ARRE, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
Álvaro de Campos
Arre pela maneira como vai Portugal !
Arre se Portugal tem que ser isto...
ou
Um outro Portugal é possível
Dito por: Pedro Farinha no dia 9 de setembro 2003, às 19h13Será que é?...
Dito por: dolphin.s no dia 9 de setembro 2003, às 20h15De facto Portugal não está bem. Não por razões circunstânciais, mas por razões de fundo. E a questão das mentalidades é absolutamente fundamental para justificar esses problemas, dai que talvez a dificuldade em ser (ou vir a ser) diferente seja uma realidade...é que as mentalidades é o que demora mais tempo a modificar.
Contudo, não quero querer em impossibilidades absolutas. Antes de se chegar ao "absoluto", há que ultrapassar etapas e...etapa a etapa (devagar, devagarinho) lá se vão alterando/melhorando algumas coisas.
Acrescento uma questão que entendo como fundamental: só se pode efectivar a mudança quando há tempo para pensar nas coisas e concluir que estas precisam de ser modificadas. Se não há (ou não se pretende que haja)tempo, se se "adormecem" as pessoas, se se aposta no "pão e circo" e naquilo que é pimba, então tudo é bastante mais complicado. Cabe, inequivocamente a cada um de nós, contribuir (ou lutar) para que tal deixe de ser assim. É que às vezes o que parece ser muito pouco, já é o bastante...
Sandra
Uma nota adicional: a forma como terminei o comentário anterior parece ser contraditória com o título do post. Garanto, no entanto que não é: é tudo uma questão de perspectiva e de posicionamento na linha do tempo...
Sandra
Dito por: Sandra no dia 9 de setembro 2003, às 22h05Concordo com o que dizes.... mas faço notar que este poema foi escrito no fim do séc XIX, princípio do séc XX.....
parece que nada mudou, não é?
Andamos em ciclos que se repetem, assim como as pessoas que não mudam, e as mentalidades que continuam as mesmas...
mmmmmm... uma linha recta sem desvios, parece-me uma imagem melhor ;)
os que querem mudar - que é aqui que eu acho que está o segredo - quem quer de facto mudar? não continua o povo a queixar-se contra o estado das coisas, mas a encostar-se confortavelmente esperando que nada mude? É que as mudanças são perigosas! Apresentam desafios. Obrigam a decisões.
mas, voltando ao que eu dizia, os que de facto querem mudar, serão sempre uma minoria.
A maioria está confortably numb e assim quer continuar.
Relativamente ao problema (que é também dialéctico)levantado em torno da "minoria"/"maioria", de facto assim é. E é-o sobretudo pela incapacidade de ver mais além do que o próprio umbigo, do dia de hoje e dos resultados que "hoje" podem ser alcançados, assim como do medo de dar o passo em frente.
Outro cenário que poderemos apresentar, em jeito de exercício mental, com resultados obviamente angustiantes é o seguinte: será que a maioria quer mudar, mas encontra-se tolhida por uma minoria que a anestesia? Existirá a tal "maioria silênciosa" adaptada aos tempos presentes? Será (Tem sido) a minoria suficientemente poderosa e influente ao ponto de conseguir bloquear o avanço e os passos em frente desejados?
Pense-se, pois, nas realidades possíveis, pois só dessa forma a troca de ideias, o debate ou a mera reflexão interior podem resultar com um enriquecimento e complexidade acrescidos.
Sandra
Dito por: Sandra no dia 9 de setembro 2003, às 22h47Pode não ser muito politicamente correcto o que vou dizer, mas eu acho que são sempre as minorias que mandam. E existe uma minoria que tenta manter as coisas como elas estão pois tira proveito da mediocridade e da iliteracia e uma outra minoria, menor, que tenta realmente mudar este estado de coisas.
O que resta é uma imensa maioria que, como qualquer rebanho, vai atrás da minoria que os convencer que esta é a forma de terem menos chatices.
Eu tenho alguma experiência profissional de processos de gestão da mudança em empresas e sempre utilizo o método (não oficialmente claro) de tornar a não mudança mais incómoda que a mudança... e então muda-se.
Voltando a Portugal acho que estamos tant oa bater no fundo que será dificil não vir uma onda de revolta e de vontade de mudar qualquer coisa.
"será que a maioria quer mudar"
Não consigo acreditar nisto. Ou acreditar na verdade abrangente que deveria ser uma vontade de mudar.
A maioria diz "as coisas têm que mudar". Mas as coisas a que se referem no geral são o poder de compra e pouco mais.
Vejo as coisas muito mais pelo prisma do Pedro, se bem que seja ainda mais péssimista.
A maioria não se deixa conduzir apenas por ignorância e iliteracia. Deixa-se conduzir porque é preguiçosa. A maioria prefere ter um "paizinho" - a tal minoria no poder de que fala o Pedro - que toma as decisões por si. Se neste mandato o poder de compra desce, então temos que tirar de lá estes e pôr outros. Se for igual, volta-se a pôr os mesmos. E é a esta mudança a que se limita a maioria. A tudo o mais que se lhes possa apresentar como mudança dizem/pensam estar fora do seu alcance. Dizem que não sabem nada disso quando não tentam sequer saber.
Querer mudar significa ter que tomar responsabilidades, por si e pelos outros. Responsabilidades pelas decisões tomadas. Enquanto as decisões forem sendo tomadas pelos outros, há sempre alguém para onde lançar as culpas e a quem responsabilizar.
A outra minoria, ainda mais minoria, vai mirrando...
Dito por: dolphin.s no dia 9 de setembro 2003, às 23h52