Para a frente! para a frente! Parar é morrer; parar é a gente sentir-se calcado pelos que vêm atrás, ofegantes, de unhas afiadas, prontos a despedaçar, contanto que cheguem mais depressa aos seus fins. É uma correria de seres borrados de ambição, agatanhando-se, metendo os ombros, com as mãos suadas, cerrados os dentes, prestes a tudo, até a matar, desde que consigam deitar os gadanhos ao que desejam.
in O Padre, Raul Brandão