Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores
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À morte não a ouvimos, porque já na intimidade da casa anda de chinelos
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Olharam-se de janela a janela em dois comboios que iam em direcção opostas, mas tal é a força do amor que logo os dois comboios se puseram a andar para o mesmo lado
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Sofá-cama: os sonhos ficam em baixo, a conversa em cima.
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Nervosismo da cidade: não conseguir abrir o pacotinho de açucar para o café.
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Escrever é que nos deixem rir e chorar sozinhos.
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Na escola, o colega da carteira atrás é quem nos faz a primeir radiografia.
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Pôr as peúgas do avesso é ir para trás em vez de ir para a frente.
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O primeiro beijo é um roubo.
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À tardinha, passa em voo rápido uma pomba que leva a chave para fechar o dia.
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A estrela cadente é uma malha que cai na meia da noite.
Ramón Gómez de La Serna
Selecção e tradução de Jorge Silva Melo, © Assírio & Alvim, Colecção Gato Maltês.
No Prefácio
Porque se chamam Greguerías?
Quando encontrei o género, dei-me conta que tinha de procurar uma palavra que não fosse artificial nem demasiado utilizada, para bem as baptizar.
Meti então a mão no saco das palavras e ao acaso, que deve ser o melhor padrinho dos achados, tirei uma bola...
Era greguería, ainda no singular; mas eu plantei essa bola e tive um jardim de greguerías. Fiquei com a palavra pela sua sonoridade, mas também pelo que esconde no mistério do seu sexo.
Greguería, algaravia, gritaria confusa (Em anteriores dicionários significava a gritaria que fazem os leitões atrás da mãe). O que gritam os seres confusamente, o que gritam as coisas.
Mas o que são as Greguerías?
Frases lapidares? A greguería não sai de debaixo de nenhuma lápide mortuária. Adágios? Refrões= Nã, nã. Nem uns nem outros: nem adágios, qu são demasiado tristes e elegíacos; nem refrões que são coisa infecciosa.
Nela não deve haver sentimentalismo rabilargo nem pirismo rabicurto, nem descrição. Longe de serem calinadas ou lugares comuns.
Têm qualquer coisa de tropo, porque no tropo as palavras podem ser ditas em sentido diferente do natural (...)
São aforismos?
O aforístico é um género - já se disse - que não encolhe porque a sua brevidade o não permite.
Não. Também não é aforística a greguería; o aforismo é enfático e opinante. Não sou um aforista.
Fica-se então pela metáfora?
O material e o imaterial podem ser objectos de metáfora.
Todas as palavras e frases morrem na sua origem correcta e literal, e só atingem a glória quando passam a metáforas, porque as metáforas as tornam abstractas e embalsamadas.
A metáfora multiplica o mundo, não ligando à retórica que proíbe enlaçar as coisas só porque é impotente para o fazer -
Humor + metáfora = greguería.
BANG! BANG!. . .. ..... .. .. . . . .. . . .. . . . .. . . . . .. .. . . . .. . . .. .. . . .. . ... . . .. . .. . ...... ....... .. ... . .. .. ..... .. .. . .. .. ... ..... . .. . ...... ... .. . . .. . .. .. . . .. . .. . .. .. .. .. . ....silêncio. .. . .. . .. .. . . .. .... .. ..... .. . .. .. .. .. .
elephant
Dito por: kay no dia 19 de novembro 2003, às 11h05tadito
ficou mm mal
kay
volta para nós!
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 11h06argumentos!!! preciso de argumentos para desisite de ir ver o 11 perspectivas!!!
Dito por: dolphin.s no dia 19 de novembro 2003, às 11h11não tenho argumentos - é possível que o que senti não tenha nenhum tipo de réplica em ti - não te sei dizer - nem sequer gostei muito do ritmo do filme - mas é (quase) perfeito - não podia ser diferente - não consegui dormir - a coisa foi-me batendo cada vez mais forte na cabeça - não consigo acreditar que tal tenha sido possível - mesmo com a consciência de que a estória do filme é ficção - mas é assustadoramente real - a universalidade com que o acontecimento é retratado é avassaladora - todas as escolas secundárias são (quase) iguais em qualquer parte do ocidente, bem como as suas células vivas, os adolescentes o são - podia ter sido eu a apanhar um tiro nos cornos? podia ter sido eu a disparar uma arma sobre um amigo? . .. . .. .. . .. . . .. . ... .. .... .. . .. . . . . . . ...... .???.. .. . .. . .. . ..... .. é um elefante.... ..não o consigo engolir.. ..
Dito por: kay no dia 19 de novembro 2003, às 11h24quero mais.... :o)
Dito por: Luis Ene no dia 19 de novembro 2003, às 11h33olha outro k tb não conseguiu dormir...
e nem sequer fui ver essa coisa que nem vou nomear não vá dar o bloqueio ao rapaz novamente.
tá decidido vou ver.
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 11h37olá luis, long time...
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 11h37eheheheh
nem imaginas a quantidade que eu tenho sublinhada! :))
estas foi a que tive tempo de passar para o pc qdo cheguei ao escritório... mais logo trato disso ;)
Dito por: dolphin.s no dia 19 de novembro 2003, às 11h37É ficção mas é baseado no Colombine, certo?
tenho que o ir ver.... deixaste-me mesmo com vontade...
deixei passar columbine.
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 11h44Era uma vez um homem que aprendeu a viver lentamente… e ficou muito satisfeito com a sua descoberta. Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores. Como dava passos lentos duravam-lhe mais os sapatos. Como imaginava com lentidão, duravam-lhe mais tempo os sonhos. Como vivia lentamente durava-lhe mais a vida. E, fosse como fosse, nunca mais se viu grego para viver, pois pouco a pouco até os problemas que antes o atormentavam lhe passavam à frente, tão lentamente ele os vivia, pois então… pois então…
Dito por: Luis Ene no dia 19 de novembro 2003, às 11h46:)))))
e pronto!!! é por causa de coisas assim é que me rendo às evidências e limito-me a copiar o que os outros já escreveram :)
tá lindo, Luis!! :)))
Dito por: dolphin.s no dia 19 de novembro 2003, às 11h56Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores, assim, à morte não a ouviu, porque já na intimidade da casa de janela a janela que iam em direcção opostas, mas tal é a força do amor que logo os dois se puseram a andar para o mesmo lado. No sofá-cama os sonhos ficaram em baixo, a conversa em cima.
Nervosismo: não conseguir abrir o pacotinho. Deixem rir e chorar sozinhos.
A escola, é quem nos faz a primeir radiografia.Ir para trás em vez de ir para a frente.O primeiro beijo é um roubo, logo, à tardinha, passa em voo rápido como uma pomba que leva a chave para fechar o dia.A estrela cadente cai da noite.
eu copio e distorço
8(
então dá mais material para o pessoal aqui 'trabalhar'
verborreia is my cognome today
oh luís,
falta aqui a concertina do meu pai para a desgarrada
juro que punha as mãos à cintura e balançava de um lado para o outro.
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 12h09agora não posso.... queres-me sem emprego e sem dinheiro para comprar livros!!! eheheheh
Dito por: dolphin.s no dia 19 de novembro 2003, às 12h148-) Dançar lentamente um corridinho ora aí está uma coisa que gostaria de fazer... tipo matrix, com certeza!
Dito por: luis ene no dia 19 de novembro 2003, às 12h16a biblioteca daqui empresta livros a 2.49€ por ano.
eu dou-te pão.
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 12h17aviso já que ficam todos pisados.
graciosidade não é comigo.
só mãos à cintura.
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 12h18oh luís,
como se dança o corridinho 'lentamente'?
Dito por: margarete no dia 19 de novembro 2003, às 12h18