- At 4.48
when sanity visits
for one hour and twelve minutes I am in my right mind.
When it has passed I shall be gone again,
a fragmented puppet, a grotesque fool.
Now I am here I can see myself
but when I am charmed by vile delusions of happiness,
the foul magic of this engine of sorcery,
I cannot touch my essential self.
Why do you believe then and not now?
Remember the light and believe the light.
Nothing matters more.
Stop judging by appearances and make a right judgment.
- It's all right. You will get better.
- Your disbelief cures nothing.
Look away from me.
Sarah Kane
Li o teatro completo da Sarah Kane.Eu sou a Sarah Kane com um maior respeito pela vida. De vez em quando volto ao túmulo dela.
Dito por: arosendo no dia 30 de setembro 2003, às 14h20Hoje estou numa de lembranças ;) Esse faz-me lembrar um pouco as letras das canções dos The The - "True Happiness This Way Lies"... e outras cenas do género....
Dito por: Paulo Silva no dia 30 de setembro 2003, às 14h27Também li (e tenho) o teatro completo dela.
E vi esta peça encenada de uma forma magistral pelos Artistas Unidos, com a Gracinda Nave e o Miguel Borges.
Saí do teatro de rastos...
Mais tarde vi o Cleansed na sala pequena do Dª Maria (não me consigo lembrar do nome da companhia! :( ). Muito bom, mas sem a intensidade do Psychosis.
Os Tindersticks no seu último album têm uma música em que a letra são excertos desta peça. Lindo!!
É impossível ler Sarah Kane e ficar-se indiferente.
Para os que não conhecem, ela suicidou-se com 27 anos. Tentou em casa com comprimidos, apanharam-na a tempo e levaram-na para o hospital. Matou-se lá com os atacadores dos sapatos.
"4.48 Psychosis" foi a última peça escrita por ela e que ilustra bem o seu desespero.
Dito por: dolphin.s no dia 30 de setembro 2003, às 14h38Não acho que se tratasse de não ter respeito pela vida arosendo.
Era não ter condições para viver. Por quanto tempo se consegue viver o desespero que ela vivia todos os dias?
Dito por: dolphin.s no dia 30 de setembro 2003, às 14h39Vejo o suicídio, também, como um acto de coragem. Eu não sei se teria essa coragem.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 30 de setembro 2003, às 16h18já pensei o suicídio na dicotomia coragem/cobardia. já pendi para ambos, quando achava que tinha que me situar. hoje considero-o uma opção de desistência legítima; as pessoas é que têm necessidade de fazer sempre atribuições de valor a tudo.
Dito por: josephK no dia 30 de setembro 2003, às 17h34O suicídio é um protesto perante a vida, com a desvantagem que a pessoa não chega a saber o resultado do seu protesto. Nesse sentido poderá ser considerado um acto cobarde, no sentido em que a pessoa não teve coragem de protestar de outra forma.
Pessoalmente, também não teria coragem para me suicidar, mas o suicidio é uma situação limite... se vocês estivessem perante várias situações limites, e uma delas fosse o suicidio, e tivessem que fazer uma escolha, têm certeza absoluta que não escolheriam o suicidio, por não terem coragem por ir por outra via ?
Dito por: Paulo Silva no dia 30 de setembro 2003, às 17h44paulo, a clivagem coragem/cobardia no que se refere ao suicídio é absolutamente redutora. nunca é (só) isso que está em causa. nunca.
Dito por: josephK no dia 30 de setembro 2003, às 17h48
Sim, eu sei... foi apenas um pensamento de momento, esta questão de coragem/cobardia face ao suicidio é de facto um tema extremamente frustrante de discussão, aliás, pode-se discutir mas nunca concluir
Cheguei tarde à discussão, mas já estou! E de férias!! ;))
Concordo contigo JosephK. O suicídio é uma opção. Apenas isso. A necessidade de catalogar tem a ver com a necessidade de se dar nomes às coisas para as tornar menos temidas, para as trazer para o "nosso mundo".
O que levou essa pessoa a essa decisão só ela o sabe. Para uns seria pouco, para outros demasiado.
Mas quem pode dizer com toda a certeza que não o faria?
Alguém consegue imaginar o que é viver no desespero, no vazio, ou na dor, dias, anos?
E quem disse que isso é vida?
Os textos de Sarah Kane já tinham a sua morte. As suas peças eram pequenas tentativas suicidas. Mas normalmente ninguém sabe ver o desespero do outro.
Dito por: arosendo no dia 30 de setembro 2003, às 21h20As peças dela são um espelho da sua alma.
Lê-las sem nos envolvermos é impossível. Eu não consigo ficar indiferente de cada vez que releio algum pedaço.
Esqueci-me que também vi o Blasted encenado pelos Artistas Unidos. A guerra exposta da maneira mais crua possível. É brutal!
Dito por: dolphin.s no dia 30 de setembro 2003, às 21h33Sarah Kane está aqui....suas palavras, suas angústias e seus pensamentos. No abismo em que encontrava-se a morte era a saída, ou melhor, o desfecho! Matamo-nos dia após dia e seus textos tinham isso...o demoníaco, o caos. Seus átomos estão entre nós. Por obrigação com a humanidade e a Sarah Kane, devemos expôr suas obras e viver a ela!
Dito por: Luciana Alves no dia 12 de abril 2004, às 17h25Tenho que fazer um trabalho de 4000 palavras para o meu curso. Decidi faze-lo baseando-me no 4.48 Psychosis. Vou representa-lo como monologo e explicar o meu metodo de ensaios e caracterizaçao. Estou ansiosa para começar, pois esta peça e sarah kane são das melhores coisas no teatro conteporaneo. Já vi e li todas as suas peças e cada uma me surpreende mais do que a ultima. Os artistas unidos sao sem duvida das companhias de teatro em lisboa que melhor representa Sarah Kane.
Dito por: Íris no dia 19 de abril 2004, às 14h23Acho que são mesmo a única em Lisboa a representar Sarah Kane. Vi o Blasted no D. Maria, por outra companhia, mas, se não me engano, eram do Porto (terei que ir "pescar" os bilhetes para refrescar a memória).
Desejo-te sorte no teu trabalho :)
Escolheste um tema difícil e é preciso uma certa dose de coragem ;))
Procuro textos teatrais que falem, mostrem, citem a questão do suicídio.
claro que sarah kane é uma das bases. podem me ajudar?