A noite desce sobre a cidade. Faz calor. A lua mergulha no espelho negro dos asfaltos, acende-se no fundo do rio.
Procuro-te nos rostos que passam. Sei que todos eles abrigam a tua morte. Nenhum deles evoca o sorriso que te pertenceu.
Qual deles, ao ser tocado, se metamorfoseará em vidro? E se quebrará nas minhas mãos.
Qual deles leva teu nome escondido nos lábios?
Qual deles oferecerá ou venderá o corpo?
Qual deles, como tu, acordará um dia esquecido de que está vivo?
A noite esvazia-se. Nenhuma música enche a tua morte.
Caminho desamparado, embora saiba que uma aragem te acordará em mim e, o álcool ajudando, a terra ser-te-á leve...
Qual deles venderá o corpo?
Qual deles ousará pousar a mão na minha lepra?
Caminho desamparado.
A noite abre-se, imensa, e o tempo passa sobre o rosto como um fogo que tudo apaga.
Os meus passos vão no sentido contrário ao teu sossego.
Os dias avançam sem paixão. Os dias recuam e não encontro ninguém.
in O Anjo Mudo, Al Berto
A noite, não o sendo necessariamente, também pode ser devoradora. E consumir tudo. Tudo. O que queremos e o que não queremos que assim seja.
Mas também pode haver a noite do dia e a duplicação da vontade devoradora. E a autorização para a vontade devoradora. Ou a resignação perante a vontade devoradora.
Sandra
a noite é libertadora.
traz-me o meu mundo, liberta-me do mundo dos outros.
é reveladora das verdadeiras cores.
Dito por: dolphin.s no dia 20 de outubro 2003, às 18h30Dolphin.s...Boas, desde ontem! ;)
Assim o que é devorado pode, em consequência disso, fazer sentir bem. Liberta porque devora o que é mau. O que é mau para quem a sente dessa forma. A noite. Assim. Dessa forma. Libertadora. Geradora de mais e mais e mais Liberdade. Apagando o resto. O resto que não interessa. E iluminando o que há de melhor...
Sandra :)
Dito por: saalmeida@clix.pt no dia 20 de outubro 2003, às 18h42maneiras diferentes de ver a coisa ;)
para mim o dia é que é devorador - de liberdade, de tempo, de mim mesma.
Dito por: dolphin.s no dia 20 de outubro 2003, às 18h47Sim...
Maneiras diferentes de chegar à mesma coisa, ou melhor à mesma essência...àquilo que é realmente sentido e vivido por nós [como acontece de vez em quando ;)]
Sandra :)))
Dito por: Sandra no dia 20 de outubro 2003, às 18h50A noite e o dia são apenas braços assados do Tempo. Ele é que é o grande devorador de todas as nossas sementes, de todos os sumos e sonhos. Tudo bebe e deleita na cama preta das nuvens.
Dito por: Frederico no dia 21 de outubro 2003, às 00h18Al Berto..
Se puderem ir ver o "WordSong" um espectáculo em sua homenagem, não percam...
Pedro D´Orey, faz interpretações musicais fantásticas, plenas de energia e expressividade...
Dito por: Pedro no dia 21 de outubro 2003, às 15h50Gosto muito dos Wordsong e estivemos no 2º concerto do CCB, dia 16.
A 1ª vez que os vimos foi exactamente no dia do lançamento do livro/cd. Apanhamos o showcase na Fnac Chiado.
Desde então já nos cruzamos várias vezes. O ano passado também deram um espectáculo na Feira do Livro.
Acho que o concerto do Porto também já passou. Esta série de concertos foi o "encerrar" do projecto Al Berto e uma espécie de celebração da reedição do álbum. Tiveram convidados especialíssimos: Jorge Palma, João Peste, JP Simões....
Foi muito muito bom :) Uma festa!!
O próximo passo para os Wordsong é dedicado a Fernando Pessoa :D
2º dia no CCB
Lugares I 15 e I 16
Eu não era a rapariga loira.. :)
(O Pedro D´Orey é fabuloso)
Foi a primeira vez que vi o Jorge Palma aparentemente são, ao vivo...
Já o JP e o João Peste...tinham "mocas" descomunais..
Rapariga??? LOL!! :)))
Nós estavamos nos D12 e D13... eu sou uma rapariga vestida de preto ;)
Não me parece que o João Peste estivesse com a moca. Acho que ele não estava mesmo bem. Acho que já não está bem há algum tempo...
A última vez que vi o Palma foi na Praça Sony (um lançamento qq da Renault) e aí ele tb estava sóbrio eheheh
Dito por: dolphin.s no dia 21 de outubro 2003, às 19h20