dezembro 09, 2003

Uma violência indevida

Simone de BeauvoirTodos os homens são mortais: mas para cada homem a morte é um acidente e, mesmo que ele o saiba e consinta nisso, uma violência indevida.


Simone de Beauvoir, in Uma Morte Serena


Publicado por dolphin.s em dezembro 9, 2003 09:10 PM
Comentários

"Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos"
Sartre, Jean-Paul

tem tudo com tudo, não é?

hoje lia, fugia, pensava eu, fugia e liguei para o noticiário, desliguei, continuei na ingenuidade de que fugia.

a morte, um acidente, uma escolha?

uma violância? mesmo?

consentimento...

pensar?

não.

sentir...

hoje há 'canções para cortar os pulsos'
hoje lembro aquela lâmina

pensar?

não.

sentir.

Dito por: margarete no dia 9 de dezembro 2003, às 21h15

claro. todos os homens morrem no dia errado das suas vidas.

Dito por: arosendo no dia 9 de dezembro 2003, às 21h18

os dias errados podem salvá-los do suicídio. ;)

Dito por: jm no dia 9 de dezembro 2003, às 22h35

quando os dias errados não acertam a hora da morte...

Dito por: arosendo no dia 9 de dezembro 2003, às 22h42

então... cá vamos nós a mais um mix de palavras da margarete:

palavras
mistura
consentimento do som
piano senhor
clarinete
sax
senhora de seda
homem sopro
dos 'cem sons soprados'
lá lá sol lá dó mi ré
solfejo de cortar pulsos?
nope.
tango valsa e cantatas
time time time
it is

violência aos merdosos
indevida?
não
ouvir

ver a música
as palavras
sempre envergonhadas

pois cantou-se

e os pulsos
aqui
intactos.

Dito por: margarete no dia 9 de dezembro 2003, às 23h29

A possibilidade da Morte como uma suavidade desejada...
...pensada, planeada, concebida, traçada, mapeada, respirada, sentida, sentida, sentida...

A possibilidade da Morte como uma brutalidade retardada...
...medicamentada, recalcada ainda mais no interior, abafada, acariciada para não se zangar, enganada, feita de estúpida, enrolada em si...

A possibilidade da Morte como a ressureição espiritual...
...de um "Eu" que se quer e deseja para além da matéria de si, para além do que apodrece, para além do que putrifica, do que cheira mal, do que se consome e mirra no envolvimento com a terra...e mesmo antes disso...

A possibilidade da Morte como a absoluta Imortalidade. Como a garantia da Memória. Como a segurança da Lembrança...
... para alguns...
... para muitos...
sem físico. Sem o corpo. Sem nada... e, simultaneamente com tudo. Com o que pode ter tudo.

Sandra

Dito por: Sandra no dia 11 de dezembro 2003, às 21h28

E aqueles que estão pressos numa cama! Em que mais um dia é mais uma tortura, em que o unico gesto de amor que pedem é o desligar das maquinas e cair no sono eterno - morrer. Ser um empecilho, ou melhor pensar, acreditar que se é um empecilho, um nada, é deveras penoso - e ai a morte é uma "violência indevida" ou sim um fim de vida "sereno", Ai a morte não é um acidente, infelizmente ou felizmente (não sei) a morte é uma dádiva dos deuses...

Um abraço

Dito por: sam no dia 16 de dezembro 2003, às 21h09