Embora eu seja adulto,
não me seduzem os brinquedos eletrônicos
que a moda, irônica, me oferece.
E excogito:
Que brinquedo inventar para o adulto,
privativo dele, sangue e riso dele,
brinquedo desenganado mas eficiente?
Tenho de inventar o meu brinquedo,
mola saltando no meu íntimo,
alegria gerada por mim mesmo,
e fácil, fluida, pluma
pétala.
Sem o pedir às máquinas e aos deuses,
que cada um invente o seu brinquedo.
Carlos Drummond de Andrade, in Amar se aprende amando
era mesmo isto!
tou sp a dizer isto
sp
mas baralho as palavras
perco a gramática
é mm isto!
se cada um inventar o seu brinquedo
pum! catrapum!
zás trás!
lá estás!
sei lá se vêem algum sentido naquilo que tou a dizer,
já tou habituada
digo-o há tt tpo... sem me conseguir explicar.
...era mm isto...
...era mm isto...
Dito por: margarete no dia 21 de novembro 2003, às 15h02:))))
o brinquedo que nos alimenta a alma... aquele que sabemos estar ali, guardado, a nossa fuga do mundo dos adultos.... o lugar para onde fujo todos os dias.
Dito por: dolphin.s no dia 21 de novembro 2003, às 15h08Um das características das sociedades contemporâneas é a desenfreada produção em série de tudo e, por isso, também dos brinquedos.
Uma das grandes características das sociedades contemporâneas é o desenvolvimento da electrónica e da informática e a sua aplicação a cada vez mais áreas, logo, também aos brinquedos.
Uma das grandes características das sociedades contemporâneas é a tendência para tudo homogeneizar e submeter ao mesmo tipo de projecto (seja este de que tipo for),criando-se desta forma um monstro cultural e civilizacional supostamente aglutinador.
Uma das grandes características das sociedades contemporâneas é, assim, manietar o indivíduo de acordo com os grandes traços evolutivos traçados e em desenvolvimento, dificultando-lhe, desta forma, posturas com cariz efectivamente diferenciado e destoante daquilo que é globalmente entendido como o "que é".
Assim sendo, como fica o mundo do sonho e da brincadeira?
O brinquedo pode, neste contexto, e simbolicamente, ser aquilo que faz ou pode permitir fazer a distinção. Mas como também estes são milhentas vezes iguais entre si, cabe ao indivíduo alguma imaginação. E essa imaginação será tanto mais conseguida se a originalidade for uma realidade. Mas essa máxima originalidade só pode ser conseguida na identificação plena do sujeito com o objecto, sendo que nessa identificação está inerente o tal ponto para onde a fuga pode ser direccionada. E será, pois, nesta especificidade do encontro que o indivíduo se pode descobrir, encontrar e ganhar capacidade para partilhar sentimentos que, de outra forma, seriam também eles padronizados: euforia, primeiro, e desinteresse, depois.
Que este poema de Drummond de Andrade seja entendido de uma forma muito representacional. Que ele seja entendido de uma forma muito simbólica. Se assim for, na minha opinião, o que há de substância em si pode ser muito mais rentabilizado.
Sandra :)
mas eu entendo-o de uma forma simbólica. o brinquedo de que fala Drummond, não o vejo de maneira nenhuma como um briquedo "a sério".
para mim é como disse, a minha fuga dos mundo dos adultos, o mundo do trabalho, dos horários, das rotinas... o mundo que me é imposto...
o meu brinquedo é tudo o que tenho para além disso, o que realmente me constrói, me dá prazer e os momentos de felicidade.
passei por aqui numa espreitadela. não tive tempo para brincar. mas volto. sem fugas.
Dito por: wilson t no dia 21 de novembro 2003, às 18h15:)))
fico à espera que venhas brincar connosco ;P
Dito por: dolphin.s no dia 21 de novembro 2003, às 18h20k a y
k a y
e l e p h a n t
para fugir,
canto uma canção
pigarreio, primeiro, para piorar a voz
1
2
3
1 elefante
que balançava, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como via que resistia,
foi chamar outro elefaaaante
2 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
3 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
4 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
5 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
6 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
7 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
8 elefantes
que balançavam, sobre a teia de uma araaaaaanha
e, como viam que resistia,
foram chamar outro elefaaaante
...................................................................................e l e p h a n t.................................................. está melhor assim kay?
não encontrei outra forma de remediar a situação
aproveitei
que gosto de cantar (cough cough)
e, sei lá...
está melhor a situação kay?
sai agora do cinema, caso não tenhas reparado...
(a cristal preta antes das 22h pode ser no dia 02 dez)
8)
Dito por: margarete no dia 21 de novembro 2003, às 19h08Quando a rudeza da vida não permitia brinquedos tecnologicamente tão avançados, coloridos e cheios de botões, as crianças pareciam mais felizes e mais concentradas nas brincadeiras que elas próprias inventavam.
Dito por: Gotinha no dia 21 de novembro 2003, às 19h11eu devo viver noutro planeta
eu vejo crianças
as crianças que eu vejo
ainda brincam com terra
fazem construções
inventam papas
invade~m os espaços da família, deixando as suas brincadeiras por lá até ao dia seguinte
eu devo viver noutro planeta!
estão com atenção vocês?
olharam bem para as crianças?
estarão só a repetir uma crítica?
é pá desculpem a arrogância de pretender saber o planeta opnde vivem, mas isto não é bem assim.
ainda esta semana, estive em casa de amigos,
foi mágico, deviam ter visto,
fizemos e pintámos desenhos,
a M de 4anos e o T de 10anos,
jantámos, conversámos,
mais...
vimos um vídeo, nesse bicho mau que todos querem assasinar,
vimos o Winnie the Pooh, txiiii, que mau, ainda por cima em versão brasileira, txiii, a deturparmos o português às pobres crianças...
é pá! não são lineares, as coisas
vimos o filme e divertimo-nos tanto que me doeu a barriga, rebolei nochão com eles
lembrámo-nos de dsitribuir as personagens por cada um de nós no início do filme,
a I era o piglet
o J o burro
a M o Winnie
o T o Tigre
eu o Abel
nem imaginam, a risota quefoi, impressionante vermos as semalhanças entre as personagens e o seu correspondente
a magia duma menina de 4 anos a participar em algo que podemos considerar um pouco elaborado para a idade
o J, que é o pai a mandarnos calar, começámos e acabámos com brinquedos modernos
divertimo-nos
a vida que fizémos
a vida que fazemos
só é de plástico se nós tb formos
viva a barbie!
viva terra a fingir papa!
viva a brincadeira seja com que brinquedos for!
e, adultos,
vá, vão inventar tb os vossos brinquedos...
Dito por: margarete no dia 21 de novembro 2003, às 19h42desculpem a verborreia
Dito por: margarete no dia 21 de novembro 2003, às 19h44adultos?!!!
eu disse adultos?!
enganei-me.
hoje um amigo disse-me 'quando eu era mais criança'
adorei!
(foi um lapsus de busca do termo pretendido)
mas eu adorei e não o deixei corrigir
...quando eu era mais criança...
Dito por: margarete no dia 21 de novembro 2003, às 19h50Naquela que é a minha infância em estado bastante mais maduro (ou seja, hoje) encontro-me diariamente rodeada de crianças "em estado realmente infantil", durante a maior parte do dia. E, realmente, o planeta parece ser outro. Parece ser outro porque a maioria delas não tem ou não tem plenamente aquilo que são direitos seus: família, brinquedos, alimentação saudável, higiene, conforto, apoio, AMOR. Praticamente tudo lhes falta. E dessa forma vêem os dias passar, sem neles viver da forma que, para si, seria a mais adequada. A infância, essa, já foi perdida há muito por grande parte deles. O direito de sonhar nunca lhes foi possibilitado e as suas limitações são confrangedoramente reais. E doem muito. E fazem sentir dor a quem a tudo isso assiste (e que tenha a capacidade de ver, obviamente).
Quando estas crianças atingirem a fase adulta, a sua capacidade para construir os seus próprios brinquedos estará certamente bastante limitada. A lembrança dos mesmos, eventualmente, nem sequer existirá. Prevalecerá a resposta a estímulos e necessidades mais básicas. Mas muito cruamente. Muito realisticamente pelo passado que tiveram, que é o presente, hoje.
Se bem que os fundamentalismos deterministas devam ser interrogados, creio que para estes casos que refiro, o que prevalecerá será a ausência do sonho. O esquecimento do que é brincar. Um manto de escuridão num caminho que se desejaria diferente.
Não, não estamos noutro planeta! Estamos neste planeta. Que é tão grande e tão diverso. Tão escandalosamente diferente. Tão diferente que os íntimos de uns nem sequer são vislumbrados pelos íntimos de outros.
E lá se vão os brinquedos. Os "brinquedos, brinquedos" e os brinquedos construidos no interior de cada Homem.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 21 de novembro 2003, às 21h13Estava a pensar naquela frase de Pessoa, aliás, B. Soares: "posso imaginar-me tudo porque não sou nada".
Mas não! nada tem a ver com essas crianças, Sandra; é como dizes: elas são já alguma coisa; e o que são (que também é o contexto em que crescem) é exactamente o que lhes condiciona a capacidade de imaginar. Quando há necessidades tão básicas e realidades que obrigam a crescer depressa, que espaço para o sonho, a brincadeira,...?
Ainda assim acredito que, mesmo com limitações, todas as crianças têm uma capacidade natural, intrínseca, de sonhar, imaginar e a escola talvez possa ajudar um pouco nesse campo (talvez, porque a escola também faz parte de um sistema com muitas condicionantes; e porque a escola não pode ser tudo, não pode substituir-se à família, à assistência social, e por aí adiante) - se calhar desviei-me do assunto, mas neste planeta há realmente crianças e crianças, e eu vejo o futuro com muito pessimismo -
A escola não pode deixar de ter dificuldades em lidar com determinado tipo de situações.
De facto muitas das crianças com quem eu partilho um espaço- a escola-têm uma capacidade de sonhar muito reduzida. As suas limitações são muitíssimas. A sua realidade/o seu mundo é muitíssimo condicionado ao bairro onde vivem, às pessoas com quem convivem e aos familiares directos que têm. E garanto-te que as referências não são as melhores. Basta pensar que os pais tb não tiveram infância. Que os pais vivem realidades como o alcoolismo, a droga, a prostituição, a falta de emprego ou a máxima da precaridade. Que o modo de educar que melhor conhecem são os gritos e a pancada. Enfim...
O espaço para o sonho é realmente muito pouco. E isso é tanto verdade quanto tu olhas para alguns dos olhos daquelas crianças e vês revolta. Pela falta de algo que eles sabem que precisam, mas muitas das vezes não sabem bem o que é. E é tanto. Tu e eu sabemos que é tanto. Eles apenas têm essa impressão e desejam algo...
Claro que tudo isto se relaciona com o poema do Drummond de Andrade. Não devemos ter uma postura rígida e uma visão espartilhante da Poesia. Aqui a relação é possível.
Que brinquedos para os futuros homens e mulheres que me rodeiam, hoje crianças, diariamente?
Eventualmente a própria VIDA será/seria o melhor brinquedo. Mas não a VIDA, simplesmente. A VIDA com tudo aquilo que ela pode ter de enriquecedor e de grandioso. A grande questão é a criação de condições para essa procura interior e para algum achar exterior. E as condições faltam... A miséria parece que se perpetua. É horrivel constatar e assistir a isto. Mas a dura realidade é esta.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 22 de novembro 2003, às 21h39lamentavelmente, parece-me um triste ciclo vicioso...
trabalho com adolescentes e numa escola de realidades bem diferentes da tua; há casos muitíssimo pontuais, mas a generalidade tem uma VIDA, e o que me custa às vezes é ver como não valorizam o que têm;
não sei se conseguiria lidar com as situações que descreves.
tu lidas, e tens contribuido para melhorar as coisas: admiro isso e FORÇA, sempre!
Ás vezes basta só dar um pouco de atenção, lançar um olhar carinhoso, dar um beijinho ou um abraço.
Aquilo que (lhes) faz muita falta.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 22 de novembro 2003, às 22h37