No silêncio
Do meu desânimo triste,
Fui quebrando
As últimas ilusões...
Da vida não quero nada.
O que é que a gente constrói
Dando amor ou amizade?
Tranquiliza-te, sei bem:
Eras o único afecto
- Um frágil fio de cambraia
Envolvendo
A mais sólida ilusão -
Que se esvaiu como as outras...
Da vida não quero nada.
De tudo me hei-de esquecer...
E se aperto com dandismo
O nó da minha gravata,
É inda um defeito inútil
- Dos poucos que hei-de manter.
António Botto
Por vezes, é no silêncio que mais se escuta o tormento... o tormento de nada fazer, de nada dizer, de nada ver e de tudo lembrar.
Dito por: Teresa Sousa no dia 29 de dezembro 2003, às 11h51é também no silêncio que nos encontramos, único lugar onde nos conseguimos ouvir...
Dito por: dolphin.s no dia 29 de dezembro 2003, às 11h58provavelmente nada.
Dito por: arosendo no dia 29 de dezembro 2003, às 13h55Um belo poema de António Botto, poeta esquecido e preterido pelas preferências de moda, António Botto que Pessoa traduziu para inglês.
Dito por: Nuno no dia 29 de dezembro 2003, às 19h42