Às vezes deixava-me estar sob a chuva a senti-la correr pela cabeça e as mãos, encharcar-me o fato, entrar na carne. Murmurava: é a chuva. Ficava extasiado, louco de dedicação por esta terra feroz e sumptuosa que eu nunca entenderia bem. Depois tudo foi desaparecendo. Uma noite, só, sentado num quarto vazio, subitamente compreendi. Nunca mais deixei de ser inteligente. Você com certeza supõe que sou uma pessoa ferida, extorquida, amarga. Perdi as belas — isso — as belas e afortunadas oportunidades. Oportunidades? Tudo são oportunidades em tamanha ignorância. Ninguém as perde, impossível. Não perdi nada. Sou apenas lúcido. Digo: só, desprovido, crítico, bastante. O mal é bastar-se. Não preciso de ninguém. Nem sequer dos pequenos mitos de mim próprio.
Herberto Helder, in Os Passos em Volta, Brandy
que livro!
Dito por: josephK no dia 20 de janeiro 2004, às 08h43dolphin, e assim vou relendo "Os Passos em Volta"! sempre que aqui nos ofereces um texto, não resisto a ir reler o conto na íntegra! :)
Dito por: margem no dia 20 de janeiro 2004, às 12h38Obrigado. Sabe bem. Não é o livro, sabemos. "...você deve ser daqueles idiotas..."
Dito por: gonçalo no dia 20 de janeiro 2004, às 16h03fazes falta.
e nã voltes a dizer que eu assassinei a canção do cat stevens... tenho uma voz mt linda, issé k tenho!
jinho, linda tu!
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Não eras tu ehehehe
Tava a falar do que ouviste: a Sheryl Crow a assassinar a música :P
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Dito por: margarete no dia 22 de janeiro 2004, às 08h48