«Para que uma coisa permaneça, aplica-se com ferro em brasa! Só fica na memória o que não pára de doer.» Eis um dos princípios da mais antiga psicologia (e também da mais duradoura, infelizmente). Dir-se-ia mesmo que, neste mundo, onde quer que encontremos, na vida de um homem ou de um povo, alguma coisa de solene, de grave, de secreto, debaixo de sombrias cores, é porque aí continua a agir algo do terror com que noutros tempos em toda a parte se praticava o acto de prometer, de empenhar a palavra, de jurar. Cada vez que a nossa atitude se torna «grave», é o passado que nos inspira e se agita dentro de nós, o passado mais longínquo, mais profundo e mais doloroso. Sempre que o homem entendeu que era preciso constituir memória, nunca o conseguiu fazer sem sangue, sem martírio, sem sacrifício. Os votos ou sacrifícios mais aterradores (nomeadamente o sacrifício dos primogénitos), as mutilações mais repugnantes (por exemplo, as castrações), os rituais mais cruéis que integram todos os cultos religiosos (e as religiões são todas elas, no seu fundamento mais radical, sistemas de crueldade), tudo isso tem origem nesse instinto que encontrou na dor o mais poderoso instrumento da mnemónica.
Quanto pior a «memória» dos homens, mais horrível o aspecto dos seus costumes: em particular a dureza de um código penal permite avaliar o grau de esforço aplicado para chegar ao triunfo sobre o esquecimento e para manter presentes — aos olhos dos escravos do momento, do afecto e do desejo imediato — algumas exigências primitivas do viver social.
Os Alemães, usando de terríveis meios, constituíram uma memória para poderem dominar os seus instintos plebeus básicos, brutais e grosseiros: pense-se nos antigos suplícios alemães, por exemplo, a lapidação (já a lenda falava de uma mó que esmagava a cabeça do culpado), a roda (a mais original invenção, autêntica especialidade do génio alemão no reino das punições), a empalação, o esquartejamento e o esmagamento por cavalos, a imersão do condenado em azeite ou vinho a ferver (ainda utilizada nos séculos xiv e xv), os apreciados esfolamentos, a excisão das carnes do peito, a exposição do malfeitor ao sol escaldante e às moscas depois de coberto de mel. Com o auxílio de tais procedimentos e imagens fazia-se com que se conservassem na memória cinco ou seis ideias do tipo «não quero isto», relativamente às quais ficava feita uma promessa que permitia ao indivíduo viver dentro das vantagens da sociedade... A realidade é esta: foi com o auxílio desta espécie de memória que acabou por se chegar à «razão»!... Ah! A razão, a gravidade, o domínio sobre os afectos, esta coisa sombria a que se chama «reflexão», toda esta panóplia de privilégios pomposos que o homem detém... que preço exigiram! Quanto sangue, quanto horror está na base de todas as «coisas boas»!
Friedrich Nietzsche, Para a Genealogia da Moral
é assim que eu marco as pessoas que me conhecem:"com um ferro em brasa"
sou cruel, para que nunca se esqueçam de mim...
são 21 horas, ainda estou no emprego e estou a sentir palpitações nas têmporas...
Dito por: kay no dia 10 de novembro 2003, às 21h02tu és cruel é contigo mesmo!!!
quem é que te marcou com um ferro em brasa para te fazer trabalhar até esta hora??
Dito por: dolphin.s no dia 10 de novembro 2003, às 21h09(saio de fininho com o rabo entre as pernas...)
Dito por: kay no dia 10 de novembro 2003, às 21h22ehehehehe
e que tal sair de fininho, mas para ir para casa... ou para a borga ;)
Dito por: dolphin.s no dia 10 de novembro 2003, às 21h26Excelente escolha!
Dito por: Henrique no dia 11 de novembro 2003, às 11h02:)))
Nietzsche fecha-nos as portas todas que pensavamos que tinhamos abertas, e abre outras que já lá estavam mas que até ali não tinhamos conseguido ver...
Dito por: dolphin.s no dia 11 de novembro 2003, às 11h10Estou lendo um livro sobre o assunto que muito me entusiasmou,apesar da idade avançada. Estou interessado em aprender mesmo assim essa tecnica.
Um abraço
José Luiz Gomes
Dito por: jose luiz gomes no dia 18 de dezembro 2003, às 13h00Orezadi sr
Estou interessado em aprender essa tecnica.
Um abraço e um feliz Natal
José luiz gomes
Dito por: JOSE LUIZ GOMES no dia 18 de dezembro 2003, às 13h06Um abraço.. .e boa sorte no estudo ;)
Dito por: dolphin.s no dia 18 de dezembro 2003, às 13h28Hum... tá dificil de encontra um site de informação sobre mnemônica...
olha onde fui parar!