Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto.
José Luís Peixoto, in Antídoto, Dentro e Sobre os Homens
"(...)Dentro o sobre os homens, somos o medo. São as nossas mãos que determinam a fúria das águas, que fazem marchar exércitos, que plantam cardos debaixo da pele. (...) Olha para dentro de ti e encontrar-nos -ás. (...) Nunca poderás enconder-te de nós. Esse é o preço por caminhares sobre a terra onde, um dia, entrarás para sempre. (...) Somos o medo. Conhecemos tantas histórias. (...)
Continua o teu caminho. Segue por essa linha da nossa mão. Nós sabemos onde termina esse túnel em que caminhas. (...) Debaixo da pele, somos o medo."
Há alturas em que a minha pele se rasga e tudo salta cá para fora. Porque a viagem interior não satisfaz aquele(s) que caminha(m) como o sangue. Sente(m) necessidade de me lembrar, com uma força ainda mais devoradora, que existe(m), que estão dentro e sobre mim. Mas porque é/são quem melhor me conheçe, por vezes a resistência ou a mera ignorância torna-se difícil. Procuro trocar de posição e ir eu para um mundo interior de mim para ver se me desprendo do que me envolve. Consigo só modificar-me para o desprendimento asfixiante que, no fundo, nada altera.
Mas o caminho continua. Continua sempre. Com o olhar daquele(s) que está(ão) dentro e fora simultaneamente. Com aquele(s) que me cerca(m) e que não me deixa(m) seguir livremente outra rota. Porque seguindo-a, logo ele(s) me aparece(m) com toda a sua beleza que me atrai e me envolve numa relação de quase dependência. Mesmo que inconscientemente consciente.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 8 de novembro 2003, às 14h35Já não suporto o JLPeixoto. Que xato do caraças. Tudo o que escreve é igual, publica mil livros em dois anos e tem sempre um arzinho enervante de burro que não sabe nada. Parece maricas, sempre de orelhas baixas, nunca assume uma posição polémica nem outra posição qualquer. Com o Saramago na tv parecia que tinha medo de ratos. Que nojo. O que ele publica no JL é execrável, mesmo analfabeto. Todas as quinzenas a mesma porcaria, sim PORCARIA. Abram os olhos burros, vão ler o Vergílio Ferreira que está lá tudo, o Peixoto sabe bem onde vai copiar o que escreve. Leiam o Vergílio e já ficam a ver.
Dito por: Pedro Ribeiro no dia 9 de novembro 2003, às 11h26wow!!! tanta verborreia para atacar alguém, quer geralmente dizer que lhe damos extrema importância!
Pelo menos podias escolher uma linguagem mais cuidada para atacar alguém que a sabe usar de uma maneira a que, pelos vistos, tu nem em sonhos almejarás alcançar.
A mim parece-me que perdes demasiado tempo com alguém de quem afirmas de uma forma tão peremptória não gostar. Soa-me a obssessão.... Isso tem cura, sabes??
ah, e tenta informar-te melhor quando quiseres dar vazão à tua doença... é que "mil livros em dois anos" só mostra o nada que sabes... tsc tsc tsc
Outra coisa, não me parece que alguém que não seja preconceituoso se ofenda por alguém lhe chamar maricas, mas a mim soa-me sempre a homossexualidade recalcada e mal resolvida, quando se usam adjectivos desses para tentar ofender os outros.
Acho que foste bem mais ofensivo para o Vergílio Ferreira, já que não é elogio para ninguém, alguém que só se sabe manifestar através da ignorância e boçalidade, dizer que é nosso admirador.
Mas volta sempre... por aqui também se lê Vergílio... é só preciso ter os olhos abertos ;)
Dito por: dolphin.s no dia 9 de novembro 2003, às 12h21o V Ferreira já morreu. o Peixoto não editou mil livros... mas posso dizer-te quem editou mais livros que o Peixoto em menos tempo.
eu nunca li V Ferreira.. e tu haverias de ver que a proximidade de escritas não pega só pela leitura ou cópia...
eu poderia dizer-te q o V Ferreira foi beber a Sartre e tu virias salvá-lo das minhas infâmias...
dos contemporâneos de JLPeixoto quem são os que não te afectam? Isso sim, seria interessante descobrir e revelar...
JLPeixoto está no início, já escreveu muita porcaria no JL... mas e depois? podes sempre pedir ao JL para pôr em bolsa o V Ferreira...
(neste blog, muita gente gosta de V Ferreira, eu sei... esses que já me conhecem, perceberão onde quero chegar com este palavreado)
Dito por: jm no dia 9 de novembro 2003, às 15h45oh paulito,
sabias que não és obrigado a ler o peixoto?
sabias? saiu uma lei aqui há tempos, falava de liberdade...
estarás a confundir os vergílios?
será o teu o castelo? vais vendo as novelitas?
sabes, o ferreira? talvez. o ferreira, estivesse entre nós, parece-me, olharia com ar de alívio à laia de 'o futuro continua com esta gente' ao olhar o peixoto
desculpa lá, às x dá-me para ser bem portuguesa, isso será dor de corno?
Dito por: a vozinha no dia 9 de novembro 2003, às 15h46olha, o jm...
Dito por: margarete no dia 9 de novembro 2003, às 15h48hello maggie! looking bright again, hey?
Dito por: jm no dia 9 de novembro 2003, às 16h00é mais para o arregalado
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Dito por: margarete no dia 9 de novembro 2003, às 16h06estou estupefacta... o Peixoto é o quê?? Editou mil livros?? Parecia o quê na TV ao lado do Saramago??
Só posso concluir que não estamos a falar do mesmo Peixoto... ninguém é obrigado a apreciar este ou aquele autor, mas daí a não reconhecer - e isto é o minimo - a sua qualidade...
... é estranho é que uma pessoa que detesta o José Luís Peixoto consiga apreciar o Vergílio... no fim de contas, a mensagem é a mesma. A abordagem é que é muito distinta. E não só.
Mas isso são outras conversas que não são chamadas aqui ao caso. Até porque, ao que parece, o Pedro Ribeiro não está interessado em saber mais acerca do Peixoto, uma vez que o considera "analfabeto".
Apenas uma informação: o Peixto não publica "mil livros por ano", nem nada que se pareça; e, se gosta tanto de VF, eu respondo-lhe com uma citação dele: "Somos um país de analfabetos. Destes, alguns não sabem ler."
Dito por: ip no dia 13 de novembro 2003, às 16h00