A guerra já não se declara,
prossegue-se. O inaudito
tornou-se quotidiano. Os heróis
ficam longe dos combates. Os fracos
são transferidos para as zonas de fogo.
A farda do dia é a paciência,
a medalha a pobre estrela
da esperança sobre o coração.
Conferida
quando nada mais acontece,
quando o tiroteio emudece,
quando o inimigo se torna invisível
e a eterna sombra das armas
recobre o céu.
Conferida
por deserção da bandeira,
por coragem face ao amigo,
por denúncia dos segredos infames
e por desobediência
a todas as ordens.
Ingeborg Bachman
tradução de José Lima para a revista DiVersos nº 1
Apesar de tudo o que significa e do que provoca é cada vez mais banal.
A sua existência...
O seu acompanhamento...
As suas consequências...
Uma pequena nota para deixar um registo. Para já. Inicial. Voltarei cá.
Uma interrogação?
Condenação, sempre, ou consideração de existência de guerras justas?
Sandra
justas para quem? acho que depende sempre do lado em que se está.
e ainda está para vir a guerra que começou por uma questão de justiça...
mas neste poema vejo as guerras que ficam depois da guerra acabar. a guerra de sobreviver no dia-a-dia.
Sim, essas guerras também importa que não sejam esquecidas. Mais: que não sejam banalizadas. Como se tudo, mas tudo, fosse natural.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 21 de outubro 2003, às 17h30A propósito das guerras, da violência, das imagens que produzem ou propicíam e da sua banalização deixo aqui uma sugestão de leitura. A autora é uma referência para mim. Admiro-a pela sua frontalidade e pela forma como se posiciona, quer perante a actual administração dos EUA, quer perante o regime existente em Cuba. Mas não só. É ela Susan Sontag. Quanto à obra (que é um ensaio):
"Olhando o sofrimento dos outros"
(Gótica, 2003, 136 pág).
Sandra
Dito por: Sandra no dia 21 de outubro 2003, às 18h06