© Peter Essick
Near the Altamaha River, Georgia, 1997
National Geographic
nublado, sinuoso, escorregadio, é assim que vejo o novo ano que se aproxima.
no entanto, é possível olhar com atenção. vislumbrar beleza nos ramos que se erguem acima do solo, entrever pedacinhos de céu nos intervalos das ramagens. para uns, será possível confiar nessa visão. para outros, só será possível desconfiar dela. para outros ainda, ela é definitivamente mera alucinação.
uma visão mto parecida à minha ;)****
Dito por: dolphin.s no dia 31 de dezembro 2003, às 13h58Já fui habitante dos caminhos nublados.
Dito por: Rita_Mulholland no dia 1 de janeiro 2004, às 19h28um caminho como o de Essick: de manhã, 7.30, muito frio, nevoeiro, terra geada, cheiros, botas suficientes para a lama e os charcos; o calor do corpo. tentem, arrisquem tudo, ignorem as fotografias que não bastam.
Dito por: josephK no dia 4 de janeiro 2004, às 18h23as fotografias e os poemas também podem ser memórias do futuro, não podem? provoquem-se as sensações que adivinham iriam sentir. morte à metáfora: o caminho de Essick não representa nada para além dele próprio. respire-se fora dos mitos e das figuras literárias.
Dito por: josephK no dia 4 de janeiro 2004, às 18h28"as fotografias e os poemas também podem ser memórias do futuro, não podem?"
questão interessante esta... não sei se quer dizer: antecipações do que poderá ser o nosso futuro se agirmos concretamente nesse sentido. se pode parecer simples, também é estranho: como ter saudades do futuro, do que há-de ser...
(jk, uma pequenina dúvida: o que é "o caminho de Essick"?)
sim, memórias do futuro porque é aí que o desejo se projecta (apesar de andar a cogitar que se inscreve no passado).
e contra esta ditadura que nos cerca proponho o presente, nunca numa abordagem pseudo-hedonista de fuga mas na imensa necessidade que sinto de ter mais noção de mim (não de me definir mas de me sentir), vivendo. agora (porque sou um ser desejante e estou sempre em falta ou estaria morto), por causa de ontem e de me imaginar amanhã, que é daqui a 2 segundos.
o caminho de Essick foi só o que chamei à foto do post e ao dono da máquina (um artifício, portanto).
;-)
As fotografias, os poemas, os livros, a pintura - não são sempre um retrato do futuro?
Se lês algo escrito há 1 século e te identificas com isso, foi com certeza um retrato do futuro.
Se assim não fosse, a arte seria sempre um nado-morto... morria com o próprio acto da sua criação.
um retrato do futuro pelo seu carácter universal e atemporal? porque, independentemente das épocas ou das formas de expressão artística utilizadas, um objecto de arte sempre nos "fala" da humanidade...
já a expressão "memória do futuro" me parece conter um outro sentido -
(dolphin e jk, acreditam que só agora, e porque o meu olhar escapou por mero acaso para a legenda da foto, reparei no nome do autor da mesma?! nem quando o jk esclareceu eu percebi logo!
'tou nublada mesmo! já me vejo engolida pelo nevoeiro do "caminho de Essick"...)
nevoeiro: manifestação climatérica que mais gosto :)))
Dito por: dolphin.s no dia 5 de janeiro 2004, às 15h32Sinto-me em casa em qualquer lugar, quando há nevoeiro... é confortável, reconfortante....
Dito por: dolphin.s no dia 5 de janeiro 2004, às 15h34eu também, nevoeiro e frio.
Dito por: josephK no dia 5 de janeiro 2004, às 18h56tentando resumir o que queria dizer:
memória do futuro porque somos essencialmente seres desejantes (futuro) mas já começamos a desejar ontem (passado). hoje só desejamos derivações dos desejos primordiais.