São muitas as sombras de falecidos que apenas se ocupam em lamber as marés do rio dos mortos, porque este vem dos nossos lados e ainda tem o sabor salgado dos nossos mares. O rio crispa-se então enojado, inverte o sentido da corrente e despeja os mortos de novo na vida. E eles contudo são felizes, entoam cânticos de agradecimento e afagam o indignado.
in Considerações sobre o pecado, o sofrimento, a esperança e o verdadeiro caminho, Franz Kafka
Este pequeno excerto de Kafka remete-me para uma questão que considero e sinto como fundamental, a qual de uma forma ou de outra, abordei já (e tive excelentes "contra-comentários"/respostas) em comentários anteriores: o verdadeiro sentido da "Morte" e o verdadeiro sentido da "Vida":
- como se distinguem?
- onde começa uma e termina a outra?
- quando se misturam?
- quando se confundem?
- quando se diluem?
- quando uma deturpa e/ou absorve o significado e alcance da outra?
E no intrinsecamente relacionado com isto, o Homem: como vive? como sente a Vida? como olha para a Morte? como se prepara para ela? como a absorve em vida?
Sandra
P.S- Pretendo voltar a este tema.
Dito por: Sandra no dia 15 de setembro 2003, às 17h37