Antigamente, quando os meses se contavam à semana, havia um tempo para cada coisa: hoje, falta-nos ao mesmo tempo a realidade do tempo e das coisas. E os sentidos mais directamente práticos são os mais sacrificados: o sabor, o cheiro e o tacto são abolidos em benefício de engodos que traem constantemente a vista e o ouvido. Sendo a utilização de certos sentidos tão maltratada (o melhor, quando se vive numa grande cidade, é mesmo perder o sentido do cheiro...) e a dos restantes sentidos igualmente adulterada, assiste-se a um recuo geral da sensualidade, que acompanha o inusitado recuo da lucidez intelectual; o qual começa logo nos primeiros tempos de vida, com a perda da leitura e da maior parte do vocabulário. Para o eleitor que tem carro e vê televisão, o gosto, seja ele qual for, já não tem a menor importância: é por isso que o podem mandar comer Findus ou votar Fabius, tragar Fabius ou eleger Findus. Na verdade, as suas importantes actividades, a sua passividade cada vez maior, não lhe deixam tempo para adquirir e desenvolver os gostos que nem sequer a própria produção mercantil consegue satisfazer em tempo oportuno: esta maravilhosa adequação entre a ausência do uso e o uso da ausência define bem a actual perda de qualquer critério de valor. E assim voltamos à mais significativa questão do tempo, deste nosso tempo que está em todo o lado e é conquistado para não viver.
Guy Debord, in Enganar a Fome
Mas que belo texto, dolphin.s!
Quão verdade isso é ! E quanto eu me vejo ao espelho ao lê-lo ! O que vale é que já iniciei a rectificação necessária de rumo há poucos anos atrás.
O que está perdido está perdido, ainda se há-de recuperar alguma coisa.
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 11h47o pior é a pensão deste mês kinda não depositaste. mas isso são ótras falas, né?
deixa lá mazé ir ler este textorro que tu afixaste aqui ó d., pra ver seu posso entrar na cunbersa
já venho amandar a minha posta...
8P
Dito por: margarete no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h00mas nem sempre consigo deixar de me sentir irritada e frustrada por causa do que perdi - principalmente quando o perdi por vontades alheias à minha ;)
Dito por: dolphin.s no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h01"o pior é a pensão deste mês kinda não depositaste. mas isso são ótras falas, né?"
Exacto, são outras conversas. Eu já te disse que primeiro temos que acertar aquela questão da venda da minha moto que fizeste sem a minha autorização.
Mas não falo contigo na presença daquele palhaço maricanço com quem andas agora, não tenho paciência para o olhar de desprezo do gaijo.
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h04alembrame isto akela canção ku caetano canta
lalalalala num apartamento com os dentes escancarados esperando a morte chegarlalalala
pois d. eu ás x tamãe tanhu a tentassãu de dzer ke 'perdi' isto ó akilo mas, nefim, nunca temos nada per isse... nada se perde
carpe diem my friends
tradução: deram-me uma carpa, vou cozinhá-la pró almoço
é natural essa irritação, dolphin. tudo o que já fomos, sentimos, pensámos ou nos aconteceu, ainda somos nós. podemos tentar arrumar as coisas dentro de nós, mas está tudo lá.
agora, tens uma alma maior do que isso, nela também cabem outras coisas, os teus dias presentes e futuros, a tua curiosidade e inteligência, a tua irreverência e sentido de humor, a tua capacidade de conquistar tempo para viver -
"mas nem sempre consigo deixar de me sentir irritada e frustrada por causa do que perdi - principalmente quando o perdi por vontades alheias à minha ;)"
sim. mas consola-te em saber que tudo o que encontrares agora não o encontrarias se já tivesses encontrado o que dizes que perdeste. nunca sentimos as coisas da mesma maneira, a aprendizagem fas-se sempre em rumos que não têm uma única direcção, em que poderíamos dizer que estávamos "atrasados" por não termos começado mais cedo. não. nunca é tarde para começar ou re-começar, pois o caminho que se inica é sempre novo, e completamente distinto daquele que fariámos se tivéssemos começado há mais tempo atrás.
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h10sim, concordo contigo, pelo menos para algumas áreas da nossa vida, mas para outras, às vezes já é tarde para começar e conseguir chegar ao mesmo lugar onde teriamos tido hipótese de chegar se nos tivessem deixado começar mais cedo.
se aprendi alguma coisa neste anos praticamente deitados fora? aprendi sem dúvida - se teria conseguido viver bem sem ter passado por isto? quase de certeza que teria vivido melhor :/
acrescento que estas afirmações são válidas delimitadas apenas a certas áreas da minha vida, áreas em que tempo perdido é tempo que nunca se recupera e que nos deixa em desvantagem.
Dito por: dolphin.s no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h15"pelo menos para algumas áreas da nossa vida"
eh eh eh...
é isso, dolphin.s, não posso deixar de te dar razão, mas é-me mais confortável generalizar, pelo menos para mim próprio ;)
continuando na senda das divagações, o meu receio é que, apesar do esfoço consciente, daqui a uns anos chegue à conclusão que, afinal, havia outras coisas a fazer ou pensar que eram mais importantes que aquelas que estou a fazer agora. nunca saberemos.
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h21eu... per izemplu, podia tar a ler um bom livro neste mumentu invês de tar aki a ler as bacuradas
maj eu penso eu penso (eu axo kisto é pensar... já me dieerem keu num penso, ó foi pra num pensar, numalembro)pois, eu penso eu penso e não vejo mior sítio pra tar agora...
vejo! vejo!
;}
maj gostócêzes na mêma!
enfim!
Dito por: margarete no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h28mag, não me chegaste a responder ao que eu disse acima. cumé ? encontramo-nos naquele sitio do costume, para acertarmos as contas ? OLHA QUE EU QUERO AS FACTURAS !!!
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 12h44olha! tu queres as facturas, eu quero os recibos que a d. me deve, nem imaginas a qtd que ela tem retidos!
podemo-nos encontrar se prometeres que me levas a rever o exterminador implcável
;}3
hein?!
e a propóstito,
parece, ouvi dizer, que nos encontramos noutro sítio.
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"o meu receio é que, apesar do esfoço consciente, daqui a uns anos chegue à conclusão que, afinal, havia outras coisas a fazer ou pensar que eram mais importantes que aquelas que estou a fazer agora. nunca saberemos."
mais importantes ou mais adequadas à nossa maneira de ser. ainda carrego esse problema, se há uns bons anos atrás conhecesse o que conheço hoje de mim! e se calhar até conhecia, mas estava lá no subconsciente - diz bem a dolphin - onde preferisse não ver.
só te digo isto marge (com todo o respeito, claro!):
LOOOOOOOOOOOOOL
8)
Dito por: margarete no dia 17 de fevereiro 2004, às 13h21como queiras, margarete.
Dito por: margem no dia 17 de fevereiro 2004, às 16h01Voltando à obra, excelente passagem. Gostei!!! Esta tocou-me...
Dito por: Alex no dia 17 de fevereiro 2004, às 16h05"parece, ouvi dizer, que nos encontramos noutro sítio"
Pois. Parece que sim. Estou envergonhado. É que o que eu mostro aqui não corresponde bem à realidade. Tenho medo.
Dito por: Paulo Silva no dia 17 de fevereiro 2004, às 16h54pois não... é pior... bem pior.... com tecnologias à pendura e tudo ):-D
Dito por: dolphin.s no dia 17 de fevereiro 2004, às 16h57eu também, tenho medo. a d. sabe, eu perguntei-lhe se levavas aquela gabardine medonha cheia de post-its com citações... olha! pf não leves o chapéu.
a sério?! pergunta à d. se eu não tenho medo... 8P
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margezita, desculpa, afinal o respeito entre parêntisis... foi tido nenhum. desculpa!
um beijo.
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8}bomdia!!!