O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na voltade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante de manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos, a salvação é uma brisa que cai sobre o rosto suavemente.
Eu acreditava mesmo que o amor é o sangue do sol dentro do sol.
in Uma Casa na Escuridão, José Luis Peixoto
Memória da margem
Ok. este texto merece um comentário. ou talvez mereça que se acredite no amor. ou que se viva no amor. o amor. sim.
:~)
Dito por: Luis Ene no dia 25 de setembro 2003, às 16h26acredito no sentir assim do amor :)
Dito por: dolphin.s no dia 25 de setembro 2003, às 16h38Eu só acredito no sentir assim do amor...
Sandra
Dito por: Sandra no dia 25 de setembro 2003, às 17h58eu acredito no amor. não acredito no Peixoto. E acredito nas Sandras.
Dito por: arosendo no dia 25 de setembro 2003, às 21h33E então Arosendo, em que é que nós fazemos a diferença?
Sandra
Dito por: Sandra no dia 25 de setembro 2003, às 21h55o problema é não haver diferença nenhuma.
Dito por: arosendo no dia 25 de setembro 2003, às 23h06Assim sendo o que é que tu acreditas em nós? O que é que já te revelámos? Ou melhor: o que é que já te permitimos ver?
Sandra :)
Dito por: Sandra no dia 25 de setembro 2003, às 23h17de como em torno de um peixoto
(C)assandras calam sempre um arosendro
:)
dolphin.s, obrigado pela "memória"
eu acredito no poder estético das palavras, na sua capacidade de recriar sentimentos, vivências, espaços,...
Dito por: margem no dia 26 de setembro 2003, às 10h48Arosendo, tu que és um "especialista" em Peixoto, explica-me lá o que não gostas neste texto?
O que é que achas assim tão mau?
Ou será que sentir assim é-te tão irreal que não consegues ver nada no texto?
Tens que tratar dessa obssessão, pá! eheheheh Ainda ficas doente!
Dito por: dolphin.s no dia 26 de setembro 2003, às 11h03margem: :)))) não resisti quando me avivaste a memória com este livro ;)
esta passagem tem vida própria :)
Dito por: dolphin.s no dia 26 de setembro 2003, às 12h04É um texto piegas. O Peixoto tem um coração choroso. Ele escreve com as lágrimas. É um Bernardim Ribeiro para meninas que acham que o amor é um permanente nascer do sol. As imagens deste texto estão desfocadas pela neblina da sua inspiração popular.
Dito por: arosendo no dia 26 de setembro 2003, às 21h43Arosendo:
Há realmente textos que podemos considerar "piegas". Pessoalmente, não sinto isso com este texto, mas é só uma opinião. Haverá naturalmente muitas outras diferentes.
Parece-me, no entanto, que só uma leitura superficial do texto poderia levar as "meninas que acham que o amor é um permanente nascer do sol" a reverem-se no texto. Porque metáforas como «sangue do sol», ou «atravessar o interior de uma montanha» indiciam a dificuldade e o desafio que é amar; e dificuldades ou desafios implicam sempre dor, esforço, iniciativa, entrega,... «o sangue do sol dentro do sol» - pelo menos, esta é a leitura que faço do texto.
Se "o Peixoto tem um coração choroso", não sei porque não o conheço pessoalmente. Penso que estarias a usar uma metáfora para caracterizar a escrita do autor. Já a personagem da história tem efectivamente um "coração choroso" e viveu, assistiu e narrou momentos de muita escuridão.
:)
Arosendo:
o nascer do sol é certo que não é permanente, mas é um instante de momento que é real.
É um instante de momento que dá uma distinta particularidade ao fim da noite e se distinguem do resto do dia. É algo que, pelo instante de momento, tem tanto de frágil como de consistente.
É algo que se renova, sempre, mesmo que com tonalidades diferentes. Mesmo que em dias de maior nebulosidade nos quais o sol está mais escondido ou nem sequer se chega a ver. Mesmo que reste só a claridade (aquele instante de claridade) que emerge, se eleva e desfaleça depois, depois de absorvida pelo resto do dia que esconde particularidades. Que esconde o especial. Que esconde o único. Que resguarda ou abafa o instante e o seu momento.
É bom ficarmos pela leitura do Amor. Fica-te pela leitura do Amor. Vive a vertigem da leitura do Amor.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 27 de setembro 2003, às 09h57Arosendo:
É um texto piegas? Porquê? Porque não fala de sexo? Porque fala apenas de sentir?
É um Bernardim Ribeiro para meninas que acham que o amor é um permanente nascer do sol
Sabes, esse rancor que espalhas pode ter vários nomes. E pelo facto de até conheceres a pessoa não te fica muito bem andares a espalhá-lo assim. Não consegues parar em nenhum lado sem aproveitares para atacar sempre a mesma pessoa. E não queres que se fale em obsessão??? geez!! Procura outro interesse rapaz, que esse ainda te vai fazer mal!
Por aqui também não me parece que encontres meninas que achem "que o amor é um permanente nascer do sol". Talvez as encontres nas meninas que ainda gostam de ler Sabrinas, mas a escrita do Peixoto definitivamente não é para elas.
Este texto passaria ao lado do seu entendimento.
O amor não é um nascer do sol, mas se nunca sentiste uma sombra que se pareça com o Peixoto tão vivamente (vivamente é a palavra, é de viver que o texto fala) descreve, a perca será tua, não é?
O texto fala de sentir não idealizar. De viver, não de sonhar. Nem de morrer de amor, como um Amor de Perdição - esse sim, também poderá eventualmente agradar às mesmas meninas... se bem que está mais bem escrito do que as Sabrinas...
estou feito com as duas.
o meu amor para as duas.
o meu amor sem sangue.
mas o meu amor com muito sol
no interior do vosso sol.
O que vale é que o meu sol é espaçoso.
O que vale é que o meu sol tem a capacidade de absorver sem queimar.
O que vale é que o meu sol tem a capacidade para ler o que lhe chega e para poder aquecer os significados que isso trás...
É bom que se fale também aqui do Amor. Porque faz parte do nós. Porque nos está inerente. Porque dá um certo significado à nossa Existência.
Para a próxima, Arosendo, fala de Amor também com "A". E ai, entramos no domínio do Absoluto. Para lá do que pode ser teu, para lá do que pode ser meu. Para lá do que pode ser deste ou daquele. Simplesmente, para irmos ao encontro do Absoluto.
Sandra :)
Dito por: Sandra no dia 27 de setembro 2003, às 14h59E eu que gosto tanto de dias de nevoeiro cerrado.... ;)
Dito por: dolphin.s no dia 27 de setembro 2003, às 15h17estou sempre dentro do amor de quem me ama.
estou dentro do sol de quem me queima com o seu amor. ( pareço um peixoto )
estou dentro do vosso amor.
agora é de noite, há nevoeiro e eu quero amor.
"pareço um peixoto"
nope!
"estou dentro do vosso amor"
dentro do nosso amor não estará quem nós amamos?
"agora é de noite, há nevoeiro e eu quero amor."
esta quase que merece uma resposta nada peixotiana ;)
Arosendo:
eu quero-te não um Peixoto, mas um peixe a fazer "borbulhas de Amor".
E continuo à espera do (teu) amor com "A".
Não procures imitar ninguém. Dá-te, tal qual és. É assim que tem que ser. É assim que deve ser! Por ti! Por mais alguém. Ou por outros "alguéns".
Sandra :)
Dito por: Sandra no dia 27 de setembro 2003, às 21h51sou aquário.
amo no conflito dos outros.
e a previsão do sol no meu coração
dá-me muitos amores para me confundir.
Boa noite Sandra e dolphin.
sera k o AMOR não é sofrer?=(
Dito por: paty no dia 20 de maio 2004, às 19h12depende... eu amo a minha cadela... e se ela partir uma unha, eu sofro.
Dito por: dolphin.s no dia 20 de maio 2004, às 21h51