O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes - brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias - que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções.
Bernardo Soares, in Livro do Desassossego
boa noite, dolphin. deixa-me estar aqui sentado neste cantinho de silêncio, porque também eu me senti hoje cansado de algumas ilusões. e se calhar fui injusto com alguém, e a minha injustiça fez-me sentir o que existe de dor quando se perde a ilusão. se a minha ignorância da vida me cobrasse imposto, certamente ia à falência. deixo aqui esta lição que adquiri neste dia quase perdido.
Dito por: arosendo no dia 26 de outubro 2003, às 21h09Não há nada mais Universal e Contemporâneo do que a Literatura. Os escritores (os bons escritores) esses, são eternos. E de uma ou de outra forma, fazem sempre parte de nós. Reflectem-nos. Espelham-nos. Alertam-nos. São, no fundo, parte da nossa consciência. São uma Consciência, enquanto tal.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 26 de outubro 2003, às 21h11o mundo é pequeno. o silêncio é um estado de espírito. nunca é eterno.
Dito por: arosendo no dia 26 de outubro 2003, às 21h16olá arosendo... aconchega-te e esquece o frio lá fora :)**
Dito por: dolphin.s no dia 26 de outubro 2003, às 21h19Aprendemos e crescemos com os livros e com as desilusões - a história dos outros e a nossa história...
Dito por: dolphin.s no dia 26 de outubro 2003, às 21h23obrigado minha amiga. a tua casa é confortável, os livros aquecem o coração. és uma espécie de guia espiritual. como diria fernando pessoa à sua ofélinha: dá-me palavrinhas ao ouvido. que importa que lá fora chova se a tua alma e o teu amor é o meu guarda-chuva!
Dito por: arosendo no dia 26 de outubro 2003, às 21h36:)
Dito por: dolphin.s no dia 26 de outubro 2003, às 21h45só há uma coisa melhor que a ressaca duma ilusão... é aquela sensação frenética que nos atravessa quando, sobre a chama de uma vela, se cozinha numa colher de chá a mistura da nova ilusão que substituirá a perdida, ansiada sofregamente pelas veias que mesmo sem elástico pulsam e se dilatam à espera do embate...
Dito por: kay no dia 27 de outubro 2003, às 12h12a ilusão funciona como uma droga... vivemos com ela, sabemos o mal que nos pode fazer, sabemos o que a ressaca quando ela acaba nos faz, mas inconscientemente ou não, procuramos sempre novas ilusões...
Dito por: dolphin.s no dia 27 de outubro 2003, às 12h20Pois...mas há drogas lícitas e ilícitas...
Sandra
Dito por: Sandra no dia 27 de outubro 2003, às 16h41E o que define o que licíto ou ilícito?
Existem drogas licítas potêncialmente mais perigosas do que algumas consideradas ilicítas.
quem defini a eventual ilicitude de seja o que for é a lei. quem a redige é o poder legislativo, vulgo governo e assembleia da república, em balanço ciclico de expressões partidárias. a função do governo é gerir despesas e proveitos, expectativas e desânimos, interesses e desinteresses, ao sabor do vento das conjunturas e no sentido definido por um projecto assumido (muitas vezes com o singular propósito populista de atrair o voto). a licitude/ilicitude varia ao sabor dos tempos, dos medos e das "modas"... tudo poderá ser, um dia, licito, tal como muitas das coisas que hoje são ilícitas não o foram em tempos... vai um bafozinho de ópio?
Dito por: kay no dia 27 de outubro 2003, às 17h47ehehehehe
levaste o que disse à letra... estava a brincar um pouco com as palavras e com o sentido que lhes estavamos a dar - as drogas que permitimos a nós mesmos.
mas não faz mal :p
gostei do teu comentário ;)
Quantos livros não foram já escritos sobre o efeito do ópio, ou do absinto :)