setembro 13, 2003

I Want to Break Free

I Want to Break Free

in Dog Dogs, Elliot Erwitt

Publicado por dolphin.s em setembro 13, 2003 08:28 PM
Comentários

Get free.. to where?

Dito por: Alexandre Monteiro no dia 14 de setembro 2003, às 02h33

Cá estamos novamente perante a questão da "Liberdade": seus alcances e limites e aplicada a quem.
Cá estamos também perante o problema da
"Miséria" (de espírito e material)não só dos animais, mas também, e sobretudo, das pessoas, pois numa sociedade como a nossa eles dependem muitíssimo de nós.
Cá estamos perante o problema da "Incapacidade" de lidarmos completa e correctamente com a Vida, a quem quer que esta pertença, sendo isso ainda pior quando há dependências em relação a nós.
Cá estamos perante a questão da "desumanização das sociedades", onde o que se passa com os animais (ou com muitos deles) é apenas o reflexo do que se passa com o Homem e traduz aquilo que ele é.
Cá estamos perante a incúria, o deslexo, o egoísmo, a falta de amor ou o desamor, o esquecimento, a loucura, o desprezo.

Cá estamos perante...
Cá estamos perante...
Cá estamos...
... e cá vamos estando... nós e eles...os animais...

Sandra

Dito por: Sandra no dia 14 de setembro 2003, às 10h13

Não sei Alexandre... Where to?
Saberás tu?

Dito por: dolphin.s no dia 14 de setembro 2003, às 11h31

Nada se obtém de graça (get free).. e se para o cão, partir para uma espécie de liberdade, é bastante atravessar uma porta, para o humano a porta é criada por ele mesmo e pelos seus amigos.

A liberdade não implica deslocação.. o humano pode exigir que a deslocação tenha a impressão de liberdade...

Mas cada um compra o que quer: mais ou menos estupidamente... mas nunca de modo tão perfeito como um cão.

Dito por: jm no dia 14 de setembro 2003, às 15h51

Esta imagem é algo inquietante exactamente porque (na minha "leitura") não se circunscreve ao primeiro plano, ou seja, ao aprisionamento do cão. Em segundo plano, há uma outra situação, mais desfocada mas nem por isso menos real: o aprisionamento do Homem. Os perfis humanos que se vêem, embora possam sugerir liberdade, por oposição espacial ao cão, também eles estão condicionados por muros, arcadas, corredores, horários, afazeres, deveres, etc. O espaço que, para o cão, é liberdade, para os homens desfocados poderá ainda ser prisão.
Então, diria como a Sandra: «o que se passa com os animais (ou com muitos deles) é apenas o reflexo do que se passa com o Homem e traduz aquilo que ele é» - o primeiro plano seria (não «apenas», neste caso, porque também de animais se trata na imagem) um possível reflexo do segundo plano.

margem :)

Dito por: margem no dia 14 de setembro 2003, às 18h57

Bom ver-te de volta "Margem"! :))) Confesso que, com participação acrescida, estas discussões/debates apresentam-se com interesse reforçado. ;)
Concordo com a perspectiva que defendes. Vem, aliás ao encontro do conteúdo do meu comentário (e, já agora, obrigada pela citação).
Acrescento ao que disse apenas uma coisa, não de conteúdo, mas de forma:

se a poesia (de intervenção) é uma arma que pode fazer construir um novo futuro, também as imagens podem ser entendidas da mesma forma: como potencial para a existência de algo diferente. O que é preciso é que alguém as agarre e com elas erga a sua voz e assuma posições reivindicativas.

Para já, e entre nós, estão a suscitar muita discussão...
E a este propósito, dou os meus parabéns à Sandra pela inteligência e simultânea sensibilidade na/para a escolha das imagens e para nos pôr a todos a reflectir sobre elas. :)))

Sandra

Dito por: Sandra no dia 15 de setembro 2003, às 00h21