Todas as noites me despeço
de mim. O dorso afunda-se.
O bulício, os relógios
prosseguem por fora.
Nenhum antegosto
ou prelúdio do fim.
Minha energia
aflui, reune-me? Na órbita
do sono, some-se e resplandece
a máscara mortuária
Sebastião Alba, in Uma Pedra ao lado da Evidência
Estou agora a descobrir Sebastião Alba e estou a gostar bastante. parabéns pelo blog. Está excelente
Dito por: A. Narciso no dia 30 de dezembro 2003, às 14h06brigada Narciso :)
também descobri há pouco tempo, quando saiu o Albas.... desfolhei-o e foi inevitável ficar com ele.
coitado do albas. tinha uma profissão de estado em africa. um dia resolveu matar as pessoas parecidas com as que agora gostam dele. deram-no como maluco. viveu num galinheiro cheio de palha e poesia. morreu atropelado por um pensamento. e agora é um grande poeta. como eu te amo e odeio os poetas de circunstância.
Dito por: arosendo no dia 30 de dezembro 2003, às 14h52a arrogância de alguns escritores é poderem achar que a sua escrita poderá ser amada apenas associada à sua personalidade.
a sorte de alguns é nunca o ser... o azar de outros é quando o é.
e não foram os outros de que falas que o deram como maluco... os outros que gostam da escrita dele, gostam dela por si só. esses outros não julgam a pessoa, amam o que escreve.
Dito por: dolphin.s no dia 30 de dezembro 2003, às 14h56tens a mania da arrogância nos outros. isso já é uma forma de te sentires também arrogante em confronto com certas ideias. eu não falo contra ninguém. falo contra ideias.
Dito por: arosendo no dia 30 de dezembro 2003, às 15h31Albas é o livro.
Alba foi o poeta.
Dinis foi o homem.
Dinis esteve sempre acima da mediocridade.
Alba também.
E nunca foi coitado.
Nós sim.
"Todas as noites me despeço/ de mim": a poesia também é assim, este concretizar de evidências: não sabemos todos da precariedade da vida e da inevitabilidade da morte? evidentemente que sim.
mas dizer "todas as noites me despeço/ de mim" significa a compreensão plena dessa evidência, significa: existe a possibilidade concreta de morrer durante o sono. tão concreta como aquela pedra que ali está. não importa. como aquela pedra que ali está.
Mais uma vez, um texto de um grande senhor. Sebastião Alba. Gosto muito dos seus textos, consegui comprar recentemente um livro dele - O Ritmo do Presságio, tinha-me sido oferecido um outro "uma pedra ao lado da evidencia" e estou a pensar comprar o Albas, pois gosto realmente do que escreveu, este senhor que ainda hoje não é, tal como poucas vezes foi totalmente compreendido. Não digo que o consiga fazer, nem vou por ai... apenas digo que foi uma pessoa unica.
Muito bom o blog, parabens e continuação de grandes textos publicados.
Obrigada José :)
Dito por: dolphin.s no dia 5 de janeiro 2004, às 10h46Sebastião alba foi um homen fora do eu tempo. a sua incomudidade era tanta, que incomodava alguns daqueles que se diziam seus amigos.
Dito por: Isabel no dia 17 de agosto 2004, às 17h11