- Os pobre-diabos deste mundo (e os donos deles sentam-se ao lado uns dos outros, à nossa vista) só têm uma solução: organizar-se inteligentemente. Ou morrem. Agradeço ao escritor norte-americano Jack London (aventureiro e suicida) o cão de trenó que me deu. É infalível. Quando há uma fenda (neste mundo gelado) estaca, eu aproximo-me dele para ver o que há, e ficamos os dois ali a pensar na rota e na puta da vida. A vida está com os cornos desembolados; enquanto grandes toureiros a enfrentam, na arena, eu, na fasquia, observo como ela marra. Quero aprender, com eles, a voltear bem a capa, ou a colhida é certa.
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Dito por: margarete no dia 30 de novembro 2003, às 17h56Vi hoje a capa deste livro, com uma fotografia do Sebastião Alba semelhante a esta, e confesso que não gostei, soube-me a exploração fácil da desgraça, a número de feira de mulher barbuda. Acredito que a tua intenção não seja essa, e ainda que os escritores, os artista, sejam como o descreve Kafka, miseráveis cães pernetas, não gosto, até porque, se não estou em erro, o Poeta Sebastião Alba nunca assim foi, mas apenas o homem nele, o homem caído.
Dito por: luis no dia 1 de dezembro 2003, às 12h23sabes, não olhei assim para aquela foto, a foto da capa.
Esta é do interior do livro e mostra mais aquilo que referes, mas a da capa acho-a muito bonita e a não mostrar precisamente aquilo que se vê nesta.
E o livro... o livro só posso ficar contente que exista. Não consigo parar de o ler e de me emocionar em cada trecho.
E esta edição é bem mais acessível que outras de outras editoras.
E mesmo não sabendo qual a intenção dos editores ao editar o Albas, e compreendendo o teu ponto de vista - aliás com certeza que sabes muito mais de Alba do que eu que apenas o estou a descobrir agora - é o homem que leio naquelas palavras. O homem que não pede pena nem atenção. Um homem.
Dito por: dolphin.s no dia 1 de dezembro 2003, às 13h15Também me constrange esta edição que ainda não tenho. Mesmo que vá beneficiar alguém, Sebastião Alba nem pensaria nisso. Nem em nós, que estamos aqui a falar dele. Estava acima de todas essas coisas.
Dito por: leonor no dia 1 de dezembro 2003, às 16h48conhecia apenas o nome, talvez em tempos tenha mesmo lido algum texto seu (sem desprimor para os autores, eu é que esqueço muita coisa muito facilmente!)
estou a gostar de o ler aqui e também já li sobre ele no Ene. percebi que há uma edição da Assírio, é dessa que falam?
Dito por: margem no dia 1 de dezembro 2003, às 17h18Esta, Albas, é da Quasi.
Dito por: dolphin.s no dia 1 de dezembro 2003, às 17h42Mas porquê o constrangimente com esta edição? Alba teve coisas publicadas em vida.
Existe aqui alguma coisa que ele não quisesse ver publicado? Não sei mesmo.. Alguma coisa que eu não saiba?
Se acho algo desnecessário, serão talvez as fotos...
sinto-o como uma homenagem.. uma maneira de lembrar o homem....
mas haverá algo sobre estes textos e a sua edição que eu não saiba?
fiquei a pensar nisso :/
ainda sei menos do que tu, dolphin.
mas, a propósito, sabem que já me interroguei da legitimidade de algumas publicações após a morte; por exemplo, nós gostamos de poder ler o conteúdo da "arca" de Fernando Pessoa ou Kafka ou o Diário de Anne Frank,...; mas não será um desrespeito pelas vontades dos autores ou face ao eventual desconhecimento de quais seriam as suas vontades?
Dito por: margem no dia 1 de dezembro 2003, às 18h45penso nisso sim... penso nas cartas do Kafka, na correspondência de Simone de Beauvoir... na música de Jeff Buckley...
mas, e pela a introdução do livro, o Albas é feito com textos que Sebastião Alba tinha com ele, outros que foi deixando com amigos e família. Muitos deles foi ele mesmo que tentou reunir para fazer um livro.
Não sinto que seja um livro feito à revelia da vontade do escritor... mas só sei o que li por quem fez a compilação e organização dos textos :/
pelo que li sobre ele hoje, parecia ser uma pessoa muita desprendida em relação às suas coisas...
os seus textos, nas mãos de quem os estimar, estarão sempre em boas mãos ;)
"os seus textos, nas mãos de quem os estimar, estarão sempre em boas mãos", concordo plenamente, também penso assim.
O meu senão, advinha do facto de ter lido uma notícia de 29.01.02 com o título "Guerras judiciais agitam «caso Alba»". No entanto, constato agora que esta nova publicação é de outra editora, que não a que refere a notícia.
pois... é dessas "lutas judiciais" que eu nada sabia :/
a acertei ao pensar que tu e o Luis tinham algum conhecimento sobre o assunto, que me estava a passar ao lado. :)
Dito por: dolphin.s no dia 1 de dezembro 2003, às 20h11De Sebastião Alba, tenho apenas um livro, a antologia da Campo das Letras - «Uma pedra ao lado da evidência» - e tenho-o porque há cerca de dois anos, talvez, li um artigo sobre o escritor (artigo na altura ainda on-line) datado de 19 de Novembro de 2000, na «Pública». Chamava-se "A história de Sebastião alba, uma furtiva lágrima", de Paulo Moura (segundo pesquisas agora efectuadas). Tocou-me imenso a sua história e depois a sua poesia - que não precisa da sua história para nada para ser tocante.
Depois, ainda li umas histórias sobre algumas questões judiciais. Não me recordo ao certo sobre o que se tratava, por isso prefiro nada mais escrever sobre.
Prefiro ir reler um pequeno conto que escrevi sobre ele.
Dito por: Sandra C. no dia 1 de dezembro 2003, às 21h09é o que sinto... pouco sabia da sua história quando o li... senti.
e isso não muda agora que sei mais um pouco.
e podemos encontrar o teu conto? vou procurar no tempo :)
Dito por: dolphin.s no dia 1 de dezembro 2003, às 21h15O conto estava na minha página (boticelli) mas já o coloquei no tempo também. :)
Dito por: Sandra C. no dia 1 de dezembro 2003, às 21h53Hoje faz 4 anos que o Poeta Sebastião Alba, Dinis para os amigos que o conheciam bem, foi atropelado por um condutor que se pôs em fuga. Em Braga.
A sua consciência o julgará. Talvez.
Como disse Machado da Graça, no jornal "Savana" de Moçambique:
"O dono do carro talvez tenha ficado com a ideia de que matou um mendigo miserável.
Mas não, matou um dos grandes poetas de Moçambique."
Dito por: antipax no dia 14 de outubro 2004, às 10h46Obrigada pela lembrança, antipax.
e um mendigo miserável seria sempre um homem...