Desde o pecado original que temos praticamente a mesma capacidade para conhecer o bem e o mal. Apesar disso é justamente aqui que temos as nossas preferências. Mas é só para lá deste conhecimento que começam as verdadeiras diferenças. A aparência contraditória é provocada pelo seguinte: ninguém se pode contentar apenas com o conhecimento, mas tem de esforçar-se por agir de acordo com ele. No entanto não nos foi dada a força para tal, e temos que nos destruir, mesmo correndo o risco de nem assim obtermos a força necessária. Mas nada nos resta a não ser esta última tentativa (este é também o sentido da ameaça de morte contida na proibição de se comer da árvore do conhecimento; talvez até seja o sentido original da morte natural). É desta tentativa afinal que temos medo. Preferimos antes desfazer o conhecimento do bem e do mal (a designação «pecado original» refere-se a este medo). Mas o que aconteceu não pode ser invertido, apenas deturpado. Com esta finalidade surgem as chamadas motivações. O mundo está cheio delas, aliás todo o mundo visível talvez não passe da motivação de um homem que por um momento quer repousar. Uma tentativa de falsificar o facto do conhecimento, de transformá-lo em objectivo.
in Considerações sobre o pecado, o sofrimento, a esperança e o verdadeiro caminho, Franz Kafka
ruido silêncio, o de todas essas palavras de outros nossas, espalhas sobre um céu cinzento
Dito por: kay no dia 19 de setembro 2003, às 17h05O Mundo apesar do que é, e por ser o que é, proporciona uma infinidade de motivações.
O Homem apesar do que é, e por ser o que é, tem inerente a si também muitas motivações.
O Mundo e o Homen apesar de serem o que são, e por serem o que são, conseguem conjugar as motivações existentes, imanadas ou proporcionadas.
O Mundo e o Homem apesar de serem o que são, e por serem o que são, também não conseguem fundir tais motivações.
O Homem tem Vontade e por ela procura agarrar e fazer aplicar o Conhecimento.
O Homem, apesar da Vontade, desperdiça o Conhecimento e aquilo que este lhe permitirá vislumbrar.
O Homem efectivou o Pecado Original.
O Mundo proporcionou ao Homem a efectivação do Pecado Original
O Mundo e o Homem vivem juntos e são unos.
O Mundo e o Homem existem e consagram a sua separação.
O Mundo é Conhecimento e gera Conhecimento.
O Homem tem categorias que lhe permitem analisar, ajuizar e construir Conhecimento.
O Mundo e o Homem podem encontrar-se no âmbito do Conhecimento.
O Mundo e o Homem podem afastar-se do/no usufruto do Conhecimento.
O Mundo permite e, pela sua essência, oferece a possibilidade de Pecado.
O Homem, pela sua essência, caminha para e concretiza o Pecado.
E no meio ou entre o Mundo e o Homem, os múltiplos pecados (derivandos do Pecado) e os múltiplos conhecimentos (derivados do Conhecimento). A juntar-se a estes a força ou ausência de força para escolher, para desafiar, para assumir, para desamedrontar, para avançar, para iluminar.
Sandra