(..) havia nele dois mistérios insolúveis: viver e escrever. E ambos estavam tão intimamente ligados que, provavelmente, se conseguisse desvendar um deles, o outro sê-lo-ia também.
Mas acontece que tinha tentado fazer da sua vida uma obra tão intensa quanto a obra escrita. Por vezes diluíam-se
uma na outra, confundiam-se, tão próximas ou afastadas estavam. E tanto na vida como na escrita, um mesmo desejo o animava: caminhar em direcção à sabedoria última do silêncio - a memória total do mundo.
O pior é que sempre que avançava alguns passos na direcção certa, desiludia-se. A harmonia com o mundo e com o seu próprio corpo continuava inacessível; e outras ignorâncias surgiam, outras trevas o cegavam. O que parecia estar perto, repentinamente, ficava fora do alcance.
Apesar de tudo, com o avançar lento da idade pressentia, algures dentro de si, um ser de lume - um anjo mudo que o iluminava, revelando-lhe aquilo que devia ou não silenciar.
E quando esse ser o fazia sentir árvore ou pássaro, todo o talento da árvore e o nocturno voo do pássaro escorriam em si. E se a sensação de mar lhe era transmitida, ele sabia que era um mar muito mais remoto e vasto que aquele que diante de si se movia.
Respirava fundo, tinha medo, e escrevia como uma condenação — e nessa condenação encontrava um breve alívio para a dor das coisas vivas e mortas que o rodeavam. E o corpo, sempre apaixonado, tremeluzia quando o estranho anjo mudo lhe punha uma voz no coração.
Talvez seja por tudo isto que um dia nunca mais o lembraremos, nunca mais. Mas neste preciso instante ele acabou de acordar, abre os olhos, arde, é jovem ainda, e diz-me a sorrir:
- Aqui tens o inocente revólver para a eternidade.
Al Berto, in O Anjo Mudo
a eternidade como a "sabedoria última do silêncio - a memória total do mundo"
talvez esta a única forma inocente de eternidade, a que lhe permita (nos permita) não mais ser lembrado (sermos lembrados)
"E o corpo, sempre apaixonado, tremeluzia quando o estranho anjo mudo lhe punha uma voz no coração"
Quantos anjos mudos se nos declararam e nós não os aproveitámos para, utilizando o revólver da eternidade, o eternizarmos ? Quantos ???
Dito por: Paulo Silva no dia 15 de dezembro 2003, às 15h34uma pergunta que nos deveríamos fazer, sim. o que sabemos dos nossos "anjos mudos"?
"anjo mudo": uma luz interior, uma inspiração, uma consciência, um sentir intrínseco, um sonho, uma aprendizagem vital,uma revelação, uma "aparição",...?
e depois a tua pergunta, Paulo. deveríamos fazê-la, sempre, muitas vezes. será possível que passemos ao lado do que em nós seria de eternizar (em vida)?
Dito por: margem no dia 15 de dezembro 2003, às 22h23"e depois a tua pergunta, Paulo. deveríamos fazê-la, sempre, muitas vezes. será possível que passemos ao lado do que em nós seria de eternizar (em vida)?"
sim, disso não tenho dúvida. o único consolo que eu tenho é que muitos desses fragmentos de eternidade ficam dentro de nós, e, dependendo de quando e em que circunstâncias os recordamos, podem aparecer ainda mais vivos e com maior significado do que quando os vivemos. é nesses momentos que eu tenho pena de não escrever... escrever é um acto bem gratificante, os pedaços de eternidade que estão dentro de nós metamorfeiam-se e ganham novos laivos de eternidade, que nos surpreendem a nós próprios
Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 10h07"é nesses momentos que eu tenho pena de não escrever..."
... de não escrever de determinada maneira, com determinada dimensão,... (e já tentaste?)
porque tu sabes: a escrita é presente na tua vida. sabes que é, ou não a reconhecerias como gratificante ou passível de eternizar pedaços de ti. mais: a escrita - textos, comentários, etc - que vais partilhando não só te diz de ti mas também diz aos outros dos outros (porque os pode enriquecer ou questionar de uma forma positiva)
(não sei se fui confusa...)
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 10h35
margem,
não foste nada confusa
não me sinto com "arcaboiço" para escrever, mas, quanto mais leio, mais sinto essa vontade, quanto mais partilho conversas com os outros, cada vez se abrem mais focos no meu interior
um dia hei-de começar a escrever, daqui a uns anos... nem que seja apenas para mim próprio; mas só darei esse passo quando tiver alguma certeza de que tenho algo a acrescentar, uma outra visão, um outro caminho, um outro sentir, que seja diferente de todos os outros autores que tenho lido.
Para já, é muito dificil, Vergílio Ferreira e Dostoievki conhecem praticamente tudo sobre mim. Dificil escrever algo diferente do que eles já escreveram e com o qual me identifico.
Um projecto magnifico e extremamente ambicioso seria escrever a segunda parte dos Irmãos Karamazov, que o Fiodor não chegou a escrever pois morreu entretanto - isso seria o projecto de uma vida !!!!
Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 11h07ó ragazza! já tás como eu... confusa sem saber se ponho os pés pelas mãos...
eu cá te percebi mt bem
e sem quere parecer a 'moral', deixo o meu 'achismo' ao sr citador...
...pois é, sr citador, quem disse que tu não escreves? (em primeiro lugar...)
ó pá, um amigo meu disse-me há uns tempos que eu devia começar a escrever e a pintar (né por pensar k eu sou artista, nã nã, é por saber o bem k faz)
claro, eu disse-lhe 'o hom deve tar é maluquinho dos parafusos'...
olha!
olha!
né k tentei?!...
atão né k se escreve sem se saber k se tá a escrever?
olha!
e as tintas?...
ó caraças! kelas são umas endiabradas, as cores...
ó paulito (soube bem, chamar-te paulito), pá kem te disse ke tu nã escreves? kem foi? tu?
ó pá! dou-te um beijniho, nã te tentes convencer, nã te castigues, vai à procura do teu brinkedo, eu, eu tou convencida kele andaí...
(tb não sei se fui confusa)
=§
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h09he he
só vi o teu comment após afixar o meu...
já tou a gostar,
depois dás-me um autógrafo?
JUST KIDDING!
claro! deves escrever para ti... se um deia decides partilhar... olha tens o direito de não o fazer...
nem vou nessas cenas ke é cobardia, ó assim qq coisa.
se partilhas, tb saberás k deixa de ser teu...
anyway, gostei da atitude.
=)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h12nada confusa, e gostei muito daquelas palavras: escrever, pintar, etc, não porque se é necessariamente artista mas pelo bem que nos poderá fazer (ouviste, Paulo?)
só não entendi aquele =... (não consigo fazer o resto...) cadê os teus 8)?
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 11h18
ah, margarete, margarete...
a dares-me voltas à cabeça...
"quem disse que tu não escreves?"
pois, lá está, eu traio-me a mim próprio. talvez um pouco aqui, ainda mais no fórum em que costumo participar
às vezes começo uma resposta, e escrevo, e escrevo... e no fim, porra, eu escrevi isto ? muita coisa começa a ligar-se, outras a desligarem-se, inumeras coisas entrelaçam-se de uma forma que nunca imaginaria... se não escrevesse
e esta porra vicia... sinto que algo se constroi dentro de mim, os alicerces da escrita, as auto-estradas do pensamento, pelo meio da poeira e da floresta virgem do amontoado dos meus sentimentos... e não é que se vão construindo, com alguma facilidade, estações de serviço ? e a portagem até é barata, é necessária alguma manutenção sim, não muita, que os veículos são cada vez mais poderosos e todo-terreno; e só anseiam sair borda fora e contruir novas estradas
é lindo, lindo... mas mais lindo ainda é ter começado esta construção graças ao convivio com pessoas como... tu. :))) (e outras também claro, mas estou a falar contigo) ;) :)))
Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 11h21ópio.
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h24"escrever, pintar, etc, não porque se é necessariamente artista mas pelo bem que nos poderá fazer (ouviste, Paulo?)"
oh raparigas, e se me deixassem trabalhar ? Hummm ? :))))
vocês fazem-me perder, porra !!!!
mas sim, margem, é isso; a porra dos complexos e preconceitos é que me fazem perder - porque não escrever apesar de pensar que não tenho jeito para a escrita ? o que é que uma coisa tem a ver com outra ? mas que cena tão evidente - a verdade entra-nos pelos olhos dentro e nós sempre a por a mão à frente com medo de nos encadearmos !!!
Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 11h24sabem?
lembram-se daquela cena dos 'comentadores de qualidade'?
pois, senti-me mal, não gostei, pq nunca tinha observado as coisas nessa perspectiva... senti-me inibida, não quis voltar cá, senti-me a tal 'comentadora de má qualidade', tsc tsc para mim!
vcs, sem saberem, mostraram-me o importante(lá tá a magoo lamechas, eu sei, ams isto tem um objectivo de 'qualidade')
mas o que eu queria dizer é que...
para escrever, eu acho que não é preciso ser ppmente um pensador...
é preciso aceitar o sentir... por mais que doa... mas tb, não é preciso que seja dor.
qdo falamos aqui mm a sério... eu não sei expor a questão como vós colocais, não possuo tal retórica.
seria fluente, acreditem, se estivéssemos todos no café, mas gosto de vos ouvir, gosto da forma como falam, e vós falais cousas mui belas...
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h30margem...
é assim que consigo ter os meus olhos, por ora...
o sorriso, é o que chamo amaranhado
(ctrl atl + tecla do 4)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h31ter "arcaboiço", ter algo de novo a acrescentar, compreensíveis estas tuas reticências... acredito que os escritores se colocarão essas mesmas exigências.
mas, como dizes, sempre se começa pelos alicerces e esses já andam por aí... e depois o que é lindo mesmo é ter projectos, definidos, pessoais, únicos, nossos! muito bom isso. por isso: vai escrevendo, para ti mesmo. (e para quem quiseres, claro).
nunca ouviste dizer que o prémio reside na caminhada mais do que na meta? (a frase não é bem assim, mas não lembro bem e é esse o sentido...)
(eu cá... tou deliciada por tar em linha ctg ao mm tpo hoje margem)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 11h45ó pá sr citador
essa do ter qq coisa para dizer... pensas nisso se um dia quiseres publicar
e, mm assim, talvez
talvez valha a pena colocar essa questão.
olhá açorda! né que citador se foi mm... terá ido?:
1. trabalhar
2. citar
3. escrevinhar?
4. tudo ao mm tempo... era o idela néra?
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h05idela=ideal
não é o 'i' dela
nem 'pontos nos is'
pois é, a porra dos complexos é daquelas pedras obtusas no caminho.
até a Margarete se contagiou um pouquito (qualquer coisa emaranhada sobre uns "comentadores de qualidade").
olha, já vi como se faz =§ (acertei?)
entretantch vou commentando sem qualidade,
assim pareço muitas...
...he he, até k samos muitas, eu
ele é a margarete
ele é a magoo
ele é borboleta
ele é pétala de papoila
ele é carraça
ele é carapau
ele é metamorfose
ele é o quéla gosta mm de ser...
... a maga patológica.
cá vou tando,
assim pareço muitas.
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h08pois pois
olha quem fala nos complexs
Mrs Guilty About Everything
sempre àculpar-se de tudo até se tá nevoeira!
ó carago! às x puxava-tas oreias...
=§
isse mm!
faz lá mas é as refeições congeladas na mm keu tenha certeza de boas memórias dessas refeições para as margenzitas...
...olha... faz mal dizeres quantas são?
sou curiosa...
se forem duas...
achas que podem ser,
a Nascente e a Beira Mar?
é cá uma coisa keu tou a escrevinhar, há lá uma margem, ke não é fronteira, e tem duas filhas, esses são os nomes...
er...
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h13ó pá...
ófaxavor de ignorar a minha indiscrição
ó carago!
fechar os oios keu nã kria essa indiscrição
ops
ó carago!
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h17e nã sentir obrigaçã de responder, nem sentir mal por nã responder
ó carago!
falemos
ora, deixa c´´a arranjar um tema ádchtrair dali...
ora, falemos
falemos, de...
de... sexo
(olha! o ké a 1ª coisa k me vem à cabeça!...)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h19prontch!
passou-se a magoo, já avacalhou, vai-se embora, deixa tudo desarrumado
(nem deixa um ponto final)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h20este post devia chamar-se
'nem vale a pena ir ver os comments, é a margarete, não tomou a medicação, hoje'
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h21Picar o ponto antes do almoço eh eh eh....
vocês estão endiabradas... escrever, escrever, ler, ler, e escrever
quanto mais leio sobre os escritores mais vontade sinto de escrever...
um caso notório é o do Lobo Antunes. a sério. leiam o Memória de Elefante, e depois outras obras dele.
O Memória de Elefante é o primeiro livro dele, e por mais bem que falem dele, aquilo é uma auto.biografia - não me lixem, é uma auto-biografia, não está muito longe do que qualquer (bem, não bem um qualquer, mas bastantes de nós) seriam capazes de escrver. A sério, sem falsas modéstias nem altruísmos.... mas o homem depois foi crescendo, crescendo, crescendo a cada livro, até se tornar um colosso.
Claro que não es´ta ao alcance de todos, isso não; mas o inicio, esse está, está ao alcance de todos nós que sentimos que queremos exprimir o nosso pensamento, trabalhá-lo, de forma a melhor compreendermos o mundo e darmos algum sentido (ou não) às coisas - o fim não se atinge, isso é um facto - todos os escritores, mais tarde ou mais cedo, chegam a essa conclusão - mas o caminho, o caminho, que belo este pode ser !!!!
Dito por: Paulo Silva no dia 16 de dezembro 2003, às 12h36muita lenta sou eu a teclar, vocês são todos muito rápidos!
o nome do post está muito bem como está! quem quer agora um puxão de orelhas? ai,ai,ai!!!
mas para ser mais fidedigno, talvez a margem devesse juntar ao seu nome um aviso tipo:«em tratamento, a recuperar ligeiramente de mais uma das suas "ausências", perigo de recaída a qualquer momento, algures entre o riso e o choro, atulhada em complexos e culpas, também conhecida por Mrs. Guilty About Everything»
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 12h38ó pá! eu nem vos digo o meu verdadeiro cognome.
sabes, sr citador, ê goste mt do lobo, a sério, até já escrevinhei sobre isse, o me problema (sabes, é da doença..)
pois, o me problema é k ao lobo, kero komeçar a ler agorinha e só parar no fim das páginas todas, e isse nunca aconsegui carago! odexpois... além de vesga, fico sp frustrada.
margem ,a propósito do ke disseste, e já k se mencionou o lobo... eu,
eu sp vou procurando uma resposta momentanea para qdo tudo arde...
=§
por isso esta mímica facial... por isso.
Paulo! não te chateámos muito, não?
olha, ADOREI o último parágrafo deste teu comentário. é uma lição para muitas coisas na vida. e agradeço que a tenhas escrito. :)
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 12h46temos xcritor.
8)
óia, ó sr citador, vistes? no fds, deixei uma citação,
(nã foi qdo eu disse repetidamente
f_ _ _ _ - se)
do jefferson.
ó carago! e agora queria dizer uma do werther (goethe) ali em cima pró kay e nã malembra bem comié...
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 12h52quando tudo arde, Margarete, quando tudo arde, as soluções momentâneas são apenas isso. momentâneas. as cinzas reacendem-se rapidamente e, apesar de já ter idade para me conhecer minimamente, ainda sou muitas vezes surpreendido por esse reacender. (enfim, tenho estado doente, é isso, em casa, o mais longe possível de pressões de qualquer género. mas a pior de todas está perto, aqui dentro, como tu já descobriste - e depois às vezes estes desabafos, mesmo sabendo que são impróprios aqui
(dolphin e jm, beijos para vocês!)
e, para ti, um sorriso e um pequeno enigma :)*******************************************
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 13h05ah, já me ia esquecendo: são duas margenzitas sim, uma mais pequena (que almoça no infantário salva dos "congelados" da mãe ;)) e outra adolescente (que "descongela" comigo quando os horários coincidem).
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 13h09pois... "surpreendido" estou eu!
(e nã tenhe cá mt jeito ptós enigmas kindá'ki ando com um do j.m. da semana passada, até acho ke consegui mas nem kero arriscar... nã vá fazer figura d'ursa)
ó carago tou mm 'surpreendido'!
sim, eu sei que são momentâneas, eu sei, ó se não sei, mas, tb, já aceitei ke será sp sp assim a minha vida, ke eu serei sp assim assim
e, tb, me passa essa dos 'impróprios', ó pá, sabes? o k acho sobre isso?
se sai de dentro de ti, se é publicado, se é vozeado, então, é porque já aí vem algo mais que será a verdadeira intimidade a ser preservada, até ao dia de, tb, ser lançada para dar lugar a novo interior,
sempre mas nunca, nunca estamos expostos
por mais que o julguem os lobos e o fogo.
ó carago!
as melhoras!
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 13h17ó margem pá!
taváki a matutar a matutar...
e né kas coisas batem todas certo?
... na minha história... a margem... não é uma fronteira...
estarei enganada? e tb demasiado ilegível?
na verdade, acaba por nã interessar se emaranhei a cena, cá para mim, ajudaste-me à história, agora tem mais sentido
as margens... não são fronteiras
ó carago!
eu já sabia, e era isse ke kria dzer, mas,.mm keu tenha baralhado o enigma, ajudou na mm
he he
...são estes os momentâneos de que falava...
bom almoço!
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 13h37é tão confortável, a imagem das margenzitas.
(desejo)
muitos sorrisos
muitos baloiços
muitos cantos de embalar
muitos olhares do bem
um feliz natal para as tuas margenzitas!
al berto merece muito mais do que conversa de circunstância.
Dito por: arosendo no dia 16 de dezembro 2003, às 14h01Bom, já que gostam tanto de Lobo Antunes (como eu), aqui vai a sua ultima crónica, publicada na revista visão:
CHEGA UMA ALTURA
E chega uma altura em que se começa a conviver com a morte como se fosse uma amizade antiga: alguém que está para aí, numa cadeira qualquer, sem incomodar a gente, amável, quase simpática, a olhar-nos por cima dos óculos com uma revista nos joelhos. Chega uma altura em que a morte é uma pessoa de família, uma parente não muito próxima que se convida quando há um lugar a mais na mesa: vêmo-la, na ponta da toalha, modesta, apagada, a comer connosco, a sorrir quando nos rimos, a concordar de leve, a ir-se embora antes dos outros
- Não se incomodem, não se incomodem
e ao chegarmos ao elevador não a encontramos já, tentamos lembrar-nos do seu nome e esquecêmo-lo
- Trago-o na ponta da língua
procuramos no álbum e é aquela pessoa na última fila dos retratos de grupo, meio apagada pelo tempo ou com demasiada sombra na cara, percebe-se um bocadinho da blusa, o penteado composto, quase nada. Chega uma altura em que a morte principia a conviver com a gente, se torna diária, íntima, existe no espelho da barba, nos nossos gestos, no modo de meter a chave à porta de casa, acender a luz, o sofá e os móveis de repente ali e a morte ao nosso lado, caladinha, usando o nosso corpo, a nossa tosse, a nossa voz, a pesar-nos por dentro
- Qualquer coisa que comi ao almoço e me ficou aqui
chega uma altura em que a morte é a água num ralo, um estalo na cómoda, um adeus através dos vidros, lá em cima, na janela, uma espécie de novembro a entristecer as tardes, o sorriso com que se responde às perguntas, os estranhos, na pastelaria, tão distantes, uma rapariga que nos atravessa com o olhar, a velhice que chegou de repente
(- Afinal sou velho que esquisito)
o açucar do sangue, os males do fígado, o colesterol, a bilirrubina, a alma, sabe-se lá porquê, amolgada não sei onde, a latejar ao descobrirmos uma casaco que não nos serve no armário, casaco que ainda ontem
(ou seja, há vinte anos)
usávamos, chega uma altura em que a campainha da rua
(- Quem será?)
e ninguém no intercomunicador, nunguém no quadradinho onde surge, a preto e branco, a imagem miniatural de quem toca, pensamos
- Quem será?
e vai nisto entendemos, procuramos um cantinho da poltrona
(não a poltrona inteira, apenas um cantinho)
no receio de que, apesar de ninguém, tábuas curvando-se a um peso, a franja do tapete desarrumada, dá ideia que palavras e palavra alguma, chega uma altura em que a morte nem
- olá
sequer dado que se não diz
- olá
a nós mesmos, em vez de
- olá
anoitece, nós diante do espelho da barba e no espelho não mais que os azulejos em frente, a prateleira com uns frascos de que não nos vamos servir e que talvez o marido da mulher-a-dias queria, ajudando-nos a poupar no saco de plástico do lixo, chega uma altura em que a morte é isto sob as pálpebras, estas rugas, este pescoço, pequeninas lembranças de repente importantíssimas, memórias que dariam vontade de fazer troça a quem está de fora e para nós tão doces, chega uma altura em que não se grita, não se protesta, fica-se mudo, submisso, à espera, suspensos dentro da gente como cegonhas de pata levantada, chega uma altura em que nem uma pergunta fazemos, nenhuma voz responderia se a fizéssemos, chega uma altura em que me chamo António Lobo Antunes e chamar-me António Lobo Antunes não tem sentido, quem é esse, quem foi esse, escrevia não era, o que escrevia ele, cresceu numa casa com uma acácia, desapareceu um dia, não voltou, deve andar em qualquer sítio, não interessa, chega uma altura em que não chega nada, o corpo dele apenas, o que foi o corpo dele, num corredor de hospital, a caminho da sala de operações ou assim, se calhar tão carregado de sofrimento que nem pelo sofrimento dá, não lhe peguem na mão, não conversem com ele, deixem-no, pensará em quê, desejará o quê, chega uma altura, minhas senhoras e meus senhores, em que a morte não é uma pessoa de família, a tal parente não muito próxima que se convida quando há um lugar a mais na mesa, chega uma altura em que somos nós a tal parente na ponta da toalha, nós que nos vamos embora antes dos outros
- Não se incomodem, não se incomodem
nós na última fila dos retratos de grupo, apagados pelo tempo, com demasiada sombra na cara, chega uma altura em que não somos a cara, somos a sombra na cara, chega uma altura em que a casa vazia, um livro deixado a meio, a caneta sobre a mesa, inútil, chega uma altura em que o telefone a insistir, desesperado, em que os olhos secos, chega uma altura em que não há altura, em que o balão do soro deixa de pingar, em que o espanto não se transformou ainda em desgosto, em que uma coisa me substitui, uma coisa com roupa minha que se aparafusa numa caixa, chega uma altura em que este sol sem mim depois de empurrarem o cão atropelado para a berma da estrada.
ó pá! tás à espera de kê?
de irritar?
de realmente nos melhorar?
que ignore à laia de 'sou superior, não te responderei'?
a sério, a., se tu te risses de vez em qdo, se sorrisses
quem te julgas para julgar o meu respeito ao al berto ou ao meu vizinho?
carago! para quem nos critica aquando da nossa luta pela lamina de cortar pulsos, pareces-me mais em perigo
ó pá!
eu cá, nem me zango
conversa de circunstancia boa, sem ser interrompida pelo teu comentário, senão aqui ou hoje, será amanhã ou daqui a um mês, ou, sem importar... até nunca, mas não pela sua natureza cirtunstancial... mas, pela sua natureza.
se queres conversar,conversa.
não queiras ser um sisudo
os sisudos são perigosos
vê lá bem quais são as outras cartas aí no teu baralho, e não lances sorrisos que não te apetecem, nem te assemelham ao rosto
acredito que todos conseguem xeque
com humor
com amor
com riso
saber respeitar
mas dizer a rir
al berto
o rei morreu
viva o rei
ó sr citador,
isto acima é para o a., não é para ti, olhem,
poder para quem apanhar...
"numa cadeira qualquer"
espero que nunca me acusem de plágio!
simpatia a do Paulo em transcrever a crónica do Lobo Antunes (eu já tinha lido hoje no Citador).
entretanto, estive a reler o texto do Al Berto, na íntegra, começa assim: "Um dia, em frente ao mar, ele pensou:
Se me apagasse neste preciso instante, o mundo pouco se importaria com isso. No entanto, deixaria de ser o mesmo: seria um mundo com todas as coisas que conheci e toquei, mas sem mim."
depois, reli todos estes nossos comentários e pensei: sim, claro, um mundo sem a sua presença física, mas ainda com as suas palavras escritas, aquelas que hoje nos levaram a falar de coisas tão importantes: os nossos "anjos mudos", o que poderíamos eternizar em nós ou não, o prazer da leitura e da escrita, a importância da escrita para cada um, as pontes literárias, ou lúdicas, ou afectivas, que estabelecemos, e as pessoas que nos são queridas, e os pequenos momentos da vida, enfim, todo um eco que as palavras de Al Berto fizeram em nós hoje!
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 15h44"Um dia, em frente ao mar, ele pensou:
Se me apagasse neste preciso instante, o mundo pouco se importaria com isso. No entanto, deixaria de ser o mesmo: seria um mundo com todas as coisas que conheci e toquei, mas sem mim."
txiiiiiiiiii
..... . .. .......... ..... .
ó pá! é nestas alturas k gosto da frase
"a poesia não interessa"
sim eu tb reli.
...e estou cheia de urticária causa do enigma!
=£
o enigma, simples e prosaico - aquela questão de já ter idade para não ficar surpreendida comigo mesma...
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 16h07não acredito que acreditas nisso.
ter idade para não nos surpreendermos.
não me surpreendo com os Homens.
mas sempre me surpreendo pq sou de carne e coração pq involuntariamente, existe esperança, surpreendo-ma sempre, mm qdo nem estou surpresa.
(pés pelas mãos?!)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 16h15acordaste ninguém.
Dito por: arosendo no dia 16 de dezembro 2003, às 16h18(ler: Ninguém, do JLPeixoto)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 16h19e mãos pelos pés!
eu repito: simples e prosaico - uma questão de contabilidade, rapariga!
zangou?
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 16h22sabes aquela coisa que tens de me chamar "senhora" :( ? pois estava a falar de idade e lembrei-me de te mandar... quantos beijos, quantos?
Dito por: margem no dia 16 de dezembro 2003, às 16h31pode ser antes abraços?
já vou, e vou para outra tarefa, sem o computar ao alcance do recreio
0(
se posso escolher,
antes quero um abraço
mas beijos são sp bem vindos tb
0)
aconteceu-me isto indábocado, qdo me confirmaram uma cena prá semana
tou assim, mas acho ké bom
0)
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 16h34há uma gaija que não tem pudor,
amanda-me os beijos mas tb mamanda à merda
mas nunca mamandou pra cima dum monte...
Dito por: margarete no dia 16 de dezembro 2003, às 16h35não entendi nada...
Dito por: margem no dia 17 de dezembro 2003, às 10h24É comigo que a borboleta se está a meter, margem ;)
Óh gaja, vai à merda!!! Bêjooooooooo :P
nã vou.
abraço.
bom dia, dolphin :)*
como sempre, tenho gostado dos textos que aqui colocas, e o "Anjo Mudo" então! ontem, foi uma das minhas companhias, o livro e as conversas aqui sobre e a partir do livro.
(acho até que fomos úteis a alguém, sabes, tipo cobaias/inspiração/sei lá! ;))
Margarete, não devias ter respondido um sussurrante e cinematográfico "vai tu"? (qual era o filme?)
bom dia para ti também! :)*
Dito por: margem no dia 17 de dezembro 2003, às 11h45é sempre bom sermos úteis, né? ;P
tentamos viver nos outros quando não temos vida própria ;)
Dito por: dolphin.s no dia 17 de dezembro 2003, às 11h45bom dia margezita, ragazza
(para nunca mais,... eu, vil criatura! te dirigirei a como 'senhora')
nã nã
ê só mando a d. à merda aquando ele me emociona e faze dizer 'd., goste de ti pá'
eu sou uma utilidade,... aos psi, eles lá vão estudando o meu caso... parece que darei alguns estudos, e estou ansiosa que concluam qual o meu diagnóstico... ansiosinha, de saber o nome, têm sempre nomes giros...
mais logo, canto ótra canção sem cólidade
Dito por: margarete no dia 17 de dezembro 2003, às 11h52pois, senhora não me fica lá muito bem. mulher (às vezes menina - pobre de quem não conserva um pedacinho da essência da infância dentro de si!), de 43* (era o enigma!)
ooops... lá se me escapou mais uma utilidade! (hoje, estou rezingona mesmo. é de estar estes dias em casa, isto passa, canção: eu peço ao senhor barqueiro/que me deixe passar/ tenho filhos pequeninos/ tenho de os sustentar / passará, não passará/ ... lálálálálá... não lembro o resto).
Dito por: margem no dia 17 de dezembro 2003, às 12h03passará, passará
mas algum ficará
se não for a mão à frente
é o filho lá de trás
:D
Dito por: dolphin.s no dia 17 de dezembro 2003, às 12h05*
conto-vos... um dia destes
*
Dito por: margarete no dia 17 de dezembro 2003, às 12h29