dezembro 11, 2003

Odeias pela ponta dos dedos

As mãos e os olhos eram o fundamento da guerra: sem mãos é impossível odiar, odeias pela ponta dos dedos, como se estes fossem o canal habitual e único de uma certa substância química má. As mãos nos bolsos são um processo de educar o ódio, processo lento quando comparado com aquele bem mais forte que é a amputação dos braços. Mas só com as mãos nos bolsos os homens já acalmam.
Com as mãos nos bolsos um homem percebe que não é Deus. Não se chega às coisas. Se tocares no mundo com a cabeça obterás desse toque sentimentos secundários; afastados de uma intensidade mínima a que a existência das mãos te habituou. As mãos tornam-te intenso. O obsceno — isso mesmo —, o obsceno que é o homem que na guerra, mesmo que numa pausa, põe provocadoramente as mãos nos bolsos. Assumir que não se é Deus em momento de guerra é acto corajoso e, por estranho que pareça, o único divino. Só os cobardes fingem que são Deus.


Gonçalo M. Tavares, in Um Homem: Klaus Klump

Publicado por dolphin.s em dezembro 11, 2003 10:35 AM
Comentários

sentir com as mãos coloca-te impreterivelmente à distância de um braço, relativamente ao objecto do teu sentir.

tocar com a cabeça com os olhos com os lábios com a lingua coloca-te quase por dentro do mesmo

e por as mãos nos bolsos é tão provocador que nalgumas situações e/ou a alguns olhos roça a obscenidade...

o gesto de por as mãos nos bolsos pode ser uma declaração de guerra por si só

Dito por: kay no dia 11 de dezembro 2003, às 11h21

é pá! tás mt geurrilhossexual...

olha eu a distorcer as tuas palavras:

por as mãos nos bolsos é tão provocador roça a obscenidade...pode ser uma declaração de guerra por si só.

sorry!
há dias em que os amigos 'tão assim parvos, tou assim hoje
peço já chculpa antes que me dighas 'arpe'...


Dito por: margarete no dia 11 de dezembro 2003, às 11h25

confirma-se:

arpe, que se jangou o kay.



...ou são os teus clientes hoje que não te deixam aki vir?


intéééééé!



Dito por: margarete no dia 11 de dezembro 2003, às 11h52

a tua "figura de vidro" não aparenta em nada ser do tipo com o qual seja possível alguém zangar-se...

:)

Dito por: kay no dia 11 de dezembro 2003, às 11h54

olha! descobri a minha vocação: conselheira de moda

agora tenho de ir, mas pensarei num estilo para ti

entretantch, vai ali abaixo ver como pus a d. tão linda!

LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL
jIIIIIIIIIIInhoOOOOOOOO


Dito por: margarete no dia 11 de dezembro 2003, às 12h02

fico à espera.... mas por favor descreve-o de forma a que eu o compreenda... :)

Dito por: kay no dia 11 de dezembro 2003, às 12h08

acho que estamos perdidos kay.... vou ficar à espera do glossário 8-|

Dito por: dolphin.s no dia 11 de dezembro 2003, às 12h11

O diálogo ficou suspenso no momento em que ela tenta descrever o estilo dele. Primeiro o estilo definido é verbalizado, algo não possível, há ua tentativa, portanto. Não há tambem como compreender a idéia do estilo dele que está na cabeça dela, ele não consegue imergir em seu interior, e , não consegue perceber o efeito que ele mesmo provoca nas pessoas. O profundo conhecimento de si é indizível.

Dito por: Claudia no dia 27 de janeiro 2005, às 11h27