Qual é a razão para a estranha contradição que consiste no facto de o sucesso e a satisfação não se fundirem num sentido apropriado? Não parece prevalecer aqui uma lei inexorável da natureza? O ser humano estabelece objectivos para si próprio, e enquanto os persegue apoia-se na esperança, é verdade, mas ao mesmo tempo vive atormentado pela dor do desejo insatisfeito. Logo que atinge o objectivo, no entanto, depois da primeira sensação de triunfo segue-se inevitavelmente um sentimento de desolação. Permanece um vazio, que aparentemente só pode culminar com a emergência dolorosa de novas ambições, com o estabelecimento de novos objectivos. Assim recomeça o jogo, e a existência parece estar condenada a ser uma oscilação incansável entre dor e aborrecimento que termina com o nada que é a morte. Esta é a célebre linha de pensamento que está na base da visão pessimista da vida de Schopenhauer. Não haverá uma maneira de lhe poder escapar?
Na verdade, nunca encontraremos um sentido último na vida se a virmos apenas sob o aspecto do propósito.
Não sei, no entanto, se o fardo dos propósitos pesou alguma vez mais sobre a humanidade do que no momento presente. O presente idolatra o trabalho. Mas trabalho significa actividade dirigida para objectivos, direcção para um propósito. Supõe que estás no meio da multidão numa rua agitada de uma cidade e imagina-te a parar os transeuntes, um por um, para lhes perguntares: «Onde é que vais tão depressa? Que assunto importante tens de resolver?». E se, depois de conheceres o objectivo imediato, perguntasses depois pelo propósito desse objectivo, e depois pelo propósito desse propósito, acabarias sempre por chegar ao seguinte propósito depois de poucos passos na sequência: manter a vida, ganhar o próprio pão. E manter a vida porquê? Para esta questão dificilmente conseguirias extrair uma resposta inteligível a partir da informação obtida.
Excertos de um texto de Moritz Schlick traduzido por Pedro Galvão
Na Intelectu
"(...)a existência parece estar condenada a ser uma oscilação incansável entre dor e aborrecimento que termina com o nada que é a morte. Esta é a célebre linha de pensamento que está na base da visão pessimista da vida de Schopenhauer. Não haverá uma maneira de lhe poder escapar?(...)"
Existe.
É o próprio Schopenhauer quem aponta o caminho:
O Sublime e o belo. Caminhos para a supressão do sofrimento através da contemplação artística. Essa contemplação desinteressada com os sentidos e dos sentimentos, através de algum "Romantismo", como acto de intuição artística, permitiria o domínio da própria vontade.
Na arte como o "olho claro do mundo", existe a libertação de nós mesmos, dos nossos desejos.
A Arte de pensar.
A Vida é sempre um processo dialéctico: onde existe o momento da Tese, o momento da Antítese e o momento da Síntese. Por isso está sempre em movimento, ebulição, contradição e (tentativa) de superação.
Na Síntese está implícito um propósito (um fim) que é uma etapa, ela prória, não definitiva, na medida em que representa a tese de uma fase posterior. Assim, os propósitos e os objectivos devem ter sempre (ou devem ter), uma carga de não definitivo, de não permamente, de não infinitamente.
"O Sentido da Vida" apresenta-se como resultado de um processo, mas como um resultado que nunca deixa...ou melhor...que nunca pode deixar de ser mais um ponto de partida...que se envolverá sempre na dialéctica...numa dialéctica...que é o motor...sempre o motor.
O Homem: uma peça, um grão no meio de uma engrenagem que ele próprio constrói e da qual faz parte. Para o Bem ou para o Mal. Com Vontade activa ou com Vontade desactivada...
...Afinal, como considerava Shopenhauer, o Mundo é "Vontade e Representação"...que deve estar sempre inerente ao processo dialéctico referenciado. Se assim não se verificar o Homem transforma-se de um grão com algum poder de iniciativa, num grão em pó já completamente esburrachado, fulminado, destroçado.
Sandra
P.S- A semelhança entre este meu comentário e sistemas filosóficos existentes, é pura coincidência.
Dito por: Sandra no dia 24 de setembro 2003, às 18h19O sentido da vida, o sentido que nós queremos/queriamos para a nossa vida, acaba por perder-se em labirintos onde muitas vezes a saída que encontramos não era a que procuravamos.
Podemos encontrar um novo rumo, construi-lo a partir do que encontramos depois da porta, ou perdermo-nos de novo no labirinto.
Pode acontecer entrares deliberadamente no labirinto à espera que a saída que te calhe te leve para um rumo melhor, ou pelo menos diferente daquele que guiava a tua vida até ali.
Não vejo sentido na vida.
Dito por: ana no dia 13 de novembro 2003, às 19h24Não é ilusório o fato de o tempo passar tão rápito a ponto de nos pegar desprevinidos, como outro dia quando me foi questionado minha idade e eu perdi a fala, uma vez que caí numa real... Tudo bem que tenho 33 anos, mas parece que foi outro dia mesmo que tantas coisas aconteceram... Ultimamente tem sido uma busca maravilhosa procurar um sentido para as coisas e creio que essa busca já seja o começo de uma verdade que me bate a porta, a certeza da transitoriedade da vida, uma vez que essa certeza não é bem clara quando somos muito jovens... Creio que o sentido verdadeiro da vida para mim, após ter passado por depressões e sindrome do pânico, seja fazer o bem e saber perdoar, tanto a si mesmo como ao proximo. Não existe possibilidade de se achar um sentido sem levar em consideração essas virtudes... A partir do momento em que praticamos boas ações e aprendemos a perdoar, um sopro de vida bate em nossa alma, levando-nos a apreciar uma verdade que insistimos muitas vezes em negar: a existencia de uma força superior que a tudo acolhe...
Dito por: Marquinhos no dia 14 de novembro 2003, às 12h16Os homens se lamentam de sua própria arrogância e perversidade e querem estabelecer o seu trono de glória em lugar de Deus. O perssimismo de Shopenhauer demosntra o quanto o homem esta afogado em suas melancolias e magoas existênciais. O seu ego já não se satisfaz com o que há em sua volta, vive buscando algo novo, mas não há nada de novo do que possa muda-lo, há não ser, se ele queira reconhecer o que ele mais tem regeitado no mundo. A existência e o conhecimeto de Deus. De teorias filosoficas o mundo já esta cheia, o que precisa mesmo e de ação. Só a interpretação não irá mudar nada, mas a ação poderá mover o mundo, como dizia Karl Marx.
Dito por: Juliano no dia 23 de janeiro 2004, às 15h02eu axo k sim !
Dito por: spw no dia 20 de maio 2004, às 15h30O que é próprio do sentido de alguma coisa é que remete intencionalmente para outra coisa k não ela própria k nao era ela pk era outra !
eu axo k sim e kem axar k eu n tenha razao é um filho DE puta !
Dito por: spw no dia 20 de maio 2004, às 15h32se és filha da puta ou não, não sei. mas que és um estúpido ignorante és ;)
Dito por: dolphin.s no dia 20 de maio 2004, às 15h38tao krido =) *
Dito por: spw no dia 20 de maio 2004, às 15h42sempre às ordens para tirar dúvidas existênciais.
queres que te ensine a escrever também?
....não me parece que consigas lá chegar :/
Dito por: dolphin.s no dia 20 de maio 2004, às 17h55