A VERDADE ALHEIA, POEMA QUE INCLUI POR NECESSIDADE
o POEMA «À MEMÓRIA DE ANTÓNIO NOBRE E DE CESÁRIO
VERDE», JÁ PUBLICADO EM «MEMÓRIA DESCRITIVA»,
O TODO DEDICADO A JOAQUIM DE ALMEIDA GOMES,
MÉDICO QUE FOI EM TIMOR, AGORA EM ANGOLA OU ALGURES
Começas sempre com o Sartre.
Com o Sartre acabas sempre.
Há no meio um choramingas
que não, mal sabe o que diz.
Eu já estou farto do Sartre
das tuas cartas, ouviste?
O Sartre é o Sartre, apenas,
meu iletrado aprendiz!
Alguém mais que o Sartre, o Sartre.
Não é vómito, apenas,
a náusea, o poço fechado,
caminho de liberdade
em que nada se tem e tudo.
O Sartre é fenomenologia
do espírito: o ser e o nada.
O ser privado de Deus,
privado de Deus, o nada
da tua vida de médico
em que auscultas os doentes
separado por um muro
para depois não ouvires nada.
A tua vida parada,
de braços cruzados, hirto:
vida mais que emparedada,
lembrando o mar infinito
e fechando a porta, em casa a
o céu do teu dia aflito.
Entre densa fumarada,
moscas, insectos, fantasmas,
livros grossos e um testículo
coçado pela mão do Sartre.
Basta pois. Se queres falar
do Sartre, mete-lhe o dente
até onde sentires quente
e osso, ou poeira, ou nada
frente a uma porta fechada,
a tua vida vazia,
quase sempre amargurada.
Ou se queres falar do Sartre,
fala por ele, não impinjas
balas, balidos, baladas
mal lambidas, delambidas
ao deus-dará do capricho
ou da malícia-preguiça
da tua vida de médico
sempre muito ocupada.
Da tua vida de homem
solitário, apesar de...
Prefiro ouvir-te a voz
do meio das tuas cartas.
Voz de pateta, mas voz
de quem vai fazendo vida
e se confessa aos amigos
naturalmente, com voz
de homem, ou de meio homem,
como somos todos nós
os desleixados na vida,
os mentirosos
na vida.
Ruy Cinatti, in Manhã Imensa
ah!! gostaste mesmo :) ainda bem... as melhores cartas são poemas.
Dito por: jm no dia 28 de janeiro 2004, às 22h53Gostei!!! Gostei :)))
E ainda não o li todo :)
Dito por: dolphin.s no dia 29 de janeiro 2004, às 09h51são as nossas vozes fruto e semente.
e o que é verdade e o que é mentira?
Gostava de inventar… palavras
Os inventos são versos
Poemas que tu e eu lês
Todos nós os consumimos
Poucos recordam quem os fez
Fernando Nogueira Gonçalves www.invento.web.pt