Vista de perto, toda a gente é monotonamente diversa. Dizia Vieira que Frei Luís de Sousa escrevia «o comum com singularidade». Esta gente é singular com comunidade, às avessas do estilo da Vida do Arcebispo. Tudo isto me faz pena, sendo-me todavia indiferente. Vim para aqui sem razão, como tudo na vida.
Do lado do oriente, entrevista, a cidade ergue-se quase a prumo falso, assalta estaticamente o Castelo. O sol pálido molha de um aureolar vago essa mole súbita de casas que para aqui o oculta. O céu é ide um azul humidamente esbranquiçado. A chuva de ontem talvez se repita hoje, mas mais branda. O vento parece leste, talvez porque aqui mesmo, de repente, cheira vagamente ao maduro e verde do mercado próximo. Do lado oriental da Praça há mais forasteiros que do outro. Como descargas alcatifadas, as portas onduladas descem para cima; não sei porquê, é assim a frase que me transmite aquele som. É talvez porque fazem mais esse som ao descer, porém agora sobem. Tudo se explica.
De repente estou só no mundo. Vejo tudo isto do alto de um telhado espiritual. Estou só no mundo. Ver é estar distante. Ver claro é parar. Analisar é ser estrangeiro. Toda a gente passa sem roçar por mim. Tenho só ar à minha volta. Sinto-me tão isolado que sinto a distância entre mim e o meu fato. Sou uma criança, com uma palmatória mal acesa, que atravessa, de camisa de noite, uma grande casa deserta. Vivem sombras que me cercam - só sombras, filhas dos móveis hirtos e da luz que me acompanha. Elas me rondam aqui ao sol, mas são gente.
Bernardo Soares, in Livro do Desassossego
a sensação que tenho é de que estas palavras foram escritas por ti d.s (heresia? desculpem.)
imagino-me naquela sala que está ali em baixo
tu tb
cada uma com um xaile frio
vou acariciando o cão
há chá
há frio
há palavras
tuas
eu oiço
quero aprender ctg
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Desassossego
que bonito dia.
Dito por: margarete no dia 18 de novembro 2003, às 10h38eheheheh
muito do Desassossego sinto-o como escrito para mim, sim.... é muito fácil sentirmo-nos sós no meio da multidão... ou pelo menos isolados, num mundo que não pertence aquele... sentirmo-nos de outro planeta ;)
bom dia! :)
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 10h43yup!
another planet.
hoje tou ainda mais lenta do que de costume:
d e s a s s o s s e g o
8§
hoje está frio.. e eu estou a pensar no Sol a entrar pelas gretas do estore e a bater no endredon, na cama... apetece-me voltar para o cheiro do meu quarto.
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 10h48
Todos os dias me rendo à harmonia das suas escolhas...e ao silêncio que me inspira dentro.
Pela saudade que me faz sentir e ver que ainda há qualidade em Portugal...
Obrigada
Rosa Leonor
Dito por: Roa Leonor Pedro no dia 18 de novembro 2003, às 10h53.... obrigada eu Rosa :)
pelas palavras e pela companhia :)
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 10h58oh rosa!
se eu tivesse confiança já respondia ao "ainda há qualidade em Portugal..."
enfim
pronto
rosa é um nome bonito, está bem...
olá!
8)
olá....
... . .. . .há qualidade em portugal. . ... . .claro que há .. . . .. ..somos os melhores em muitas coisas, a saber: violência doméstica, acidentes de automóvel, iliteracia, trabalho infantil, abandono escolar, falta de condições prisionais, inexistência de meios de reinserção social, défice público, casos de sida na população toxicodependente, mau planeamento urbano e arquitetónico, corrupção, etc
Kay repondo a verdade. porque a verdade sempre contempla as várias facetas de uma questão, não?
(boa tarde a todos!)
Dito por: margem no dia 18 de novembro 2003, às 12h47és mau kay.
não goto ti axim.
piolhoso (hehe)
qdo for tem de ser antes das 22h, qdo a cristal preta é mais barata!
boa tarde margem
8)
boa tarde a todos
hoje já recebi 2 convites,
um para além dos oceanos, foi mais uma ordem , vou cumprir, quero conhecer os cangurus...
para hoje, jantar borrego
quem quer vir comigo?
o meu carro ainda tem + 4 lugares.
kay, tu só podes vir se fizeres uma verdadeira lista de qualidades portuguesas
quer dizer, eu é que sou a portuguesa distorcida e vcs é que desconhecem o país
tsc tsc
mmmmmmmmmm
porquê ter orgulho e defender algo que é apenas o bocado de chão onde calhou ter nascido?
detesto fronteiras. são apenas linhas traçadas no chão. linhas que controlam e delimitam a nossa vida.
identifico-me e gosto muito da cidade onde vivi toda a minha vida. faz parte de mim. agora, mas porquê com o país?
porque me há-de dizer um bocado de portugal a 200 km daqui, do que um bocado de espanha à mesma distância? só pq está deste lado da linha?
e eu estava aqui a ver se me ocorria alguma qualidade portuguesa para ajudar o kay, mas está difícil...
Kay, lá se vai o jantar de borrego ;)
Dito por: margem no dia 18 de novembro 2003, às 13h24er....
talvez pq eu estou a 200km?!
egos à parte, claro!
tb não gosto de fronteiras
e sp que encontro esta palavra lembro-me da espressão do pequeno principe
qdo lhe falaram de fronteiras,
incrédulo com essa ideia absurda
mas elas existem
srs
meus caros srs
não sou laranja nem rosa
não me quero sentir nesse tipo de defesa
mas
meus srs
se sabem apontar defeitos
como dizes d.s,
essa matemática funciona nos dois sentidos
necessariamente, necessariamente!
tem de haver qualidades
tem, não!
há
existem
(e eu não nasci em portugal!)
bolas
queria tar no café convosco
arregalava os olhos muito muito
e vocês fingiam que se assustavam...
8)
Dito por: margarete no dia 18 de novembro 2003, às 13h25mas as qualidades ou os defeitos têm a ver com o pais???
são os lugares, são as pessoas.... seria diferente estares esses 200kms do outro lado da fronteira?
o pais... o país serve para delimitar as minhas fronteiras, já que as limitações que ele me dá, me obrigam a continuar por cá.
as coisas boas não desapareceriam com a fronteira... algumas das más, concerteza que sim.
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 13h32eu considero que o nosso elo de união é a espécie - a qualidade Humana. as divisões fronteiriças, concordo com a dolphin, não passam de convenções estratégicas. mas não perco a noção de que há diferenças que não se podem subestimar - as culturais... considero-as uma enorme vantagem que o ser humano tem sobre as outras espécies... em termos de prevalência... sem desconsioderar as outras espécies, claro... mas a ignorancia acerca delas pode ser factor aproveitado para criar destabilização...
quanto a portugal, não sei explicar, mas sinto-o com mais carinho... pode ter sido só uma questão de formação, não sou patriótico, nem nada que se pareça, mas tenho pelo capital humano do país o carinho que se tem pelos bons colegas de trabalho, pois sinto o resto dos da minha nacionalidade como isso, um grupo que trbalha num mesmo projecto, que constrói um mesmo destino... não sei muito bem... mas gosto dos portugueses, tenho carinho pela nossa história, adoro o fado e a fatalidade... detesto o portas e a ideia de o país se tornar um refém do portas esse filho da p**a que queria que a malta cantasse o hino e fosse celebrar as forças armadas... um gajo que quer um povo estúpido fechado sobre o passado e sobre si mesmo...
vou à casa de banho vomitar, volto já
margarete, por mim tá bem - sou de cá... qualquer hora serve... (fiquei melancólico, já não me chamavam piolhoso há 20 anos)
Dito por: kay no dia 18 de novembro 2003, às 13h36e antes de haver fronteiras, não existiam já, não existiram sempre, culturas diferentes?
as froteiras promovem a segregação, o preconceito, o nacionalismo.... a fronteira até um dos principais argumentos do paulinho seboso...
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 13h44esta manhã fui a ayamonte fazer compras (negócios), e isto para dizer que não gosto de passar fronteiras. perturba-me, fico assustado com alguns aparatos alfandegários. em contrapartida, quando me desloco a huelva para qualquer encontro cultural, nem penso que existe uma fronteira.
Dito por: arosendo no dia 18 de novembro 2003, às 13h46de huelva tenho fotos... mas só dos pombos ehehehehehehe
um bocado a despropósito, eu sei... mas lembro-me - ou lembram-me - sempre disso quando se fala de huelva :D
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 13h51não me parece que estejamos em desacordo quanto ao essêncial, dolphin... a unica diferença é como sentimos algo que vemos da mesma maneira
não me parece no entanto que o problema seja as fronteiras - a ignorancia acerca das diferenças culturais e o medo do desconhecido é que são os problemas e esses é que levam ao aproveitamento da imagem da fronteira para fins autocráticos e déspotas....
a fronteira como linha que delimita dois espaços com estruturas organizacionais diversas, dois projectos, dois enquadramentos sociais e legais, não me choca... porque tenho a presunção que conheço o outro, por muito que o desconheça, e ele não me é desconfortável enquanto tal...
Dito por: kay no dia 18 de novembro 2003, às 13h55até parece que eu defendi as fronteiras, bolas
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olha kay, a única vez que fui verdadeira piolhosa foi há 22 anos atrás qdo vim para protugal
assim que cheguei à escola... zás
piolhos e uma carraça atrás da orelha - febre, e, assim, conheci logo a fauna por cá, hehe. de cabelo comprido... pum, pedra na minha alma, corte à tigela.
agora, qdo sou piolhosa é por opção... tu sabes.
repito,
não defendi fronteiras
oh! pá!
se não fosse o vidro,
eu era mais fluente...
não consigo, assim
estou a ficar blogdisfuncional
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Dito por: margarete no dia 18 de novembro 2003, às 14h08de noite os pombos dormem.
Dito por: arosendo no dia 18 de novembro 2003, às 14h08ã?
Dito por: margarete no dia 18 de novembro 2003, às 14h10sim, também acho que no essêncial concordamos...
mas por exemplo, se eu quiser viver noutro lado qualquer, fora desta fronteira, não o posso. Ou melhor, não posso fazê-lo apenas porque quero e pq acho que é melhor para mim. tenho que ter sempre autorização de algum poder superior para ocupar um espaço de terra diferente daquele onde nasci.
e isso irrita-me sobremaneira!
a folha de vidro não é uma fronteira.
Dito por: arosendo no dia 18 de novembro 2003, às 14h12É...
Dito por: margarete no dia 18 de novembro 2003, às 14h46Pois meus amigos todos...Portugal tem fronteiras e tem "Portas" que é muito mais execrável que as linhas imaginárias que nos dividem, mas eu falava da língua do Pessoa ou da Pessoa que somos quando somos e é ai que bate o ponto? E do rítmo ou da saudade que é memória de um chão e que entra em ressonância com outros pontos e poros de nós...é isso que faz uma terra e que nos faz viajar ao fundo da alma no silêncio de dentro...o que cada um encontra!
O que estes textos fragmentos me acordaram para além das fronteiras da mente? O gosto simplesmente e também os paradoxox, gosto...
Rosa Leonor
as conversas são como as cerejas, não é Rosa? ;)
Dito por: dolphin.s no dia 18 de novembro 2003, às 18h07Poderia sintetizar o escritor (que é, mas que é o outro simultaneamente)o seguinte:
sou só porque sou diferente.
sou só porque escolho o isolamento.
sou só porque engoli a solidão.
sou só porque me identifico com um estado.
sou só porque me embrulho no distanciamento.
sou só porque me alimento do vazio não preenchido pelos outros.
sou só porque me desejo assim.
sou só porque me anseio assim.
sou só porque não quero arrastar mais ninguém para o mundo de sentimentos em que vivo.
sou só porque não me apetece partilhar.
sou só porque não me apetece ser no preenchimento alheio.
sou só porque tudo me cansa, me esmaga, me apavora.
sou só porque sim.
sou só porque sim.
... sou só porque sim...
Sandra
Dito por: Sandra no dia 18 de novembro 2003, às 18h17