acompanhemos, se quisermos, se soubermos como tirar proveito... e isso nós sabemos, né d.?"
são vocês uma simpatia**, eu aqui de mau humor, o sol lá fora sorrindo, enfim... inabitabilidades!
LOOOOOOOOOOOOL!!!!
îsso não é mau humor! e lá estás tu... o kê? agora vais-te culpar de trazer mau humor?!
LOOOOOOOOOOOL!!!
batizei-te bem gaija!
tá sol tá
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o privado tem de ser através da d., pelos bastidores, já lá vou...
jinho
as mimosas 'tão lindas!
eu 'tou prá ki assim, mas, nem imaginam... LOOOOOOOL!!! estive a fazer as minhas contas onmtem para os homens maus e devia era estar práki deprimida, enfim!
8} veizos para todos e xis e tudo e tudo!
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Dito por: margarete no dia 10 de fevereiro 2004, às 13h12As vezes sim, solidão.
Sem querer, sem culpa, com vontade de falar, de pedir, de assim nao estar.
As vezes não, solidão.
So escolha, querendo, com culpa, com vontade de calar e de assim mesmo estar.
Solidão que é um misto de saudade e falta...
Quando morre e é so...pra sempre.
Quando eu me calo e é so escolha.
Quando me tapam os ouvidos e é so...condição...
Quando os brinquedos acabam, ha sempre outros...acabam os de plastico, restam os de carne e osso...
A solidão é sempre...mas nao toda ela.
"somos o que escolhemos ser"
claro que sim!!! :)
Dito por: dolphin.s no dia 10 de fevereiro 2004, às 15h23"Mas ela [a mãe] era maior, mais forte e mais inteligente do que ele, não era? Então os crescidos não tinham força? Ser adulto não dava paz? Compreendeu que todos os homens eram assim, que cada pessoa estava sozinha consigo própria."
Ray Bradbury, A Cidade Fantástica
devo dizer que 'tá aqui mta ternura neste excerto jotakapa.
bomdia!!!
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Dito por: margarete no dia 11 de fevereiro 2004, às 08h23esse é o livro que eu não consigo encontrar em lado nenhum :(
Dito por: dolphin.s no dia 11 de fevereiro 2004, às 11h24Adoro Vergílio Ferreira e sua componente existencialista. Este trecho é chocante, arrepiante, mas tão verdadeiro. Obrigado por divulgares ideias assim... *Bjinhos*
Dito por: sibylla no dia 11 de fevereiro 2004, às 19h10"Estamos sós e sem desculpas.É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre" - Jean Paule Sartre
Estamos sós, de certo modo... O homem é dotado de livre arbitrio, portanto, independentemente dos outros, a ultima decisão no que concerne à nossa vida é sempre nossa. Estamos sós mesmo estando acompanhados...
"devo dizer que 'tá aqui mta ternura neste excerto jotakapa"
no excerto sim, e no jk também!
:)***
lá se vai a minha reputação de citrinicidade... ;-)
(dolph, se o encontrar já o encontraste. fear no more!)
he he bomdia!!!!
então?! jotakapa... acerca da tua reputação... citinicidade... é alguma característica relacionada com citrinos?
8P
bomdia!!!
bomdia!!!
Dito por: margarete no dia 12 de fevereiro 2004, às 08h34encontrei??? :))))
Dito por: dolphin.s no dia 12 de fevereiro 2004, às 11h57calma! qd eu o (re)encontrar é teu. capice?
sim, Marge, citrinos...
Dito por: josephK no dia 12 de fevereiro 2004, às 14h09A depressao esta deixando-me sem concentracao, mas gracas a Deus ainda consigo entender desde que as palavras sejam simples assim como a ideia principal. A minha diz que no momento que estou, estou acordando de um pesadelo onde vejo que eu cheguei ao fundo do poco. Mesmo nele (poco) o que chamo de sorte eh que nao deixei de acreditar em Deus e em nenhum momento senti o quanto sofria e nem me lamentei. Para os que veem como eu, eu explico que minha depressao chama-se solidao e que para sair dela eu so preciso continuar acreditando em Deus e gostando do ser humano. Pensem nisso pois o que digo eh humano. A Solidao esta me matando, mas nao por falta de fe. Obs: Sou crista, mas minha religiao eh catolica. Decidi escrever aqui para que as pessoas coloquem na frente seus sentimentos profundos para tentar entender-me e quem conseguir eu espero que entenda que eu nao estou acima de ninguem. Sou apenas um ser humano que esta deixando de acreditar no homem.
Dito por: Sheila no dia 17 de janeiro 2005, às 03h19