novembro 14, 2003

Cinzas...



Munch - Ashes

Edvard Munch, Ashes

Publicado por dolphin.s em novembro 14, 2003 10:05 PM
Comentários

aplica-se perfeita/ à peça do Harold Pinter... brilhante!!!

Dito por: jm no dia 14 de novembro 2003, às 22h43

:)

parece pintado por ela (peça)... ou vice-versa..

Dito por: dolphin.s no dia 14 de novembro 2003, às 22h46

Parabéns pelo blog. Força!

Dito por: Ronda no dia 14 de novembro 2003, às 22h50

Obrigada Ronda :)

Dito por: dolphin.s no dia 14 de novembro 2003, às 22h55

de que peça falam?

Dito por: margem no dia 14 de novembro 2003, às 23h30

da peça Cinzas, de Harold Pinter ;)

Dito por: dolphin.s no dia 14 de novembro 2003, às 23h36

não conheço. o autor também não, só o nome

cinzas de um afecto? de um encontro? de uma vida?

Dito por: margem no dia 14 de novembro 2003, às 23h39

cinzas de tudo isso... de afectos, de vidas, de gente...

espreita aqui: Cinzas

Dito por: dolphin.s no dia 14 de novembro 2003, às 23h44

obrigado, estive a dar uma vista de olhos ;)

de incompreensão, então, se fala, de ausência de diálogo, de monólogos em simultâneo, e de relações de poder...

cinzas são as palavras

Dito por: margem no dia 14 de novembro 2003, às 23h56

sim.. e das cinzas de um afecto...

Dito por: dolphin.s no dia 15 de novembro 2003, às 00h20

às vezes olho em volta e vejo cinzas
mas também sei que cinzas é o meu olhar sobre as coisas
uma desesperança

são frágeis as papoilas,
digo, as palavras

Dito por: margem no dia 15 de novembro 2003, às 00h33

Vejamos "Cinzas" em várias perspectivas: na perspectiva de algo que se destruiu e acabou para sempre, na perspectiva de algo que deu por finda uma determinada fase, significando as cinzas não o término absoluto, mas os resquícios de alguma(s) coisa(s) que levará(ã)o, por sua vez, a estados, realidades e situações novas ou, por fim, como algo que resulta de um desfazer mais ou menos lento e que, a partir daí, se vai transformando num pó de cinzas que pode ter um dos resultados anteriormente referidos.
Assim, estamos perante "Cinzas" num significado de destruição absoluta, num significado de regeneração e num significado intermédio com perspectivas possíveis.
As "Cinzas" poderão ou não ser mexidas antes de um estádio final. Poderão ser (re)aproveitadas positivamente e por isso ser ou acabar por ser gostadas.
"Cinzas" como referência para o Bem ou para o Mal, para o Bom ou para o menos bom.
"Cinzas" absolutamente negras ou "Cinzas" cinzentas.
"Cinzas" que se atiram ou que voam definitivamente por aí ou "Cinzas" que se pegam com as mãos, se aconchegam nas mãos, se envolvem nas mãos, se respiram, se levam para casa e se põem a crepitar numa ladeira, delas permitindo a absorção e o sentir do calor.
"Cinzas" do nada que restou ou "Cinzas" do novo ou melhor que poderá vir a ser.
A Existência, o Ser, o Estar, o Fazer, o Evoluir, implica(m) sempre a existência de "Cinzas". Mas de "Cinzas" de várias espécies.
A relação entre todos eles implica esforço, doseamento, conflito ou harmonia. Rupturas maiores ou menores. Términos destruidores ou regenerativos.
Elas, as "Cinzas", são.
Existem em perspectiva e existem realmente.
Existem em potência ou existem em acto.
Existem dentro e por entre a escuridão, amalgamando-se ou confundindo-se com ela ou existem perante uma claridade com tons diferenciados que permitem ou possibilitam recuperação, evolução, amadurecimento, elevação.
As "Cinzas" resultam e significam destruição.
As "Cinzas" resultam e significam realidades recuperadas, terapias, ressureição.
As "Cinzas" envolvem a Alma.
Envolvem a Alma que é nossa.
Sufocam-na ou libertam-na.
Perfuram-na ou acariciam-na.
Mas as "Cinzas" acabam sempre por estar lá.
E significam o que somos.
O que vamos sendo.
O que nos permitam que sejamos.
O que desejamos ser.
E as quantidades variam.
Variam muito.
Variam tanto.
E há o peso da desgraça.
E há o peso do Bem o do Bom.
E há sempre o peso de tudo.
Porque elas são um caminho ou um fim.
Porque elas são em nós.
Porque elas são-nos.
Porque elas são o que há de físico e o que há de espiritual.
Porque elas são um Todo.
Porque elas são um espelho.
Porque elas são o espelho que traduz o nosso reflexo.
Porque cada grão de si é um olhar e um sentir de nós que já foi ou que ainda poderá vir a ser.

Sandra

Dito por: Sandra no dia 15 de novembro 2003, às 07h56

Mais especificamente sobre a pintura apresentada: vale sempre a pena debruçarmo-nos sobre o fogo que está por detrás das cinzas. Mas, muito importante, é saber olhar também de forma diferenciada para esse fogo, pois o que o provocou varia de situação para situação.
QUEM FOI O INCENDIÁRIO? Houve só um incêndiário? Ou os incendiários foram dois? Ou outros que não estão explicitamente visiveis ou expostos? Mas os incendiários não podem ser também situações, contextos, detalhes ou pormenores desprezados ou ridicularizados? O QUE FOI QUE INCENDIOU?
Que homem ou que mulher se assumem aqui como a(s) verdadeira(s) chama(s)? QUEM SÃO? O QUE PENSAM? Como se comportam ou comportaram? O que defendem? Do que têm medo? E o que está à volta é o quê?
Por outro lado, atentemos às CORES. Escuras? Demasiado escuras? Sinais de um incêndio existente? Sinais de um incêndio que ainda é e que vai continuar?
EXPRESSÕES! De cansaço? De resignação? De aflição? O fogo é porque é! As cinzas são porque são! Tudo foi/é inevitável? Tudo será inevitável?
POSTURAS! Doentes...muito doentes ou em estado de intervalo da luta? Acabadas de vez? Paradas momentaneamente para novo embate? E ao fundo? Só cinzas? E no meio? Cinzas? E por todo o lado? Cinzas? Mas e o fogo? Porquê? Porquê? Quando? Desde quando? E voltamos aos incendiários: quem? Realmente quêm ou o quê?
ESPERANÇA! Haverá esperança?
DIÁLOGO! Haverá ainda espaço para diálogo? Haverá ainda vontade para ouvir? Para querer ouvir?
E AS MÃOS! Na cabeça...sempre na cabeça? SIMBOLISMO(S)? De tudo... De nada... De alguma(s) coisa(s)... De sempre? Para sempre? Até quando?
SONS! Silêncio?... Gritos?...Murmúrios?...Lamentos?...
E há TUDO... E não há NADA...
Terá havido... Acabou... Acabou...
Com tristeza terá acabado... Com dor...
Permanente?... Passageira?...
Ficam as CINZAS... Ficam os CORPOS...
Ficam as queimaduras das expressões...
Ficam as queimaduras dos sentimentos...
Ficam as queimaduras...em que grau?
Ficam as crostas... Ficam as cicatrizes...
E as cinzas...sempre as cinzas...
Por aqui. Por ai. Guardadas. Confundidas com o resto. Para além dos cheiros e dos olhares... Para além de tudo... mas sempre, sempre LÁ.
Pelo que já FOI. Pelo que É. Pelo que poderá VIR A SER.

Sandra


Dito por: Sandra no dia 15 de novembro 2003, às 10h13

Bom dia!!! :))
Madrugadora, ninguém te disse que hoje é sábado??? ;PPP

Dito por: dolphin.s no dia 15 de novembro 2003, às 12h40

Ninguém te falou ainda em "pica toda" depois da fase da letargia?

Sandra :)

Dito por: Sandra no dia 15 de novembro 2003, às 12h50

LOL!!!

ok...ok.... 1-0 ;P

Dito por: dolphin.s no dia 15 de novembro 2003, às 12h55

a sandra no seu melhor.

Dito por: arosendo no dia 15 de novembro 2003, às 13h53

:))))

o retiro trouxe-a em força ;)

Dito por: dolphin.s no dia 15 de novembro 2003, às 14h14

Eis-me no real exemplo do "renascer das cinzas".

Sandra ;)

Dito por: Sandra no dia 15 de novembro 2003, às 14h21

e que assim permaneça para sempre.

Dito por: arosendo no dia 15 de novembro 2003, às 15h46

ah-mãe.

Dito por: jm no dia 15 de novembro 2003, às 19h19

Parece algo do tipo: alguém fez porcaria:))
"Someone always comes and cleans it up, someone always does i wish..", mas nem sempre...

Dito por: spencer no dia 15 de novembro 2003, às 21h03