dezembro 16, 2003

A culpa de sobreviver

Simone de Beauvoir Quando alguém que nos é querido desaparece, pagamos com mil pungentes remorsos a culpa de sobreviver. A sua morte descobre-nos a sua singularidade única, esse alguém torna-se vasto como o mundo que a sua ausência destruiu para ele, e que a sua presença fazia existir todo inteiro; parece-nos que devia ocupar mais lugar na nossa vida: uma totalidade sem margens. Arrancamo-nos a esta vertigem: não era senão um indivíduo entre outros. Mas como não fazemos nunca por ninguém tudo o que está ao nosso alcance — mesmo dentro dos limites possíveis que nos são fixados — restam-nos ainda muitas censuras a dirigir-nos.


Simone de Beauvoir, in Uma Morte Serena


Publicado por dolphin.s em dezembro 16, 2003 10:40 AM
Comentários

"eu sei que vou-te amar
por toda a minha vida eu vou-te amar

a cada despedida..."


e nunca conseguir despedir

que raio de seres estes, os humanos
ó que raio!

censurado por viver
censurado por não morrer
acarinhado após a morte
blá blá
nã sei dizer estas coisas em vidro

deixo estas xalaças.

ó que caraças!
entretantch é melhor ir bebendo umas garrafitas e ouvir umas musiquitas para passar o tempo.

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h01


O sentimento de culpa, face ao irreversivel, perante os outros e perante a nossa própria morte (e velhice)
persegue-nos, persegue-nos constantemente - mesmo que nos dedicássemos a 100% à pessoa teriamos sempre um remoros... não será bem o remorso, será mais o sentimento da nossa mortalidade... não podemos porque morreu... como nós também iremos morrer, sem fazer aquilo que (pensamos que) queriamos ter feito... e desvalorizamos aquilo que fizémos

pois se calhar teve mais valor aqueles 15 minutos na esplanada num silêncio cúmplice, que todos os imensos projectos que pudéssemos ter feito com essa pessoa

Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 11h13

perder alguém que nos é querido, verdadeiramente querido, é por demais complicado...

e a elaboração dessas situações é extremamente individualizada...

a mim, porém, parece-me que num mundo feito de desenhos sobre acetato sobreposto, à maneira da fórmula dos desenhos animados, é todo um mundo desses desenhos que se perde... tudo fica mais linear (embora não menos confusao), tudo fica mais plano, tudo fica mais crú... e nós descobrimos um novo mudo, que é o nosso sem esse alguém...

as censuras de tudo o que se poderia/deveria ter feito com quam nos deixa são inevitáveis... é que nunca, ou raramente, se tem a consciência da efemeridade da existência... pelo menos até um dia se perder alguém verdadeiramente querido...

hoje, eu sou um homem que vive as horas em vez dos dias... que planeia a longo prazo em dias em vez de semanas... que sem fazer um esforço que o desvie do discorrer natural do seu tempo, tentando tudoi experimentar antes que parta, tenta usufruir com plenitude os pequenos momentos situações prazeres emoções que se lhe deparam...

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 11h18

:)

lá estou eu com os meus problemas de sintaxe - nem sequer me vou dar ao trabalho de dizer "onde se lê...leia-se..."; "onde se lê...leia-se..."; "onde se lê...leia-se..." ...

olá maggie! :)

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 11h21

"planeia a longo prazo em dias em vez de semanas..."

nem planear
fingir k sim, viver esse plano por 2/3 dias e depois abandoná-lo,
é o máximo possível durante o k ainda se revela luto


"os pequenos momentos situações prazeres emoções que se lhe deparam..."
sim!... sim!... sr kay! tsc! tsc! tsc!

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h22

Estranho como ausência, seja ela qula for...seja como for...é sempreuma falta...uma partida...despedida...
É sempre uma dor...uma saudade que fica presa n'alma e na garganta...
Fere e se refere a essa pouca solidez de sentimentos...esses atos de vãos momentos...
E fica so o medo contrario...que antes era você, agora...so a sua ausência

Dito por: polis no dia 16 de dezembro 2003, às 11h47

sim maggie?

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 11h59

éié!

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h03

:)

éié o k, pá?

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 12h07

pois, pois... bem se me parecia...

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 12h14

éié!

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h14

as montras.
éié!

elephantinho.

hihi
se calha... amanhã ótra x.
a máz'oras...
=(

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h15

relações cortadas enquanto nã me explicares o yeah-yeah, maggie

tou amuado

:[

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 12h16

hmmmmmm.... isso era uma explicação, não era?

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 12h18

iéraiéra!

seu totó!

8}

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h22

aki à dias disseram-me uma muita boa:
nã tou amuado, mas kria ke desamuasses.

tu.. desamarra mas é o burro, keu nã cheguei a prender o meu ó tás a óvir?

8}

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h24


:|

olha! foi-se embora!...

tá mm amuado, ó carago!


volta elephantinho!

ó é tua chefona k não te deixa vir ao recreio?...

;)

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h48

fui dar vazão aos meus impulsos fashion/consumistas, maggie...

o meu burro já anda à solta, tás na boa...

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 14h01

ah! pá! nã se fala de compras ó pé de mim!

eu tou sp na boa, já te disse.

então?! e o burro? já viu algum palácio?

olha keu fiquei a pensar nos percursos... o mundo é mm canito pá!
olha kisto!...

Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 14h30

cada cultura tem os seus caminhos

uns vão entre o palácio de cristal, o piolho, a rua miguel bombarda, o aviz e o rivoli...

outros entre o café da esquina, o mecânico pra meter um ailerão da mala do carro, o barbeiro para aparar o bigode, e o ecómarchê...

outros entre o cafézinho na linha de mar da foz, o almoçozinho no restaurantezinho do chópingue, a tardinha a fazer o surfzinho, e à noitinha uma saidinha até a um mau-mau, quando quando, ou kk merda do género...

são padrões de caminhos... é natural que se tropece...

Dito por: kay no dia 16 de dezembro 2003, às 14h57

difícil falar assim da morte...
uma presença a menos no nosso mundo, mas também a culpa, a sensação de que se poderia ter feito mais, de que se poderia ter feito o impossível.

(são sentimentos de humanidade:só os inconscientes não se auto-censuram)

Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 16h01