um homem chegado à maturidade já extraiu dos livros tudo o que é possível tirar deles: a ilusão e a dúvida. Não se pode andar eternamente com a biblioteca às costas, como um caracol; a única biblioteca pessoal que um homem pode ter é a da memória - a quintessência, o resíduo.
Danilo Kiss in Enciclopédia dos Mortos, O Livro dos Reis e dos Tolos
Um homem chegado à maturidade (e em que é que esta consiste?- permito-me eu perguntar), se devidamente amante do que lhe pode ser proporcionado por uma biblioteca (tb pessoal), já extraiu dos livros que a compõem algumas das coisas que é possível tirar deles: a ilusão e a dúvida (para não falar do resto).
Não podendo andar eternamente com a biblioteca às costas (até porque os anos vão pesando e esta irá sempre crescendo), é muito importante que a memória vá retendo aquilo que de mais significativo dela se pode extrair: para a sua Vida, na generalidade. Para a sua maneira de ser, estar e pensar, em particular.
Ah! E convém também reter cerebralmente, o(s) cheiro(s)que tal biblioteca tem inerente, contido(s) este(s), também, em cada um dos livros que a compõem. Porque da retenção desse(s) cheiro(s), ficam igualmente mais vivos os conteúdos a que podem corresponder. E assim, até porque a memória vai falhando, o Homem tem garantias que a tal biblioteca mais do que um sítio determinado ou uma mera divisão, foi algo impregnado de vida que consigo permaneceu e que sempre o acompanhou naqueles que foram todos os movimentos por que foi passando.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 23 de novembro 2003, às 14h31Pensemos na biblioteca (a tal pessoal) como um espaço de desafio. Como um retrato daquele a que pertence. Como um espaço onde se verificam diálogos permanentes. Como um espaço de silêncios. Como um espaço de inúmeros barulhos. Como um espaço de ilusões, sonhos e dúvidas, sim. Mas também como um espaço de certezas. De ganhos de confiança. Como um espaço proporcionador e assistente de revoluções. Como um espaço que assiste a mortes e a ressureições. Como um espaço que lava os mundos interiores daquele a que pertence.
Mas a biblioteca (a tal pessoal) é também um espaço que se não for devidamente cuidado, se torna produtor de bichos. De bichos que estragam, que corroiem. Pode igualmente tornar-se num espaço onde a humidade invade e se instala e o cheiro a mofo faz sentir mal.
A biblioteca tem que ser cuidada. Porque a biblioteca é um retrato. Mas porque é também um espelho.
E neste contexto o Homem pode ou não receber. Pode ou não usufruir. Pode ou não tirar proveito.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 23 de novembro 2003, às 14h44"Um homem chegado à maturidade (e em que é que esta consiste?"
uma boa pergunta.... :)
é impossível lembrarmo-nos de tudo o que lemos. mas acredito que a essência fica sempre connosco, acaba por fazer parte de nós.
nós somos uma mistura de muitas coisas, e entre elas está o que aprendemos com os livros.
quantas vezes ao reagirmos de certa maneira, ao dizermos algo, não estamos a fazer uso dessas reminescências.
boa tarde silêncios.
Dito por: arosendo no dia 23 de novembro 2003, às 15h08boa tarde :))
Dito por: dolphin.s no dia 23 de novembro 2003, às 15h27este cadito de palavras que puseste aqui, d.s (bomdia!), invoca muito respeito.
ontem foi um dia de muito respeito para mim.
tenho de voltar para a cama senão fico demasiado séria com a seriedade do homem e das palavras ideias missão.
um beijo especial para cada um dos especiais
muito tanto
estou de ressaca, bebi de tanto tanto ontem
vou-me enfrascar novamente, ressaca com ressaca se cura
o que valeu foi a canção de embalar e a intensidade das luzes
...cá estou no estado que a ressaca me permite...
Dito por: margarete no dia 23 de novembro 2003, às 18h21Boa tarde Del Fina
Venho requisitar 1 livro da sua biblioteca pessoal: o livro das golfinhas. Há muito que investigo sobre golfinhas. Segundo o Dr. Freud estas bestas marinhas vivem no profundo silêncio do abismo marítimo. São animais dóceis, se forem alimentados pelo seu petisco favorito: a Sarda.
Quando engolem a sarda erguem-se-lhes as barbatanas como asas e são capazes de saír da água como aves. Consta até que o poeta zarolho Luís de Camões ergueu a pala quando essas assim designadas tágides se camboleavam em voos vertiginosos sobre os sapais, onde o famigerado poeta se banqueteava engolindo sapos.Penso que estes estudos contribuam para que voltem a emergir do silêncio abrupto lindas golfinhas assim elevadas aos céus pelo implacável e dietético poder da sarda.
quem sois?!
arrisco um sorriso, não ligues aos olhos, estão sp arregalados, mm em ressaca
8)
Dito por: margarete no dia 23 de novembro 2003, às 18h32bom dia margarete.... curaste a ressaca? tou a precisar da receita...
Dito por: dolphin.s no dia 24 de novembro 2003, às 09h53