setembro 12, 2003

Estou dentro das paredes brancas.

Estou dentro das paredes brancas.

Quatro paredes: a minha cela,

O frio, a solidão e o meu catre.

A luz entra sempre de noite.


Não tinha nada donde vim. Aqui não encontrei

O que tive e a cadeira não serve o meu repouso.

Ainda não há lugar no mundo onde possa sossegar de tu não seres

O vazio que persiste à minha beira.


Tenho um pequeno sonho de uma janela para abrir:

E que paisagem não seria estar feliz!



in Explicação das Árvores e de Outros Animais, Daniel Faria

Publicado por dolphin.s em setembro 12, 2003 04:30 PM
Comentários

Suscita em mim esta leitura, uma série de questões (de âmbito mais ou menos metafórico) relacionadas com a LIBERDADE:
o que significa? quais os alcances e limites desse significado? a quem se aplica? quando? em que circunstâncias? a que propósito?
Suscita-me também o colocar do problema ao nível do (imaginário) auto-questionamento do conceito: "sou" necessariamente inerente à(s) Vida (ou às vidas)? sou inevitável? até onde "posso" ir? a quem "me" posso aplicar? de que forma? em que contextos? com ou sem qualquer tipo de limitações? com o deparar ou não de entraves por parte dos "eus"?

Mas... quanto a outras interpretações...

Sandra

Dito por: Sandra no dia 12 de setembro 2003, às 18h01