Os dias longos, as noites no meio do mar. Espero o porto de chegada, as virtudes restituídas, o espírito enfim reconciliado com o mundo. E desembarco, há uma qualquer experiência surpreendente, caminho para o conhecimento. Consigo agarrar essa meada ainda irreconhecível: a maneira como tudo se enreda em tudo. Desabituei-me dos milagres. Sabe-se como é: quase todas as manhãs acordo angustiado, esforço-me por imaginar que este dia é virgem e primeiro, carregado de poderes enigmáticos, destinado às revelações. Literatura. Merda. Trata-se de mais um dia em que me vou chatear, aturar os meus semelhantes, a filha-da-putice teológico-emocional de um Deus que, ainda por cima, não existe. Posso especular sobre a revolução, evidentemente. Que revolução? A revolução, claro. Pois é: a minha revolução não dá um passo.
in Os Passos em Volta - Como se vai para Singapura, Herberto Helder
Durante a leitura ia-me fundido com o autor.
Neste momento a fusão está feita!
Tenho que repensar a minha revolução.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 19 de outubro 2003, às 14h22...não sei se alguma vez cheguei a fazer "Revolução". Acho que só reajustes. Evolução na continuidade?!! Não sei!
Bom...de qualquer forma o que considera HH é muito sentido. Por mim.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 19 de outubro 2003, às 14h25um dia fiz uma revolução.
não sei se me esperam mais pela frente.
Dito por: dolphin.s no dia 19 de outubro 2003, às 14h28ou será mais correcto dizer "um dia revoltei-me"?
Dito por: dolphin.s no dia 19 de outubro 2003, às 14h29!!!!!!!!!!
Continuo a pensar o que hei-de fazer.
Revoltada já tenho andado, algumas vezes. Mas dai resultaram reajustes. Só. E às vezes nem isso.
Tenho que pensar mais sobre o assunto.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 19 de outubro 2003, às 14h39mmmmmm... bem... ajustes se calhar fazemos constantemente. Temos necessidade de os fazer.
mas, podemos revoltar-nos e fazer uma revolução.
Dito por: dolphin.s no dia 19 de outubro 2003, às 14h48Mas os muros também caem...
E os impérios desmoronam-se...
Sandra
Dito por: Sandra no dia 19 de outubro 2003, às 16h00a revolução é um factor da história e, para além disso, tudo do que não estamos à espera. a revolução é gritar de músculos duridos um não sonoro e límpido. que "não" podemos gritar hoje?
Dito por: aquele no dia 19 de outubro 2003, às 18h03eu também hei-de fazer uma revolução. aliás, já começo a fazê-la. todas as revoluções falam de amor.
Dito por: arosendo no dia 19 de outubro 2003, às 21h28ou de vida.
podemos ser surpreendidos por ela, ou podemos ser nós a criá-la
Dito por: dolphin.s no dia 20 de outubro 2003, às 10h33como é que se fazem revoluções sem auto-conhecimento? quanto mais conheço de mim próprio mais noção tenho de que não me conheço; ou de que existem áreas que sempre se sobreporão ao desejo de conhecer . parece que, em vez de me libertar subvertendo o meu mundo, fico mais oprimido face ao que me passa ao lado.
ando a pensar se o não-saber não será uma espécie de código-postal para a felicidade.
Voltamos aos clichês eheheh "Felizes são os ignorantes" ;P
Acho que estamos em constante mutação, por isso será talvez praticamente impossível teres total conhecimento de ti mesmo.
As revoluções fazem-se com base no conhecimento do momento, com um resultado final em que descobres que depois da revolução tens ainda mais para aprender sobre ti.
mas se são libertadoras - algumas são-no de certeza! E disso não tenho dúvida.
Dito por: dolphin.s no dia 20 de outubro 2003, às 18h45