agosto 30, 2003

Fazer guerra

Friedrich NietzscheOutra coisa é a guerra. Sou, por natureza, belicoso. Atacar faz parte dos meus instintos. Poder ser inimigo, ser inimigo, isso pressupõe, talvez, uma natureza forte; em todo o caso, está implícito em toda a natureza forte. Esta precisa de deparar com resistências; por conseguinte, procura a resistência: o pathos agressivo faz tanto parte da força como os sentimentos rancorosos e ressentidos fazem parte da fraqueza. [...]
A força do atacante encontra uma espécie de medida na adversidade de que necessita; qualquer acréscimo se traduz pela procura de um adversário mais poderoso — ou de um problema mais difícil, pois um filósofo, que seja aguerrido, também desafia problemas para duelo. A missão não consiste em vencer resistências em geral, mas em impor-se àquelas contra as quais se tem que empenhar toda a energia, toda a destreza e mestria nas armas — em impor-se a adversários iguais... A igualdade perante o inimigo é a primeira condição para um duelo leal. Onde se despreza, não se pode fazer guerra; onde se ordena, onde se vê algo abaixo de si próprio, não se tem de fazer guerra.

in Ecce Homo, Friedrich Nietzsche

Publicado por dolphin.s em agosto 30, 2003 01:33 PM
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